EGITO

Tebas, a capital das 100 portas, surpreende pelas construções imponentes

O templo de Luxor, dedicado a Amon, mostra toda a grandiosidade egípcia com as suas monumentais esfinges. Um marco do esplendor da civilização

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postado em 03/07/2017 10:00 / atualizado em 12/07/2017 18:11

Rickr/Flickr


As esfinges guardam enfileiradas os dois flancos da avenida monumental, que desliza até o portal colossal do Templo de Luxor. Há mais de três milênios, nessa via estendida ao longo de três quilômetros até o Templo de Karnak, era celebrado anualmente o Festival de Opet. Imagens da tríade divina — Amon, a consorte Mut e o filho Khonsu — eram transportadas em longa procissão pela margem oriental do Rio Nilo, sob o olhar arguto do exército de possivelmente mais de 1 mil estátuas em corpo de leão e face humana. Em referência a essa celebração sagrada, o antigo nome do Templo de Luxor era Ipep-Resit — Santuário do Sul. Uma vez no templo, Amon, deus da legendária Tebas, hoje Luxor, se transformava magicamente em Min, divindade da fertilidade.


Em Tebas, capital das 100 portas como chamavam-na os gregos, o Templo de Luxor era dedicado a Amon e à essência vital (o ka) do rei egípcio, que, nessa teocracia, representava o divino em terra. Foi o testemunho do esplendor e a decadência da civilização egípcia. A sua construção se deu entre os reinos de Amenhotep III e Ramsés II, o Grande, ambos durante o período do Império Novo, entre 1500 e 1200 a.C. Outros reis, em diferentes momentos históricos, inclusive Hatshepsut, Tutancâmon e o macedônio Alexandre, o Grande, adicionaram-lhe elementos decorativos. Mas a conclusão da obra foi empurrada por milênios. Por isso, o Templo de Luxor é o único monumento do mundo que carrega marcas do período faraônico, greco-romano, copta e islâmico, deste, a Mesquita Abu al-Haggag, do século 14.

A decadência de Tebas iniciou-se por volta do século 5 a.C, com o saque de Assurbanipal, o último grande rei da Assíria. Mas o processo de degradação se arrastou pelos séculos seguintes e intensificou-se após a conquista do Egito por Alexandre, o Grande, que dali expulsou os persas e fundou, no delta do Nilo, aquela que viria a ser Alexandria, a nova capital. Os novos soberanos que se assentaram sobre essa espetacular civilização acreditavam que, com o abandono de Tebas, a degradação da velha capital representaria, simbolicamente, o abatimento moral sobre o movimento nacionalista. Quando conquistada pelos romanos, nos primeiros séculos depois de Cristo, Tebas, um dia gloriosa, havia se transformado em um oceano de ruínas, em torno das quais comunidades cristãs coptas se instalaram, transformando antigos templos em igrejas. E mais tarde, sob a dominação árabe, em mesquitas.

Xavi/Flickr


Coberto pelas areias do deserto, em 1835, o vice-rei do Egito, o mesmo que doou a agulha de Cleópatra aos ingleses, providenciou um último “saque” a Tebas: ofereceu aos franceses um dos obeliscos de 25 metros de altura, que, alinhado à peça “gêmea”, enfeitava a entrada do Templo de Luxor. Com seus 3.400 anos, essa obra de Ramsés II, que traz ao mundo relatos da batalha de Kadesh, está fincada no coração de Paris, na Place de La Concorde, local onde, ao fim do século 18, da guilhotina saltaram milhares de cabeças, inclusive as reais.

Apesar dos reveses da história, o passado grandioso de Tebas sobreviveu no Templo de Luxor. E Ramsés, o Grande, dele salta em sua grandeza. À entrada do pilono, portal monumental com 24 metros de altura e 65 de extensão, duas estátuas colossais do soberano talhadas em granito desafiam o tempo e saúdam as passagens dos milênios. Em frente delas, o obelisco remanescente ainda tem histórias a relatar sobre esse faraó, que, para além das histórias sobre a guerra contra os hititas, entre 1279 e 1213 a.C, legou um dos mais longos e bem-sucedidos reinados ao seu povo, feitos imortalizados em suas obras e uma história de amor à sua rainha, Nefertite.
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