MINAS GERAIS

Termas mineiras: requintes da nobreza no alto da Serra da Mantiqueira

Poços de Caldas preserva a tradição dos balneários europeus, com águas curativas, o bom gosto na arquitetura neoclássica, com direito ao toque mineiro no trato ao turista e nas delícias gastronômicas

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postado em 21/04/2017 10:00 / atualizado em 25/04/2017 19:12

Renato Weil/EM/D.A Press

A 1.300 metros de altitude, nas cumeeiras da Serra da Mantiqueira, Sul de Minas Gerais, está a primeira e maior estância hidromineral da América Latina: Poços de Caldas, cujo nome foi inspirado no balneário português Caldas da Rainha — que fica no oeste de Portugal e era frequentado pela nobreza lusitana naquele distante século 16. Em Poços, as temperaturas entre os meses de outubro e março nunca ultrapassam os 21 graus durante o meio-dia.



A paisagem verde, variando do cerrado à mata atlântica, concede ar puro, convidando ao relaxamento nas águas sulfurosas, alcalinas e radioativas — que brotam de um vulcão subterrâneo extinto a 72,4 milhões de anos —, e jorram com temperatura de 45 graus, atingindo as banheiras disponíveis ao turista a 37 graus.

Desde 1886, diversos visitantes frequentavam a cidade onde funcionava uma casa de banho, local onde doenças cutâneas eram tratadas com águas sulfurosa e termal da fonte dos Macacos. O movimento cresceu e dois anos depois, Poços de Caldas era conhecida como estância hidroterápica. Atualmente, com oito mil leitos distribuídos entre 50 hotéis, a cidade mineira recebe uma média de 130 mil turistas por ano, segundo dados da Secretaria Municipal de Turismo.

Renato Weil/EM/D.A Press
 

Para assegurar a qualidade dos serviços prestados, são realizadas obras de manutenção diariamente. Além das terapias com águas, a cidade se destaca pela arquitetura, belos jardins e a gastronomia típica do estado. As termas, geralmente instaladas em hotéis, podem ser frequentadas por visitantes ocasionais. Projeto do arquiteto Eduardo Pederneiras, inaugurado em 1931 e tombado como Patrimônio Histórico Artístico e Cultural do Brasil em 1985, o Thermas Antônio Carlos, é um exemplo do estilo neoclássico, com 34 banheiras de porcelana refratária inglesa, distribuídas em três andares. O turista pode tomar um banho de 20 minutos por R$ 40.

Mas antes de deixar as Thermas Antônio Carlos vale uma bela espiada no vitral — obra do paulistano Conrado Sorgenicht — na cumeeira central do prédio que, por sua vez, só nas temporadas de férias de janeiro, registra um volume de usuários na ordem de sete mil pessoas.

Desembocando no Parque José Affonso Junqueira, com seus 53 hectares, o turista pode passear por entre 1.168 árvores centenárias, provenientes dos cinco continentes do planeta. A área foi restaurada em 2001, pelo arquiteto João Neves. Lá, há a Fonte dos Leões esculpida em mármore, de onde brota água mineral; a pérgola, com colunas gregas ocupa 180 metros quadrados e, entre outros, o Palace Cassino. Cercado por jardim francês, obra do paisagista alemão Dier Berger, faz destacar o Salão Azul, com seus três enormes lustres de cristal e as colunas contendo filetes de ouro.

Renato Weil/EM/D.A Press

Outro ponto, também nos sopés da serra de São Domingos (com a estátua do Cristo Redentor a  400 metros de altitude adiante), é a Fonte dos Amores. Inaugurada em 1929, obra de Giulio Starace, que guarda uma escultura em mármore de um casal apaixonado, que, por sua vez, antecede uma cascata. Reza a lenda que o casal apaixonado, de famílias rivais, ali havia se jogado.

Na cidade, há outros nichos de majestade. Um deles é o Recanto Japonês que, nos meses da primavera brasileira, concede um espetáculo na cor rósea, quando as árvores desabrocham suas flores. Réplica dos jardins japoneses, apresenta o Caramanchão, ou Quiosque, idêntico ao Manj-Tei, do palácio imperial de Tóquio. Construído em madeira e coberto por palha, experimente beber alguns goles de chá nessa casa cercada por pequeno lago, cheio de carpas e peixes coloridos. E antes de sair, lave o rosto na Fonte dos Três Desejos, para, segundo a lenda, receber amor, saúde e inteligência.

Mas o que é belo aos olhos também aguça o paladar. Não deixe de visitar o Mercado Municipal. Inaugurado em 1890 — obra do italiano José Carlos Garibaldi — e desde 1969 instalado na Rua Pernambuco, tem 193 boxes internos e 54 externos. Impecavelmente limpo, possibilita o degustar dos figos verdes cristalizados, ou mesmo do doce de leite com marolo (fruta típica do sul mineiro, que é abundante entre os meses de março e abril). As delícias não param por aí. Entre os boxes há oferta do delicioso e caprichado sanduíche de pão d’água com espessa fatia de mortadela artesanal, seguido de chopinho local. É possível adquirir a cachaça mineira, o molho de pimenta, queijos variados e as cocadas de macadâmia com leite. Um primor.

 

Elegância cristalizada

Amanda Melo Benedito/Flickr

Poços de Caldas guarda todo o requinte da antiga nobreza que se radicava na cidade, durante o verão, fugindo da pestilenta capital do Império. Fundidos a 1.450 graus, numa mistura de quartzo, sódio e outros elementos da areia, destacam-se os cristais de Murano, remanescentes de antigas tradições da Veneza italiana, com mais de 50 anos atuando em Poços de Caldas.

A maior produtora de cristais da América Latina, a São Marcos segue as técnicas de artistas italianos, levadas para Minas pelos irmãos Antônio Carlos e Paulo Molinari que, aos 11 e 8 anos, respectivamente, aprenderam o manuseio da arte com o italiano Aldo Bonora. Outra herança histórica e requintada pode ser encontrada no Complexo da Urca, bem próximo. Nas charretes, é possível se fazer belo passeio pelas cristaleiras.

Objetos de cristais, verdadeiras obras de arte, podem ser vistos no processo de fabricação na fundição Cá D’Oro — traduzindo: Casa do Ouro. Trabalho totalmente artesanal e manual, é comandado, desde a década de 1990, por Adriano Seguso, filho do muranense Mario Seguso, que chegou ao Brasil em 1954.
Marcelo Sant'Anna/EM/D.A Press

O colorido das peças decorativas é impecável, um luxo. Luxo que, em Poços de Caldas, não termina por aí. Antes da partida, um café no alpendre do chalé monarquista em estilo do Tirol — região da Áustria — com seus lambrequis adornando os telhados e as bandeiras de ferro sobre as portas altas, na construção de cor azul. Um charme para construção de 1894, denominada Cristiano Osório, e totalmente restaurada em 1992. Para não ficar somente no passado, há um pavilhão em arquitetura moderna, distribuído por mil metros quadrados, onde são feitas exposições, concertos, recitais e peças de teatro.

Visite
Quem gosta de esportes náuticos ou  uma uma relaxante pescaria tem a opção de visitar a Represa do Bortolan, que geralmente está fora do circuito tradicional de turismo de Poços de Caldas. O lago possui 3,45 km de área, o que possibilita passeios de escuna, pedalinho e jet ski, que podem ser alugados nos bares e hotéis que ficam às margens do local. Os preços são variáveis.

 

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