RIVIEIRA

Dos perfumes ao cinema, Grasse e Cannes atraem turistas de todo o mundo

A região encanta pelas paisagens, pelos caminhos que entrecortam as plantações e revelam os segredos de produtos admirados no mundo, como os perfumes e os vinhos

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postado em 25/05/2017 10:00 / atualizado em 26/05/2017 08:24

Juliana A. Saad/ Esp.CB/D.A Press


Grasse, o aroma francês  
A história do vilarejo se confunde com a do perfume, com um início curioso. No século 16, a vila era conhecida por ter muitos curtumes, os quais a impregnavam de fortes odores. Para disfarçar o mau cheiro, os curtidores de couro — mestres em fazer luvas — utilizavam essências naturais da região, sobretudo de flores, e com o tempo essa atividade secundária se tornou a principal da cidade, até torná-la “capital mundial do perfume”. Os turistas podem conhecer as fábricas, com venda de seus produtos, entre elas, La Bastide des Arômes, Parfums Gaglewski, Molinard, Bouchara, Galimard e Jeanne en Provence.

 

Juliana A. Saad/ Esp.CB/D.A Press

 

Fragonard
Numa bela construção do século 19, a perfumaria mantém sua fábrica (em Grasse, chamadas de usine) e vende seus produtos, com visitas guiadas aos laboratórios, ateliês e salas de embalagem, onde muitos dos segredos da elaboração de perfumes, cosméticos e sabonetes são revelados, com exibições práticas no Atelier Olfactif, que permite ao visitante a criação de uma eau de toilette própria. Lá também está um museu, com obras de Jean-Honoré Fragonard, natural de Grasse, e de dois outros artistas da cidade. E ainda o Museu do Perfume (Musée du Parfum), com uma bonita coleção de objetos contando a história do perfume nos últimos três milênios. www.fragonard.com.

Musée International de la Parfumerie
O MIP foi criado em 1989 e conta a história e originalidade do trabalho dos perfumistas e das grandes marcas que fizeram a fama da França nessa área. Funciona no primeiro andar da Usine Historique. Um programa inesquecível: ir aos jardins do MIP, a 10 km a sudoeste de Grasse, onde campos de rosas, jasmim e lavanda encantam os visitantes. www.museesdegrasse.com.

Le Musée d’art et d’histoire de Provence
Um museu dedicado a mostrar como era a vida cotidiana na Provence (lado oriental) desde a pré-história, além de obras de arte e objetos decorativos do século 17 a meados do século 20. www.museesdegrasse.com.

Cathédrale Notre Dame Du Puy de Grasse
A igreja matriz tem uma arquitetura influenciada pelo estilo seguido em séculos passados nas regiões italianas da Ligúria e da Lombardia e apresenta obras de arte locais classificadas como “monumentos históricos”.

 

 

Cannes, a bela da riviera   

Juliana A. Saad/ Esp.CB/D.A Press

Ela tem apenas 75 mil habitantes, mas tem fama mundial e explode de gente graças às celebridades que todos os anos agitam a cidade durante o famoso festival de cinema. Por isso, tem nada menos que 125 hotéis e cerca de 300 restaurantes espalhados pela cidade, que embora pequenina, é cheia de atrações que vão desde sua mítica Croisette, a avenida à beira-mar mais famosa da Riviera, por onde desfilam todos que passam pela cidade às colinas que a cercam, pontuadas por suas pedras, museus, pequenos bares e restaurantes, onde peixes frescos são servidos frescos e o rosé molha as taças. Pequenas lojas artesanais e mercados se misturam a butiques grifadas e o mesmo pode ser visto nas ruas da cidade, facilmente percorridas a pé. Ali transitam pessoas de todas as idades, na maior descontração – de locais a viajantes, de estudantes a milionários, de estrelas de cinema a turistas, Cannes recebe a todos com seu charme inigualável.

La Croisette
Símbolo máximo de Cannes, a grande avenida que se estende à frente dos grandes hotéis e construções nobres da cidade surgiu em 1834, implementada por Lord Brougham para fazer bonito com a aristocracia inglesa e, na sequência, endinheirados do mundo inteiro. Ao longo de seus 3 km de extensão, exibe os hotéis míticos, cassinos, butiques de luxo, o porto, jardins e as calçadas para longos passeios. É o mais forte cartão-postal de Cannes e, no mês de maio de cada ano, La Croisette se transforma em passarela frenética com a realização do Festival de Cinema, este ano em sua 70ª edição.

La colline du Suquet
O melhor para se ter uma ideia dos contornos de Cannes é ir até a colina Suquet, onde a vila começou a ser construída em tempos medievais, como era costume nessa época para prevenir, do alto, ataques de piratas e outros pretendentes à sua posse. De lá se avista a baía e a ultraconhecida La Croisette, palco de desfiles e flâneries da cidade. Suquet é, portanto, a parte antiga de Cannes, aliando o charme provençal de sempre à vida moderna. Em alguns meses e principalmente em julho, há vários eventos culturais na colina.

Arte no Suquet
A cada mês de julho, Suquet se torna um refúgio para a música clássica, em contraponto à agitação que toma conta da orla. As “Noites musicais do Suquet” reúnem artistas consagrados e jovens promessas em concertos ao ar livre, tendo como cenário a construção em pedras da igreja de Notre-Dame d’Espérance. Outro evento importante é o Suquet des Arts, com exposições e outras atividades ligadas à pintura, escultura, arte floral, teatro e música.

