ÁSIA ORIENTAL

Império de primeira grandeza, China mantém costumes e antigas tradições

O país mais populoso do mundo, com mais de 1,3 bilhão de habitantes, é o único que mantém viva a cultura milenar do seu povo. Conheça cidades onde o passado e o futuro são lições de vida

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postado em 03/06/2017 10:00 / atualizado em 08/06/2017 15:58

Christine und Hagen Graf/Flickr

Entre todas as civilizações antigas que legaram o saber ao mundo, a chinesa é a única que permanece de pé com a sua cultura e tradição singular, mas com a sua língua e caligrafia, que remontam ao ano 600. A China é o exemplo de como um país pode crescer e ganhar importância respeitando as tradições e investindo na educação. Os contrastes são grandes, mas cidades como Xangai, Beijing, a Cidade Proibida, e Guilin, na região de Guizhou e Guangxi, ao sul do país, são exemplos de transformações que atraem turistas.

 

Para se ter uma ideia da importância econômica e do espetacular crescimento da China, basta visitar Xangai, que é, hoje, a segunda maior cidade do país, com quase 25 milhões de habitantes. De costas para o Bund, lado da velha China colonial do século 19, se vê a margem oposta do Rio Huangpu, denominada Pudong. De distrito rural e pobre da cidade, transformou-se no retrato do futuro, de um povo que por ele luta.

 

Peter Parks/AFP - 10/2/13

Aprisionado em Elba, em 1816, Napoleão retrucou ao ouvir do Lorde Amherst que a Inglaterra havia fracassado na segunda tentativa de estabelecer relações comerciais com a China: “Deixem-na dormir, porque quando acordar o mundo tremerá”. À medida que o barco avança e sobe o rio, à direita, mira-se o futuro.

 

O encontro de duas skylines

Aly Song/Reuters - 26/8/13

Na margem oriental do Rio Huangpu, denominada Pudong, a China pós-colonial exibe a sua pujança e força. É um dos pontos altos de Xangai, a mais ocidentalizada e cosmopolita cidade chinesa. Com 632 metros, a Shangai Tower desafia a concorrência arrojada com o título de segunda mais alta do planeta. O Shangai World Financial Center, do alto de seus 492 metros e 101 andares, é considerado o maior com espaço vazado ao topo. Empilhando 153 andares e quase meio quilômetro de altura, a Oriental Pearl Tower exibe 470 metros de altura em formato exótico.

 

Na margem oposta do Rio Huangpu, o encanto da arquitetura colonial intocada do passado. Ali estão prédios como o da Alfândega e o Big-Beng tal e qual, o Hong Kong & Xangai Bank e o Peace Hotel, todas edificações emblemáticas da primeira metade do século 20.


A comparação entre as duas skylines é inevitável e remete às opções históricas de um povo em momentos diversos. Xangai é hoje a segunda maior da China, com quase 25 milhões de habitantes, ainda que, para os ocidentais, seja vendida como a primeira. O Império Celestial ou Império do Centro, que é como os chineses se chamavam e se reconhecem, está de volta. A China, nome pela qual a conhecemos, também. Tais visões, que evidenciam coisas distintas, dialogam ou conflitam, a partir de Xangai.

Xangai significa “acima do mar”. Mas em mandarim clássico, quer dizer “sequestro”. Explica-se. Ao longo do século 19, mais intensamente nas primeiras décadas, era frequente o desaparecimento de jovens chineses. Entorpecidos, acordavam a bordo de barcos. Destinos variados, principalmente para as Américas, o trabalho invariavelmente era escravo. Nos Estados Unidos, ajudaram a construir a Ferrovia Transcontinental; a Oeste do Canadá, a Ferrovia Canadense do Pacífico; no Peru, eram mandados às minas de prata; também serviam nas plantações de açúcar de Cuba e outras ilhas das Índias Ocidentais.

Inovação
A história de Xangai é a síntese da relação da China com países colonizadores, países vizinhos e com o mundo. Uma história de páginas dramáticas, que batizaram um “século das humilhações” (1839-1949), em que esse país continental se ajoelhou ao Ocidente e ao Japão. Foi a partir do fim da Segunda Guerra Mundial que os chineses voltaram a pensar o país em posição central no globo. É o início daquilo que em sua atual bibliografia histórica chamam de a era da “Inovação”, segundo exposição do Museu Nacional da China na Praça da Paz Celestial: trata-se do ocaso da dinastia Qing, com o surgimento dos movimentos nacionalistas, as guerras antinipônicas, a guerra civil e a ascensão de Mao Tse Tung e do Partido Comunista Chinês. Engloba e inclui-se a partir daí todo o esforço industrializante efetuado, em prejuízo de liberdades individuais e, em certo momento histórico, com os equívocos e absurdos cometidos pela Revolução Cultural.

É no entrelaçar das culturas que a beleza de Xangai revela a dramática história com alguns suspiros de deleite, como o Yu Yuan — o Jardim da Felicidade — um oásis na metrópole, de 1559 (dinastia Ming), em que a clássica arquitetura chinesa está entrecortada por lindos jardins e pontes em linhas tortas, protegidas por muros coroados por um curvilíneo dragão de quatro patas (não cinco, como o dragão imperial, para evitar a ira do imperador (BM)

Fica a dica

Como circular

O metrô é muito organizado e cobre os principais pontos turísticos. Prepare-se para interagir com um mar de pessoas, como jamais viu em transporte público. Táxis têm preços justos, mas a comunicação com os motoristas não é fácil

Visite

Carlos Barria/Reuters - 4/12/11

» O Bund, coração da cidade colonial, exibe símbolos do período em que foi dominada pelo Ocidente. 

» Museu de Xangai: com 120 mil peças, tem relíquias do neolítico à dinastia Qing, cobrindo cinco mil anos de história.

 

Mark Greening/Flickr
 

» Jardim Yu Yuan (Jardim da Felicidade) e Bazar: principais atrações da cidade antiga.

» Observatório do Shanghai World Financial Center: ao topo do 101º andar, com 492 metros de altura, apresenta espetacular vista aérea das duas margens do Rio Huangpu. Está encravado em uma infraestrutura urbana futurista, em que metrô, highways, shoppings e elevados de pedestre interagem com elegância.

 

» Pudong, margem do Rio Huangpu oposta ao Bund. Todas as edificações ali existentes – entre as quais três das mais altas torres do mundo – foram construídas depois de 1990. Em passeio de barco pelo rio, percorre-se, em uma hora, 16 quilômetros desse importante rio, com 110 quilômetros de extensão. A skyline futurista de Xangai pode ser apreciada. 

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