Brasileiros voltam a gastar com turismo no exterior, após anos de retração

Os destinos com maior expansão são Portugal (66,8%), Argentina (42,3%), Holanda (38,6%), Reino Unido (37,3%) e França (36,6%)

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postado em 29/04/2017 19:42

Bangkok – Viagens a turismo movimentam mais de US$ 7,6 trilhões em todo o mundo e geram mais de 292 milhões de empregos, o que representa um em cada 10 postos de trabalho do planeta. E, apesar da pequena participação do Brasil no setor em termos globais, o turismo voltou a ganhar impulso no país este ano, aponta o World Travel & Tourism Council (WTTC, conselho mundial de turismo e viagens) Global Summit 2017, realizado esta semana em Bangkok, na Tailândia.
 
 
A Photo A Day/Reprodução
Em 2016, as viagens dos brasileiros tiveram uma retração de 7,8% ante 2015.  No primeiro trimestre de 2017, sobre igual período do ano passado, no entanto, houve crescimento de 23,5%, conforme FowardKeys, uma pesquisa panorâmica global das viagens aéreas que prevê padrões futuros com base em 16 milhões de reservas.
 
A pesquisa destacou quatro pontos, entre eles, o retorno do crescimento do turismo em países do BRICS, sobretudo no Brasil e na Rússia. "As moedas desses países estão se recuperando e as pessoas estão voltando a viajar em maior número. As reservas mostram que quatro dos cinco destinos mais procurados pelos brasileiros estão na Europa", afirmou Olivier Jager, CEO da ForwardKeys.
 
No segundo trimestre deste ano, o crescimento das viagens aéreas de brasileiros previsto pelas reservas é de 29,2%, sendo que os destinos com maior expansão são Portugal (66,8%), Argentina (42,3%), Holanda (38,6%), Reino Unido (37,3%) e França (36,6%). A pesquisa também revelou que a Europa está se recuperando mais rapidamente após os atos terroristas. Antes, os voos só voltavam à normalidade meses após algum evento ataque, agora cerca de cinco semanas são suficientes. “Isso mostra que as pessoas estão cada vez mais acostumadas com esse tipo de coisa”, lamentou.
 
Outros destaques da FowardKeys são os turistas chineses, que ampliaram a escolha de seus destinos turísticos e viajam cada vez mais e em número cada vez maior, o Canadá, que se tornou o queridinho da América. "Os Brics estão de volta, a Europa está se recuperando, o Canadá é uma estrela em ascensão e os chineses estão explorando cada vez mais países", resumiu Jager.
 
Divulgação: WTTC
 

Recalibração


Em seu discurso de abertura, o presidente do WTTC, David Scowsill, ressaltou a importância do setor na economia global. "Precisamos de um mundo mais sustentável e os mais de 900 líderes dos setores privado e público podem fazer a diferença nessa transformação. É pedir demais?", indagou. “Está ocorrendo uma recalibração da política global. Os governos estão questionando liberdades básicas, como o direito de ir e vir das pessoas e o livre comércio, justamente do que mais depende o nosso negócio", disse Scowsill.

Scowsill destacou que, apesar do terrorismo e dos desastres naturais, o turismo mostra resiliência. "As pessoas continuam viajando a despeito do medo gerado pela divisão em raças ou religiões. Fronteiras fechadas levam a mentes fechadas. Nosso setor precisa ser acessível a todos", alertou.

Mercados emergentes

O mercado do turismo de negócios, que movimenta US$ 1,2 trilhão globalmente, sobe, em média, 3,7% por ano. Na Ásia, no entanto, a expansão será de 6,2% por ano até 2027, segundo o mesmo relatório.
 
O estudo destaca uma lista dos 10 países com maior previsão anual de crescimento do turismo corporativo, levantamento do qual o Brasil não participa. Na Ásia, a China lidera com 9,5% de crescimento anual, seguida de Miamar (8,7%), Hong Kong (8%), Camboja (7,4%) e Índia (7,2%). Ruanda e Gabão, ambos com expansão de 8,5%, e Tanzânia (7,9%) mostram a presença significativa de países da África no levantamento.
 
Nos últimos cinco anos, os gastos com turismo de negócios avançaram rapidamente em muitos mercados emergentes, como o Congo subindo 32% entre 2011 e 2016; Catar, com expansão de 25%; Azerbaijão, 21%; e Moçambique, 19% , no mesmo período. O relatório aponta, ainda, que os melhores destinos de viagens corporativas são justamente os que tiveram melhorias na questão dos vistos, o que ajudou o setor de turismo e, consequentemente, o crescimento econômico dos países.
 
Apesar do aumento na maior participação de alguns países asiáticos e africanos, os maiores mercados para o turismo corporativo ainda são os mesmos de sempre: Estados Unidos, China, Reino Unido, Alemanha e Japão.
 
Para os especialistas do WTTC, vários fatores influenciam no aumento das viagens de negócios, segmento com maior peso na contribuição do turismo para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O uso de tecnologia de apoio a viajantes e empresas, por exemplo, é apontado como forte indutor de crescimento das viagens de negócios.
 
A pesquisa mostra que os viajantes corporativos querem alertas de telefones celulares e informações sobre interrupções, atualizações de voo, além de dicas de lazer e gastronomia. O estudo também aponta a necessidade de investimentos em tecnologia, infraestrutura e segurança cibernética.
 
Para Gordon Wilson, CEO da Travelport, a tecnologia desempenha um papel cada vez mais importante no sentido de facilitar o caminho de quem viaja a trabalho. "Como indústria, precisamos continuar a investir nas melhores tecnologias e infraestrutura, enquanto os governos precisam ajudar mais as companhias, eliminando exigências de vistos", afirmou.
 
Na opinião de David Scowsill, presidente do WTTC, o setor gera US$ 7,6 trilhões em PIB e 292 milhões de empregos no mundo. "Viagens de negócios são uma parte vital do setor, catalisador para o crescimento global. O turismo corporativo impulsiona relações, investimentos, cadeias de suprimentos e logística, e tudo isso amplia os fluxos comerciais internacionais", destacou. Após seis anos na presidência do WTTC, Scowsill anunciou sua saída do Conselho durante o Global Summit 2017. 
 
*Repórter viajou a convite do WTTC
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