Turismo

Saiba como não sair prejudicado com a suspensão da emissão de passaportes

Congresso Nacional deve votar na próxima segunda feira projeto de lei que prevê a reserva de R$ 102,4 milhões para que a Polícia Federal restabeleça o serviço de expedição do documento, suspenso desde 27 de junho

Álef Calado - Especial para o Correio

O agendamento pela internet para a emissão do documento continua funcionando

As férias de julho são a ocasião perfeita para reunir a família e tirar alguns dias de descanso. É a oportunidade de levar as crianças para visitar aquele parente no exterior ou, quem sabe, conhecer as novas atrações de um parque temático fora do país. Infelizmente, quem está se organizando há bastante tempo, mas deixou para tirar os passaportes em cima da hora vai ter que adiar a viagem por causa da suspensão da emissão do documento de viagem. A decisão afeta as solicitações feitas a partir das 22h de 27 de junho.


Segundo a Polícia Federal, o gasto com esse tema atingiu o limite do orçamento, mesmo com a taxa de R$ 257,25 paga por cada documento. A normalização da situação orçamentária poderá chegar ao fim nesta segunda-feira (17/7) com a votação no Congresso Nacional do projeto de lei que prevê a destinação de R$ 102,4 milhões para a emissão dos passaportes. Mesmo com a suspensão, o agendamento pela internet para a emissão do documento e o atendimento nos postos de todo o país continuam funcionando normalmente, mas não haverá previsão de data de entrega.


A gastrônoma Bell Vilanova, 31 anos, se preparava para conhecer os Estados Unidos, acompanhada da namorada e da sogra. “A gente ia visitar meu cunhado, que mora em Los Angeles. Como nunca saí do país, precisei dar entrada em todos os papéis e solicitar o visto na Embaixada dos Estados Unidos. Estava com o dinheiro em mãos para pagar o passaporte quando fiquei sabendo da suspensão”, conta. Com a decisão da PF, ela precisou cancelar a viagem. “Minha namorada, que está com tudo em dia, acabou desistindo e minha sogra está analisando se realmente vale a pena ir sozinha. Pensamos em adiar para o fim do ano, mas como não deram um prazo para a normalização da situação, estamos meio apreensivas”, admite.

Bell Vilanova cancelou viagem aos Estados Unidos, onde visitaria o cunhado


Para Rodrigo Loiola, gerente comercial da agência de intercâmbio Global Study, a suspensão traz muito prejuízo. “Uma viagem desse porte envolve grandes investimentos em cursos e outras aquisições que o turista acaba fazendo no país de destino. Isso sem falar das pessoas que estão indo para fora realizar sonhos e acabam abrindo mão de empregos e outras oportunidades no Brasil. Muitos acabam desistindo do processo pela incerteza de quando poderão realizar a viagem”, explica.

Para quem não tem muita pressa, a sugestão é adiar os planos e aguardar uma solução. “Como a gente não trabalha com viagens tão imediatas porque tem todo o processo com a instituição de ensino lá fora, conseguimos organizar as datas de quem podia receber o documento (usuários atendidos nos postos de emissão até 27 de junho). Os outros clientes estão na expectativa do restabelecimento completo do serviço. Mas, se a suspensão da emissão continuar por mais 15 ou 20 dias, o prejuízo, certamente, vai ser grande”, diz.

* Estagiário sob supervisão de Ana Sá


Não paga multa
Os passageiros prejudicados pela suspensão da emissão de passaportes poderão alterar ou cancelar passagens aéreas sem o pagamento de multas ou outros tipos de taxa. Na Latam, quem tiver bilhetes marcados para voos até 28 de julho poderá atrasar a viagem em até 30 dias, escolher outra data ou destino (pagando a diferença no valor, se houver) ou pedir reembolso. Clientes da Gol terão que comprovar agendamento na Polícia Federal antes da data da viagem e podem alterar as passagens pelo site ou pelo telefone 0800-704-0465. Já as companhias Avianca e Azul anunciaram que vão avaliar cada caso individualmente.

Alternativa de emergência
Quem necessita viajar por motivo de saúde (do requerente, do cônjuge ou de parente em até segundo grau), para proteção de patrimônio, por necessidade de trabalho, por motivo de ajuda humanitária ou por interesse da Administração Pública poderá recorrer ao passaporte de emergência, cuja emissão não foi suspensa. Esse tipo de documento tem validade de um ano, requer o pagamento de taxa de R$ 334,42 e não é aceito em alguns países. A solicitação pode ser feita no site da Polícia Federal (www.pf.gov.br).

RG na mão
Quem estava se organizando para conhecer a América do Sul não será afetado pela suspensão. Desde 2008, os turistas de países que fazem parte do Mercosul não precisam de passaporte nem de visto para transitar entre as nações; basta apresentar o documento de identidade (RG) com foto atual. Vale ressaltar que, neste caso, a Carteira Nacional de Habilitação não é aceita e que outro documento com foto pode ser solicitado. Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai fazem parte do bloco.