A CAPITAL DA GASTRONOMIA

Passeie por BH e aproveite para conhecer as famosas iguarias mineiras

Do clássico pão de queijo aos refinados presuntos artesanais e vinhos tintos, a culinária mineira esconde delícias que vão agradar até aos paladares mais exigentes

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postado em 21/07/2017 10:00 / atualizado em 19/07/2017 17:07

Roberto Castro/MTur

Depois de ver tanta coisa legal, sempre bate aquela fominha. Para tirar a barriga da miséria, nada melhor do que provar as iguarias da culinária local. Frango com quiabo, leitão à pururuca, bolinho de mandioca frito, tutu com lombo de porco e feijão-tropeiro são apenas algumas das delícias que compõem a farta mesa mineira na hora do almoço. Se sobrar espaço para um doce, as famosas compotas de frutas e o clássico doce de leite merecem uma chance de agradar até a quem está tentando se manter na dieta. É quase impossível passar por Minas Gerais sem provar alguns dos pratos típicos do estado.


Para o turista que não abre mão de um bom passeio e quer conhecer de perto todas as iguarias da cidade, uma visita ao Mercado Central de Belo Horizonte é indispensável. Criado em 1929 e administrado pela prefeitura até 1964 (quando o prefeito da época, Jorge Carone, resolveu que não era mais viável manter o local e vendeu o terreno para um grupo de comerciantes), o espaço é referência em BH e o único mercado privado do Brasil.

Hoje, as cerca de 400 lojas vendem os mais variados tipos de produtos e recebem de 30 a 40 mil pessoas por dia, que, por sua vez, compram aproximadamente 300 toneladas de queijo por semana; mais do que é vendido no estado inteiro. Uma das bancas responsáveis pelo número astronômico é a Roça Capital, armazém de queijos artesanais que fabrica e vende o segundo melhor queijo do mundo. "Em visita ao Mercado Central, há mais ou menos três anos, percebi que os laticínios vendidos aqui não eram os originais da Serra da Canastra. Então, decidi trazer os produtos do interior de Minas Gerais e, com o sucesso, acabei buscando produtos de outras regiões também", explica o empresário Guilherme Vieira, proprietário do negócio.

 

E que tal uma goiabada para comer com esse queijo? Aproveite a visita para conhecer uma das centenas de lojas de doces espalhadas pelo mercadão. Doce de leite, ambrosia, pé de moleque, doce de abóbora com coco e outras delícias mineiras estão só esperando uma chance de deixar o seu passeio ainda mais agradável. Se a fome bater, a recomendação é quase unânime: experimente um dos pães de queijo da Dona Diva Café & Quitandas. Para acompanhar, nada melhor do que um suco de limão bem gelado da Tradicional Limonada, que mata a sede dos visitantes desde 1938.

Roberto Castro/MTur

Quem não vai dirigir e prefere uma bebida um pouco mais forte pode se aventurar em uma das lojas que vende a nacionalmente famosa cachaça mineira. Mais de 900 rótulos de todos os sabores e valores estão disponíveis para o deleite daqueles que não abrem mão de uma boa aguardente. Agora, se você quer ficar só na cervejinha, um dos funcionários dos vários botecos espalhados pelo Mercado ficará feliz em manter o seu copo cheio. Mas, antes, um aviso: não se sinta ofendido se ninguém te convidar para sentar; é um costume local beber em pé.

 

Também é normal os garçons subirem nos balcões e começarem a gritar atrás de clientes. Se você conseguir chegar ao fim do passeio sem ceder a tantas tentações e preferir se manter na dieta, pedaços docinhos de ananás te esperam na Esquina do Abacaxi. Frutas frescas e secas, especiarias, temperos, peixes, carnes exóticas e grãos também podem ser encontrados aos montes.

Roberto Castro/MTur

Reconhecimento francês
Em 2015, uma francesa que visitava a loja gostou tanto do queijo produzido na Serra da Canastra que levou o produto para a França e o inscreveu em um concurso mundial de laticínios. O alimento acabou ficando com o segundo lugar.

