MARROCOS

Descubra Fez, a cidade marroquina que possui um labirinto medieval

Patrimônio Mundial da Unesco, o local é cercado de muralhas por um perímetro de oito quilômetros, além de ser uma das mais importantes cidades do mundo árabe, criada pelo fundador do país

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postado em 20/06/2017 10:00 / atualizado em 21/06/2017 18:30

David Curry/Flickr

As muralhas protegem, ao longo de um perímetro de oito quilômetros, a história daquela que foi um dia a imperial Fez. As origens do nome dividem estudiosos. Para alguns, deriva da denominação bérbere Fazaz, em referência às montanhas da Cordilheira do Atlas Médio. Outras histórias remetem ao conto de um machado dourado —  em árabe, Fez significa machado — que teria dividido o rio ao meio. Explica-se. Esta que foi uma das mais importantes cidades medievais do mundo árabe nasceu no ano de 789 por obra do Mulai Idris Ibn Abdallah, considerado o fundador do Marrocos moderno, à margem direita.

 

Para ali acorreram famílias de refugiados de Córdoba, na Espanha. Duas décadas depois, o seu filho e herdeiro Mulai Idris II, nascido dois meses após a morte do pai, estabeleceu a nova capital à margem esquerda, para onde refugiaram-se famílias das insurreições no califado de Kairouan, moderna Tunísia. Viveram os dois flancos do rio Fez em longa disputa, até que as leis do domínio Almorávida chegaram em 1070 unificando Fez El-Bali.

 

DEave Morris/Flickr

Muros erguidos, o aglomerado urbano fortificado, hoje inscrito sob o patrimônio mundial da Unesco, ganhou a forma e o contorno que acolhe e resguarda a espetacular medina. Fez estava fincada nas rotas de caravanas que ligavam impérios saarianos, como o de Timbuktu, às margens do rio Níger, com o Atlântico e o Mediterrâneo: sal das minas do Saara era trocado por ouro, escravos e o florescente mercado artesanal de roupas e escudos em couro que emergia dos curtumes. A medina transformara-se por volta do início do século 12 na maior do mundo, com uma diversificada população de 200 mil pessoas.

 

Quando Fez caiu sob o domínio dos Merínidas, em 1250, tornou-se a sua capital. A “nova” cidade, Fez el-Jdid, foi edificada com ruas mais amplas, jardins e centros administrativos, tornando-se polo cultural e intelectual, onde se insinuou o estilo arquitetônico que mesclava as tradições andaluz, almóvada e africana.

 

Vince Millett/Flickr

Do alto da colina em que repousam as ruínas dos túmulos merínidas, abrem-se as melhores perspectivas do coração desse aglomerado urbano árabe multicultural e diverso. Tem o formato de uma bacia funda em seus acentuados declives e aclives. O minarete da Kairaouine, mais sagrada mesquita do Marrocos e também mais antiga universidade do mundo, fundada pela imigrante tunisiana Fátima Fihriyya no ano de 857, reina, com a autoridade de seu testemunho milenar, sobre um emaranhado de telhados e construções empilhadas em estreitos labirintos.

 

Tem como vizinha a lendária e igualmente mais velha escola corânica do mundo árabe-islâmico: a madrassa Bou Inania, construída no século 14 pelo sultão Abou Inan.

 

Intimidade
A sociedade medieval árabe ganha vida ao cruzar a majestosa porta Bab Boujeloud, a mais bela entre 14 entradas, obra de arte em mosaico azul, cujo tom, visto do interior da medina, transmuta-se em verde revelando a cor do islã. Odores e barulhos se misturam aos sons da língua que escapa emocionada das ruelas, becos e passagens minúsculas. Bicicletas, burricos e transeuntes apressados se esbarram em portas entreabertas, que revelam, na intimidade e mistério das famílias, belos e iluminados pátios.

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