CHINA

Aberta a visitação, Cidade Proibida guarda os princípios do Império Chinês

O peso, a dor e a alegria de mais de 600 anos de história estão descritos na singular beleza de suas pontes, estátuas, edifícios e jardins distribuídos pelos 700 mil metros quadrados da Cidade Proibida

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postado em 04/06/2017 10:00 / atualizado em 08/06/2017 13:42

Teo Mascarenhas/Esp. CB/D.A Press

A China era o Império do Centro, oásis civilizatório, circundado por um mundo percebido como “bárbaro”. E a Cidade Proibida, o centro da China. A sua intransponibilidade representou muito mais do que a distinção entre nobreza e súditos, mas antes, exibiu todo o poder de um povo nunca conquistado por outra civilização.

Rodrigo Werneck/Esp. CB/D.A Press

Para construir o complexo da Cidade Proibida — o que ocorreu entre 1406 e 1420, durante a Dinastia Ming — foram empregados cerca de 500 mil trabalhadores. O material utilizado foi trazido de toda a China. As árvores utilizadas para as vigas demoraram quatro anos para chegar até Pequim. Foram produzidos cerca de 100 milhões de tijolos e 200 milhões de ladrilhos. Quase 15 anos de trabalho e aquele que foi o centro decisório pelos séculos seguintes – que inclusive testemunharia em 1912 o ocaso da monarquia e de seu último imperador, Pu Yi, da dinastia Qing — ergueu-se majestoso, capaz de abrigar 10 mil soldados perfilados. Nenhum esforço poderia ser considerado demasiado para construir a casa do imperador, o Filho do Céu. O peso, a dor e a alegria de mais de 600 anos de história estão descritos na singular beleza de suas pontes, estátuas, edifícios e jardins distribuídos por 700 mil metros quadrados.

Renato Galizian/Flickr

Foram nada menos que 24 imperadores. Em seus quase mil edifícios viveram serviçais, eunucos e concubinas, que serviam diretamente à família imperial. Cercado e protegido por uma muralha de 3,4m de extensão e 10m de altura, todo o complexo era guardado por uma segurança intensa, que servia para que a Cidade Proibida fizesse jus a seu nome, mantendo contrastante a divisão entre a realeza e a plebe: estava destinada aos nobres durante a dinastia Ming e aos manchus de alta procedência durante a dinastia Qing em contraposição aos Hans, a esmagadora maioria étnica do país.

 

Um poema chamado Guilin

Chen Tianhu/AP - 7/7/03

Inesquecível pelos vários picos de carste, que constroem impressionante paisagem ao longo do Rio Li — as formações se assemelham àquelas encontradas em Tam Coc, no Vietnã — ,a cidade de Guilin inspira poemas desde o século 6. Foi a capital da província de Guangxi durante toda a dinastia Ming, mas perdeu posteriormente seu posto para Nanning. Guilin significa “floresta de osmanto”. A planta, gênero botânico encontrado na Ásia, Nova Caledônia e na América do Norte, está por toda a região.

O ponto alto da visita está no cruzeiro que, ao longo de seis horas, serpenteia o Rio Li, cortando montanhas cársticas que saltam das margens com imponência de até 300m de altura. As paisagens mais belas estão próximas à vila Xingping: o lindo cenário das formações cársticas está estampado na nota de 20 renminbi (moeda local). Muito da tradição chinesa salta no percurso lento do barco: famílias agricultoras colhem arroz, florestas de bambu se misturam às montanhas, pescadores em suas jangadas utilizam a técnica de treinar aves para que elas peguem os peixes e depois sejam regurgitados na sacola da pesca. Utilizada há milênios, ela se torna cada vez menos comum.

Pedro Henrique Barreto/Esp. CB/D.A Press

Outra atração de Guilin é Qixing Gangyuan, o Parque das Sete Estrelas, que se estende por dois quilômetros às margens do Rio Li. Apenas no parque é possível encontrar mais de 100 espécies de macacos que habitam a vegetação cárstica. Entre as formações do parque, há a Caverna das Sete Estrelas, que se estende por mais de dois quilômetros abaixo da montanha Putuo e é considerada uma das mais belas da China.

As estrelas que conferem nome ao parque e à caverna se referem aos quatro picos da Montanha Putuo, em conjunto com os três da Montanha Crescente, que tem o formato da constelação Ursa Maior, que, segundo a crença chinesa, rege o futuro da nação. A Montanha Crescente é um espetáculo à parte, com seus 200 poemas e comentários entalhados em suas saliências. Alguns dos escritos remontam à Dinastia Tang (618-907). (Colaborou Marina Sanchez)

 

Não deixe de ver

Ponte das virtudes

Kristian Golding/Flickr

Logo na entrada da Cidade Proibida, há um canal de água sobre o qual passam cinco pontes, cada uma representando uma das virtudes que a filosofia confucionista prega aos seus seguidores: o amor ao próximo; o senso de justiça; o cumprimento adequado das regras de conduta; a consciência da vontade dos “céus”; e o cultivo da sabedoria e da sinceridade desinteressadas. A água também foi prezada pelos arquitetos para que a energia positiva escorra por suas margens e seu Chi circule por toda a área. Atravessando a ponte, é possível ver a Porta da Suprema Harmonia, protegida por um casal de poderosos leões chineses: o macho com uma bola sobre a pata, agarrando-a com suas mortíferas garras de bronze, atitude que deveria representar a união do mundo; a fêmea guarda seu filhote de forma solene, mas nem por isso menos feroz e aterrorizante. Eles se erguem altos perante o portal, analisando de cima todos que por ali se atrevem a passar. (BM)

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