BAHIA

Doçuras à beira-mar: cidade baiana se destaca pela fabricação de chocolates

A produção do cacau destaca a cidade de Ilhéus como referência nacional na produção de chocolate. Visitantes podem fazer tours por fazendas que trabalham com o fruto e conhecer o processo

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postado em 06/08/2017 10:00 / atualizado em 07/08/2017 13:51

Ana Lee/Festival Internacional do Chocolate e Cacau


Quando você pensa na fabricação de chocolate, qual a primeira cidade brasileira que vem à sua cabeça? Muitos devem pensar, quase que instantaneamente, na charmosa, pacata e extremamente fria Gramado, na serra gaúcha, Rio Grande do Sul. O que pouca gente sabe é que vem de um estado bem mais quente, há quase 3 mil km da terra do chimarrão, mais de 70% da principal matéria prima para a fabricação do doce.


O clima agradável e o solo fértil foram essenciais para que o cultivo do cacau se estabelecesse extremamente bem no litoral sul da Bahia. Segundo dados da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), no ano passado, das 146,9 mil toneladas do fruto produzidas no Brasil, 101,3 mil cresceram em lavouras na região baiana. Um dos pontos cacaueiros mais importantes do estado é a cidade turística de Ilhéus, onde o fruto desembarcou em meados dos anos 40 e faz parte da história do município.

Quase tão bom quanto degustar os chocolates ilheenses é conhecer, de pertinho, a fabricação da guloseima. Para isso, grande parte das fazendas responsáveis pela colheita do cacau montam programações especiais para visitantes. Mas antes, um aviso: ainda no hotel, certifique-se de estar com tênis confortáveis, preparado para pisar na lama, e de levar repelente, protetor solar e um boné; itens quase obrigatórios para sobreviver nas plantações.

Um dos destinos mais procurados é a Fazenda Yrerê, na Rodovia Jorge Amado. Quem recepciona os turistas é a Amora, uma Fox Paulistinha extremamente dócil que faz questão de um cafuné. Com mais de 200 anos de história —  140, só de plantio de cacau — o rancho é uma antiga sesmaria doada aos primeiros donos pela coroa portuguesa. Antes do fruto, a principal atividade comercial do local era a extração de madeira; então, o visitante encontra exemplares de praticamente todas as espécies de árvores.

Ana Lee/Festival Internacional do Chocolate e Cacau


Na hora de conhecer a plantação, além da Amora, quem acompanha os visitantes é o fazendeiro Gérson Marques, proprietário do local. Explicações sobre o plantio e a extração do cacau, assim como histórias da fazenda e a prova in natura do fruto fazem parte do tour. Saindo do mato, conhecemos a barcaça, onde os grãos de cacau secam ao sol.

Subindo de volta para a sede, um local que encanta pelos detalhes e chama a atenção pela beleza, o melhor momento do passeio: a degustação. Não deixe de experimentar o incrível bolo de chocolate caseiro da dona Dadá. Para acompanhar, jarras do mais puro suco de cacau, uma iguaria deliciosa da região. Tanto a amêndoa quanto o nibs — pedaços tostados do grão — e até mesmo alguns chocolates fabricados com o fruto de Yrerê também estão disponíveis para degustação.

Cuidado com a Santa!
Quando Gerson e Dadá resolveram investir no potencial histórico do sítio, eles optaram por mudar o nome da fazenda, que se chamava Nossa Senhora de Fátima. Com medo de irritar a Santa, eles chamaram uma mãe de santo para fazer um trabalho diplomático e garantir que estava tudo bem.