Ruelas medievais
No Suquet, deixe-se levar a pé pelo itinerário medieval da colina, da Rue du Mont-Chevalier até a praça principal, passando pela ruela mais antiga de Cannes, a Rue Saint-Antoine, com variado comércio e restaurantes.

Museu Castre
As ruínas de um castelo medieval construído pelos monges de Lérins para a abadia de Saint-Honorat, que servia tanto para a defesa como para o culto, abrigam hoje o Musée de la Castre, contendo uma significativa coleção de antiguidades mediterrâneas legada à cidade pelo barão holandês Lycklama, que se encantou pela vila, além de peças de arte primitiva e pinturas pós-impressionistas de artistas provençais. A torre do castelo, após a subida por uma centena de degraus, oferece uma vista abrangente da baía de Cannes.

Mercado Forville
Ainda no Suquet, uma das atrações mais procuradas é o seu mercado, situado ao pé da colina, mostrando um pouco da alta qualidade dos produtos provençais, frescos ou processados.

Le Vieux Port
Cannes, é óbvio, também tem sua exibição de iates e barcos para os passeios no Mediterrâneo. Logo abaixo do Suquet, o velho porto tem no Quai St. Pierre a sua parte mais antiga, construído em 1838.

Ilha St. Marguerite

Juliana A. Saad/ Esp.CB/D.A Press

A poucos minutos de barco a partir de Cannes, a ilha tem o Museu do Mar dentro do forte e, como curiosidade maior, a prisão com a cela do prisioneiro da Máscara de Ferro, personagem à época do rei Luis XIV.

Abadia de Lérins
A apenas 15 minutos da efervescente Cannes, local por excelência da “mondanité”, está a ilha que há 16 séculos serve de abrigo para a vida monástica. Na ponta da ilha e se abrindo para o mar, a igreja e os claustros de pedra são construções imponentes. O claustro superior, também conhecido como a “torre refúgio”, é formado por 12 colunas de mármore importadas de Gênova em 1467, transformando o conjunto em um mosteiro fortificado. Os monges beneditinos de Lérins são famosos pela produção de vinhos, em oito hectares da ilha. Lá são elaborados bons brancos com as uvas Chardonnay, Clairette e Viognier e tintos com Syrah,  Mourvèdre e Pinot Noir. A cada ano os monges produzem cerca de 40 mil garrafas de vinho e também de licores. Há restaurante e bar para os visitantes. Ir à Abbaye de Lérins é um lindo programa alternativo em Cannes. www.abbayedelerins.com.

 

» Serviço

Onde ficar
Com vista do Mar Mediterrâneo, o hotel Majestic Barrière é fincado na La Croisette Boulevard, em Cannes,. A 110 metros do Palais des Festivals e do porto, é o mais bem localizado da cidade. Por sua piscina, cinema e praia privativa, circulam de estrelas de cinema a turistas, de esportistas a magnatas, além de viajantes de naipe mundial. Seus lounges, lobby e suítes são simplesmente espetaculares, uma delas dedicada a Dior. Uma das atividades prazerosas oferecidas pelo hotel aos hóspedes é a visita ao mercado Forville junto com o chef Maryan Gandon, para compras de ingredientes e aula de culinária com degustação dos pratos preparados.

Onde comer
E é difícil escolher entre os três restaurantes do Majestic Barrière. O Fouquet’s, uma brasserie francesa tradicional, o La Petite Maison de Nicole, que oferece cozinha típica mediterrânea e o restaurante La Plage, com praia privativa — é melhor. Uma das atividades prazerosas oferecidas pelo hotel aos hóspedes é a visita ao mercado Forville junto com o chef Maryan Gandon, para compras de ingredientes e aula de culinária com degustação dos pratos preparados. E para quem preferir, há o Barrière Le Gray d’Albion. www. hotelsbarriere.com/fr/ cannes/le-majestic.htm.

 

Símbolo da Provence

» Mauro Marcelo Alves*
Especial para o Correio

 

O rosé é o vinho mais antigo do mundo, sendo feito em quase todos os países vinícolas, mas os de maior sucesso são realmente os provençais. O sul da França tem um clima e solos perfeitos para esse tipo de vinho. As cores são lindas, salmonadas, e exibem aromas insinuantes de frutas vermelhas ou de flores e grande dose de frescor.

São mais de 140 milhões de garrafas produzidas a cada ano, abrangendo uma vasta região que vai do Mediterrâneo aos Alpes. Indispensável à mesa de bares e restaurantes da Riviera, é o vinho dos momentos alegres e descompromissados.

E por que ele é o vinho mais antigo do mundo? Em tempos remotos, a fermentação era feita por pouco tempo junto com a pele da uva, a responsável pela cor do vinho, porque não se conhecia ainda todo o processo de maceração que levaria o líquido a se tornar escuro, ou tinto – não se faz rosé com uvas brancas. Aos poucos, o rosé ganhou uma técnica própria de vinificação, pela qual os sabores, aromas e acidez das uvas são perfeitamente extraídos em fermentações de tempo controlado para garantir a sua bela cor.

* Jornalista, escritor, chef de cozinha e consultor nas áreas de gastronomia, vinhos e viagens

 

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