 

Cantinho histórico

Para quem não gosta muito de muvuca e prefere comer com tranquilidade, uma passada no restaurante Dona Lucinha, a apenas 4km do centro, é uma boa opção. Além de forrar o estômago com as delícias da casa — não deixe de experimentar a costelinha com molho de rapadura e o caldo de feijão —, a visita é uma verdadeira aula de história. Entre um prato e outro, a filha da própria dona Lucinha, Márcia Clementino Nunes, que administra o local com a ajuda da mãe e recebe os clientes na maior simpatia, conta, em detalhes, a história da terra do pão de queijo.

Roberto Castro/MTur
 

Em funcionamento há mais de 27 anos, a arquitetura do restaurante também remete à história local. O teto é todo revestido de taquara, planta encontrada com abundância no estado que pode alcançar até 40 metros de altura. Nos locais que não receberam a gramínea, um painel relembra toda a trajetória de Minas Gerais, passando pelo momento em que os bandeirantes entraram na região em busca de pepitas de ouro, até o cultivo do café e a produção em larga escala de queijo.

Paladar aguçado

E que tal aproveitar a viagem para aprender a harmonizar bebidas e comidas? Na capital do queijo, quem entende (e muito bem) de presunto é o empresário Carlos Chiari. Depois de 25 anos defendendo uma grande empresa do ramo alimentício, ele decidiu que não queria mais trabalhar como advogado e resolveu abrir a própria salumeria. Com muita paciência — alguns presuntos demoram mais de um ano para ficarem prontos — e rigor — o controle da produção segue técnicas italianas adaptadas pelo próprio dono em anos de pesquisa —, o senhor Chiari, como é conhecido na região, produz os mais variados tipos de presunto. Para quem tem o paladar aguçado e não abre mão de uma boa experiência gastronômica, ele promove encontros de degustação harmonizada com os produtos embutidos e cervejas e vinhos artesanais.

Roberto Castro/MTur

Durante a visita, o Turismo pôde experimentar dois tipos de harmonização: por contraste, com um presunto muito temperado, como o speck, que traz 12 especiarias na composição, e um vinho suave, como o Chardonnay; e por corte, com um presunto mais forte, como o capocollo, de sabor intenso, e um vinho mais delicado, como o Sauvignon Blanc. As bebidas são produzidas pela vinícola Casa Geraldo, localizada em Andradas, próximo a Poços de Caldas. Para fazer o roteiro, é necessário juntar grupos de oito a 30 pessoas. Outra opção interessante é o Wäls Gastropub, bar contemporâneo na região da Savassi, cujo cardápio traz tábuas harmonizadas que misturam iguarias produzidas na região, como o queijo caprese, com cervejas artesanais da marca mineira Wäls. Durante a visita, é possível conhecer os tipos de bebida produzidos pela cervejaria enquanto se assiste a apresentações ao vivo de jazz e blues.

 

Horário de funcionamento

Mercado Central de Belo Horizonte
» De segunda a sábado, das 7h às 18h; domingos e feriados, das 7h às 13h.
» Mais informações: www.mercadocentral.com.br ou (31) 3277-4691.

Restaurante Dona Lucinha
» De segunda a sexta, das 12h às 15h e das 19h às 23h; sábado, das 12h às 16h e das 19h às 23h; domingo, das 12h às 17h.
» Mais informações: www.donalucinha.com.br ou (31) 3261-5930.

Fazenda e Salumeria Chiari
» Os horários variam com a disponibilidade do visitante e a agenda de eventos da casa.
» Mais informações: www.grupochiari.com.br ou (31) 3427-1006.

Wäls Gastropub

» De segunda a quarta, das 11h30 à 0h; quinta, das 11h30 à 1h; sexta, das 11h30 às 2h; sábado e véspera de feriado, das 12h às 2h; domingo, das 12h às 22h.
» Mais informações: www.walsgastropub.com.br ou (31) 3582-5628.

 

* O estagiário, sob a supervisão de Ana Paula Lisboa, viajou a convite do Ministério do Turismo.  

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