ARRAIAL

Banho de São João: a tradicional festa junina de Corumbá

Conheça um dos principais festejos do Mato Grosso do Sul que é marcado por muita fé, gastronomia e diversão

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postado em 29/06/2017 19:00 / atualizado em 30/06/2017 14:46

Lucianna Rodrigues/Esp.CB/D.A Press
 
Engana-se quem pensa que festa junina é igual em todos os lugares. Cada cantinho tem sua particularidade e um jeito único de celebrar o nascimento do profeta João Batista, São João. Em Corumbá (MS) não é diferente. A festa é aguardada por devotos e religiosos que esperam ansiosamente o dia 23 de junho para banhar seus santos nas águas do Rio Paraguai.

Para entender um pouco mais dessa festividade é preciso conhecer alguns detalhes: os andores, a ligação com o santo e a importância do Rio Paraguai. Os festeiros, como são chamados os religiosos que participam da cerimônia, fabricam andores - estrutura ornamentada e preparada para receber a imagem do santo- que são lavados nas águas do rio. 

A festa é envolvida por muita fé e o que leva esses festeiros a realizarem esse ritual é o cumprimento das promessas feitas a São João. Banhar o santo nas águas do rio Paraguai remete ao batismo de Jesus feito por João Batista nas águas do Rio Jordão. Existem promessas que duram a vida toda, outras alguns anos, mas o que realmente importa é cultivar a tradição, alimentar a fé e não deixar o momento passar em branco. 
Gustavo Messina/Reprodução
A festividade começa depois das 18 horas do dia 23. Os festeiros descem a Ladeira Cunha e Cruz que dá acesso ao rio. A celebração começa no caminho, muitos aproveitam a descida para passar por baixo dos andores - segundo a tradição, que, fizer isso 7 vezes se casará no próximo ano- e acaba com a lavagem do santo nas águas do rio. Não se sabe ao certo há quanto tempo existe esse ritual, mas os festeiros mais antigos contam que já praticam a cerimônia há mais de 50 anos. 

Para incentivar ainda mais a prática, há um concurso anual para escolher o andor mais bonito da cidade. Os três primeiros colocados são premiados com uma quantia em dinheiro. A avaliação por jurados é realizada no dia 22 de junho, antes do dia principal, e revelada no mesmo dia. De maneira que o andor vencedor tem dois motivos para celebrar no dia 23: a vitória e o dia de São João.

 

As diversas influências na colonização de Corumbá  revela a mistura do cristianismo e catolicismo com as religiões de matrizes negras africanas, como o umbandismo e o candomblé. Por isso, celebra-se a presença do João, católico, e de Xangô na festividade.

 
Gustavo Messina/Reprodução
O Arraial do Banho de São João está em processo de análise para ser registrado como patrimônio imaterial nacional, tendo em vista que a festa já possui proteção estadual. O Iphan, órgão responsável pelo registro, informou que no próximo ano o processo será finalizado. De acordo com José Augusto dos Santos, membro do Iphan há a burocracia que precisa ser respeitada e que em breve os corumbaenses terão uma resposta definitiva “Nós acreditamos que o ano que vem será o último desse estudo, porque o que está faltando é a redação de um dossiê e a produção de um vídeo. Isso é entregue para um conselho final em Brasília que julgará se o evento tem pertinência para ser um bem nacional”, afirma ele. 

A prefeitura contabilizou a participação de 106 grupos de devotos que fizeram seus andores e participaram da cerimônia. Além disso, o público total registrado nesse ano foi de 51 mil pessoas. 

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