 

Sombra, água fresca e comida inigualável

 

 

Álef Calado/Esp.CB/D.A  Press


Outra oportunidade de reviver o tempo dos barões de cacau é dar uma passada na Fazenda Provisão, no km 27 da rodovia que liga Ilhéus a Uruçuca. Localizada às margens do Rio Almada, a propriedade possui um conjunto arquitetônico incrível e é um verdadeiro mergulho na história local. Além de conhecer as plantações de cacau, o visitante tem a oportunidade de visitar uma capela construída no século 20 e as instalações utilizadas para o enriquecimento do fruto. A casa-sede é um espetáculo à parte: construída nos anos 70, em estilo colonial, ela mantém os móveis e utensílios da época em que o Coronel Domingos Adamis de Sá, primeiro prefeito de Ilhéus e proprietário original da Provisão, morava lá com a família.

Depois de conhecer tudo, o visitante pode entrar em contato direto com a fauna e flora da Mata Atlântica, por meio de trilhas guiadas. Quem quiser, pode prolongar a visita se hospedando na casa para visitantes e experimentando algumas das refeições servidas na fazenda.

Álef Calado/Esp.CB/D.A  Press


Depois de uma manhã de tanto chocolate, nada melhor do que passar a tarde aproveitando as maravilhas ilheenses. Uma delas, sem sombra de dúvidas, é a pousada Morro dos Navegantes, localizada no km 6 da rodovia que liga o município praiano à cidade de Olivença. Com um acesso relativamente restrito à Praia do Cururupe, piscina com hidromassagem e uma vista espetacular da costa baiana, o local é um verdadeiro pedacinho do paraíso.

Mesmo que você não fique hospedado, pode parar lá só para dar uma descansada e conhecer os encantos do Morro. A permissão vem da proprietária do local, a professora e chef de cozinha Dani Façanha. No comando do Morro há mais de 20 anos — desde que o marido comprou o terreno para morar e viu o potencial hoteleiro do espaço —, é ela quem assina todos os pratos do Restaurante dos Navegantes, que atende tanto aos hóspedes quanto a quem vai conhecer os encantos do local.

Álef Calado/Esp.CB/D.A  Press

Quitutes

Antes de pedir uma das opções do menu, recomendamos que experimente o Bellini Baiano, uma adaptação do coquetel italiano que leva mel de cacau no lugar do suco de pêssego. A doçura do néctar do fruto cai muito bem com a acidez do prosecco. Para a entrada, considere pedir a couver da casa: queijo coalho grelhado e compota de frutas vermelhas, dadinho de tapioca, geleia de cupuaçu e mussarela de búfala no pesto acompanhado com chips. O mini- hambúrguer gourmet ao molho de chocolate e o petit gateau de mandioca com recheio de carne seca são opções igualmente deliciosas para abrir o apetite.

Na hora do prato principal, quem não tem nenhuma restrição a frutos do mar pode se aventurar na culinária local. Moqueca de peixe — um dos pratos mais pedidos, segundo a chef — bobó de camarão e lagosta gratinada com abacaxi fazem parte das iguarias servidas. Sugerimos o salmão na crosta de ervas com mil folhas gratinadas de batata-doce. É sensacional. A torta quente de cacau com coco, servida com sorvete de chocolate com nibs, encerram o almoço com chave de ouro. 

 

Faça uma visita 

 

Fazenda Yrerê
» De segunda a sábado, das 9h às 16h e domingos, das 9h às 12h.
» Ingressos: R$ 30, por pessoa. É necessário agendar a visita.
» Mais informações: www.fazendayrere.blogspot. com ou (73) 3656-5054.

Fazenda Provisão

» De segunda a sábado, das 9h às 17h
» Ingressos: R$ 30, por pessoa, sem almoço; e R$ 60, por pessoa, com almoço. É necessário agendar a visita.
» Mais informações: www.fazendaprovisao.com.br ou (71) 9.9205-4710/ 9.9624-4647

Pousada e Restaurante Morro dos Navegantes
» Reservas: diárias a partir de R$150, em baixa temporada.
» Mais informações:  www.morrodosnavegantes. com.br ou (73) 3632-5613

 

* Estagiário sob supervisão de Taís Braga 

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