MERGULHO

Arte até embaixo d'água: conheça os dois museus submersos do mundo

Existe um mundo quase inexplorado no mar, além de paisagens deslumbrantes. À arte da natureza, juntou-se a dos homens, que expõem suas obras no fundo do oceano

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postado em 02/06/2017 09:00 / atualizado em 01/06/2017 16:37

CasaNomade/Reprodução

Vista o seu traje de banho, leve um cilindro de oxigênio nas costas, use óculos de mergulho e vá ao... museu! Prepare-se para uma experiência única num ambiente inusitado, onde a arte se mostra diferente de tudo o que você já viu. Seja bem-vindo aos museus submersos, um jeito novo de fazer e de viver a cultura. Artistas de diferentes nacionalidades, gostos e estilos concentraram suas obras no fundo do oceano, na costa da Espanha e do México.

 

As primeiras instalações subaquáticas feitas no mundo não fizeram parte de um grande projeto, mas foram colocadas isoladamente em diferentes locais. O britânico Jason de Caires Taylor foi o precursor no segmento de esculturas marinhas e quem puxou a fila dos outros muitos artistas que despertaram para o novo tipo de exposição. Hoje, ele é o principal artista nesse segmento e tem suas obras expostas nos principais museus. Conheça um pouco mais das obras de Taylor e dos demais artistas que enriquecem o fundo do mar com seus talentos em suas obras nos dois principais museus do mundo.

 

M.U.S.A: Museo Subacuático de Arte — Cancún, México

Musa/Reprodução

O primeiro museu submerso no mundo foi inaugurado em 2009 no México. Ele conta com mais de 500 esculturas de diferentes artistas como Jason deCaires Taylor, Karen Salinas Martínez, Roberto Díaz Abraham, Rodrigo Quiñones Reyes e Salvador Quiroz Ennis. Todo o projeto do museu e os materiais utilizados nele foram muito bem pensados para que não prejudicasse a vida marinha nas regiões e que, pelo contrário, ajudasse os animais ou seres que ali vivem a criar colônias e que pudessem interagir com as obras de uma maneira saudável.

the-stills.com/Reprodução

A preservação do ecossistema é o foco principal do museu. As obras que foram instaladas ali desviam a atenção dos turistas que antes exploravam por demais os corais e animais da região que se encontravam muito desgastados. Agora os mergulhadores tem um novo mundo para contemplar e explorar nos seus mergulhos: as mais de 500 obras instaladas no MUSA.

 

» Belezas submersas

O museu é dividido em Manchones e Punta Nizuc

Gino Caballero/Reprodução

Manchones

Localizado nas Ilhas Mujeres, as obras ali instaladas ficam a 8 metros de profundidade e o melhor jeito de visitar o local é mergulhando com cilindro. Conheça algumas obras instaladas nesse “salão”.

Musa/Reprodução

Punta Nizuc

Esse espaço fica na costa dos grandiosos hotéis de Cancún. As obras foram colocadas a 4 metros de profundidade para facilitar o acesso dos turistas ao museu. A visita pode ser feita com o snorking tranquilamente, porque por ser raso não vai ser preciso toda hora ir para a superfície respirar.

 

Museu Atlântico - Ilhas Canárias, Espanha

Paris Match.be/Reprodução


No ano passado, em fevereiro, a Europa ganhou seu primeiro museu subaquático.  Dessa vez, as obras são assinadas apenas por Jason deCaires Taylor. As novas esculturas ganharam vida nas águas das ilhas Canárias, arquipélago mais oriental do continente, localizado em Lanzarote. O museu conta com trezentas obras do artista que abordam temas como a existência do ser humano, a relação do homem com a natureza e o poder do mar e sua capacidade de regeneração.

Mais uma vez Taylor se preocupou em fazer com que suas obras se tornem um ambiente agradável para a espécie marinha. O material usado por ele foi cimento de alta densidade com pH neutro e sem metais corrosivos, fazendo com que as obras não danifiquem o ambiente. Portanto,  os seres que ali habitam conseguem interagir com o museu de forma saudável. Tanto cuidado também se dá pelo fato da área ser considerada uma reserva de biosfera mundial pela Unesco

MuseuAtlantico/Divulgação


As obras trazem mensagens políticas e reflexões sobre a sociedade, como os imigrantes que cruzam o mar mediterrâneo. De acordo com o Taylor, ele quis homenagear as muitas pessoas que conseguiram a travessia, mas também àqueles cujo sonhos e esperanças permanecem no fundo do mar. O objetivo do projeto é promover uma maior compreensão do ambiente marinho e conscientizar os visitantes que dependemos muito dele. Além dessa, outras obras homenageiam os imigrantes fazendo com que o museu também seja um memorial das vidas perdidas no mar.
TripTips/Reprodução

Instaladas numa profundidade que varia de 5 a 14 metros num espaço de 2.500 metros quadrados. As visitas às obras podem ser feitas por mergulhos, de cilindro ou snorking, ou por barcos de vidro. Taylor doa 2% do que é arrecadado no museu para pesquisas de proteção de animais e seres marinhos que vivem na ilha. A previsão é que as obras tenham 300 anos de duração, ou seja, muitas gerações ainda poderão ver o precioso trabalho dos artistas, além de ficar a parte de assunto que hoje são relevantes na sociedade.

MuseuAtlantico/Divulgação
 

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Barco de vidro

Para aquelas pessoas que não sabem nadar ou que por algum motivo têm medo de realizar mergulhos, a melhor opção é fazer uma excursão em barcos de vidro que ficam no local. O passeio não vai deixar a desejar em nada e é uma ótima opção para quem tem crianças e que não podem mergulhar por si só. O serviço custa em média 40 dólares por pessoa.

Mergulho com cilindro
Sem dúvidas essa é a melhor opção para quem quer interagir totalmente com o museu e não perder nenhum detalhe sequer. É possível alugar o equipamento no local, que custa cerca de 65 dólares, e ainda ser guiado por mergulhadores profissionais que já conhecem a área e podem te ajudar a aproveitar ainda mais o passeio.

Mergulho com snorking
Essa é a maneira mais comum e que a maioria dos turistas optam. Ela é de graça e independente. Você vai por si só explorar o que há no museu. O ruim é que como o equipamento é limitado, por não haver oxigênio, não será possível descer até o fundo e contemplar as obras sem que precise voltar a todo o momento para a superfície.

 

*Estagiária sob orientação de Taís Braga

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