Mulheres que viajaram só com uma mochila nas costas contam experiências

Ouvimos relatos de mulheres de diferentes idades, gostos e desejos que se aventuraram sem companhia. O que todas têm em comum é a deliciosa sensação de se sentirem livres e seguras das suas escolhas

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postado em 09/06/2017 10:00 / atualizado em 07/06/2017 18:11

Arquivo pessoal


A melhor viagem 

“A princípio, a ideia não era viajar sozinha. Pois uma amiga me avisou de uma promoção de passagens para Ásia, só que ela não conseguiu comprar e eu fui “forçada” a ir sozinha. Mas, depois que comecei a pesquisar sobre mochilão na Ásia, não tive dúvidas de que seria a melhor experiência da minha vida, na melhor companhia: a minha. Pedi 40 dias de férias no trabalho e embarquei na aventura. Viajei em 2015/2016 para Austrália, Indonésia, Tailândia, Filipinas e Singapura. Viajar sozinha é a experiência mais enriquecedora que alguém pode ter. A liberdade de estar sozinha em um lugar desconhecido permitiu me movimentar, me descobrir, me reinventar, e principalmente, me superar. Não tenham medo. Viajar sozinha para qualquer lugar também permite que você faça a melhor viagem de sua vida, uma viagem interna. Saber que você é capaz sim, de encarar seus medos e superar suas expectativas, é algo impagável. São sentimentos que só nós podemos nos proporcionar, ninguém pode fazer isso por nós. 


Arquivo pessoal


Arrisque-se! Vá! Descubra! Não deixe para depois. Desconectar-se  da rotina e de alguns costumes para conseguir enxergar com novos olhos o desconhecido. Ver coisas, pessoas e histórias que até então não faziam parte do mundo e que a partir de agora fazem parte da minha história e vida! Cada local com suas histórias, seu povo e os momentos que vivi estarão para sempre em meu coração. O sentimento é de gratidão, felicidade plena e saudade!” 

Letícia Lenzi, funcionária pública, 27 anos

 

Sonho de desbravar o mundo

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“Meu sonho era ser uma jornalista que também viajava por aí mostrando os lugares maravilhosos que o nosso mundo possui. Eu tinha 12 anos quando despertei para o mundo das viagens, momento em que comecei a estudar inglês para poder me comunicar-me melhor. Comecei a viajar sozinha depois que conheci a comunidade Couchsurfing (www.couchsurfing.com),  de intercâmbio cultural mediante as viagens. Porém, na minha primeira viagem não utilizei a ferramenta. Fui para o Rio de Janeiro sozinha e fiquei uma semana dormindo em barraca em um hostel. Experiência que adorei e quis repetir mais vezes. Eu queria desbravar o mundo. Como não realizei o sonho de ser jornalista de aventura, me tornei professora de inglês e posteriormente funcionária pública.

Depois de me tornar financeiramente independente, resolvi nunca mais tirar a mochila das costas. Conheci um esporte maravilhoso que se chama trekking por meio do grupo Trekking Brasília no Facebook (www.facebook.com/trekkingbsb) e já viajei para vários lugares fazendo trilhas.

Tenho o projeto Trilhas Pelo mundo, que visa percorrer as trilhas clássicas do mundo em 5 anos (total de 53). Já fiz inúmeras travessias pelo Brasil, incluindo a considerada mais difícil, a Serra Fina; a volta completa da Ilha Grande em 4 dias; a Serra da Canastra; a Ponta da Juatinga; a Serra do Caparaó; a Travessia das Sete Quedas, entre outras. Também já subi 7 dos 10 picos mais altos do Brasil em 2016. Semana que vem subirei mais um, o pico das Agulhas Negras. Em Julho farei a Travessia Salkantay no Peru (Machu Picchu). Em Agosto, farei o Tour du Mont Blanc sozinha: 170 km passando pela Itália, França e Suíça. Logo após, farei as Dolomitas, também na Itália, por 90 km. A paixão foi tão grande que visitei muitos lugares e algumas pessoas começaram a me pedir dicas. Assim surgiu minha página no Facebook Mochila Insana (www.facebook.com/mochilainsana), onde passo várias dicas e conto histórias sobre as viagens que faço, especialmente as que envolvem Trekking.”

Jussiara Lopes, funcionária pública, 26 anos  

 

Peregrina e paciente

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“Em 2012, fiz a trilha de Salkantay (Peru) a pé, até Machu Picchu, em 5 dias de acampamento com duas amigas. No fim da caminhada, disse a elas  que  no próximo ano faria o Caminho Francês de Santiago de Compostela, com os seus 800 quilômetros, a pé. Foi nesse momento, do nada, que resolvi peregrinar na Espanha. Cheguei em Brasília e já comecei a caminhar todos os dias, peguei firme na musculação e em 01 de maio de 2013, parti para Madrid/Pamplona/Roncesvalles, de onde iniciei a caminhada de 770km, a pé, até Santiago de Compostela em 32 dias ininterruptos. 

Foram dias inesquecíveis, conheci pessoas fantásticas, de todas as nacionalidades, culturas, crenças e classes sociais, que procuram o Caminho como forma de reflexão e aprendizado. Não falar ou entender a língua deles não se constitui problema porque a linguagem no Caminho é universal. Todos se entendem e a solidariedade e a gentileza são uma constante . Fazem com que você nunca se sinta sozinha. 

A minha principal experiência ao percorrer o Caminho de Santiago de Compostela é o desapego. Aprendi a não segurar sentimentos, a não segurar emoções, a não segurar coisas, a não segurar pessoas, enfim, aprendi a não segurar nada! Caminhar sozinho permite ao peregrino conhecer mais sobre si mesmo e a resgatar lembranças quase apagadas da memória. Aprendi também que o Caminho é um grande exercício de  paciência! Percorro o Caminho em seus 800 km ou menos, (porque você pode iniciar a caminhada de onde quiser ou por etapas) pelo prazer de estar lá, pela energia boa dos Albergues, sempre lotados de peregrinos de todas as nacionalidades e pelo prazer de estar sozinha no mundo por minha conta e risco. 

Ouvi de um padre em Rabanal Del Camiño a seguinte frase, que traduz o que eu gostaria de deixar como principal lição para aqueles que desejam um dia fazer essa peregrinação: “No Caminho de Santiago de Compostela, você sabe exatamente onde está e na presença de quem você está”.

Odete Maria Fernandes, procuradora federal, 67 anos   

 

Inspire-se
Em Hollywood, as mulheres também procuram sua independência e desejam viajar sozinhas. No filme Wild (Livre) conheça a aventureira Cherly Strayed que decide recomeçar sua vida percorrendo uma trilha que corta os EUA, indo da fronteira do México até a fronteira do Canadá. No longa metragem podemos viver com a personagem os dramas e as deliciosas vitórias por ela enfrentada nesse percurso de conhecimento pessoal.
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Si
Si - 13 de Outubro às 13:22
Muito bom!