Conheça Joinville, município catarinense onde arte é a palavra de ordem

Cidade é estratégica e respira cultura. A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil traduz essa vocação e é parada obrigatória para quem vai à cidade

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postado em 11/08/2017 10:00 / atualizado em 10/08/2017 14:04

Rafaella Panceri/Esp.CB/D.A Press

 

Joinville (SC) — Urbano e rural, tão próximo da serra quanto do mar, o município é o mais populoso entre os catarinenses e concentra o maior polo industrial do estado. Também conhecido como Cidade dos Príncipes, está entre a Serra do Mar e a Baía da Babitonga, em uma posição estratégica — distante 130 km de Curitiba e 170 km de Florianópolis. Quem passa por lá pode usufruir de uma versatilidade de infraestrutura e serviços — há opções de lazer para públicos de todos os estilos. Bons hotéis e restaurantes estão à disposição, além de atrações que vão de museus e centros culturais a fábrica de cerveja aberta ao público.

 

Ao lado da boa mesa e das indústrias que movimentam a economia, cultura, para os joinvilenses, é palavra de ordem. A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, única fora da Rússia, é um espaço dedicado ao ensino profissional da dança e traduz essa vocação artística do município, que recebeu o título de Capital Nacional da Dança no ano passado.

 

Manuela Schneider/Divulgação


A escola funciona há 17 anos e educa, atualmente, 228 alunos de todas as regiões do Brasil e outros dois países. Além de ensino gratuito, eles recebem auxílio para alimentação e transporte e acompanhamento médico. Visitar o complexo é mais que assistir a ensaios e aulas de balé.

 

Sentimento
Entre os corredores, entrecortados por salas espelhadas, estúdios de música e ateliês — onde os figurinos são criados —, a sensação é de estar em um filme. Ou em um sonho, como descreve a bailarina Nayla Ramos, 17 anos. As visitas guiadas são conduzidas por ex-alunos e permitem aos visitantes ter contato com histórias de vida.

“Nunca pensei que fosse conseguir isso. Sabe quando você não acredita que uma coisa está acontecendo? Estou assim”, relata a aluna Nayla Ramos, solista do espetáculo O Príncipe Igor, apresentado pela companhia na noite de gala do festival de dança deste ano. A rotina de aulas e ensaios é intensa — começa às 14h e pode ir até as 19h45 —, mas gratificante. “Nunca pensei em desistir”, assegura, mas destaca que a carreira tem altos e baixos. “Pra quem vê, parecem mil maravilhas, é lindo, mas bailarina sofre muito.”

As exigências são mais que técnicas. Emocionais e físicas, coexistem com a pressão para se destacar. “Eu, por exemplo, procuro colocar sentimento na dança. É uma coisa que chama a atenção e faz com que o número fique mais interessante”, analisa Nayla. De olho no futuro, pretende ingressar em uma companhia fora do Brasil. “É raro ver a dança sendo valorizada no país”.

 

Joinville em um dia

Em Joinville, nem tudo gira em torno da dança — principalmente fora do período do festival. Em todos os meses do ano, há muito o que ver e fazer por lá. Comece o dia com uma vista de 360 graus da cidade e termine experimentando os sabores do malte e do lúpulo em uma cervejaria local. Entre uma programação e outra, aproveite as atrações selecionadas pelo Turismo e aproveite o dia na Cidade dos Príncipes.

1- Mirante de Joinville
Rafaella Panceri/Esp.CB/D.A Press

Que tal começar o passeio com uma visão panorâmica da cidade? Do alto do mirante, é possível ver a Serra do Mar e a Baía da Babitonga, além de várias indústrias instaladas na região. De bicicleta, a pé ou de ônibus, vá até o topo do Morro Boa Vista, na região central da cidade. Uma trilha de 2,3 km entre a copa das árvores, em cima de um deque de madeira, leva os visitantes ao ponto mais alto. O mirante abre todos os dias, das 7h às 19h.
» Endereço: Rua Pastor Guilherme Rau, Saguaçu —Joinville.

2- Museu Nacional de Imigração e Colonização (MNIC)
Rafaella Panceri/Esp.CB/D.A Press

Localizado em frente à Rua das Palmeiras — espetáculo botânico à parte —, o museu abre as portas às 10h e fecha às 16h. A visitação começa em um casarão de 1870, tombado pelo Iphan, onde é possível ver objetos e documentos referentes ao processo de imigração e à história do Sul do país. Nos fundos, uma casa enxaimel (estilo de construção típico do século 19) e um jardim sensorial completam a visita.
» www.joinville.sc.gov.br/institucional/mnic

3- Instituto Internacional Juarez Machado
Rafaella Panceri/Esp.CB/D.A Press

Antes ou depois do almoço, reserve um tempo para a contemplação. Dedicada a expor obras produzidas ao longo de meio século de carreira por Juarez Machado, artista brasileiro premiado, a casa é um ícone cultural de Joinville. O instituto também realiza exposições, cursos, palestras e debates e fica aberto de terça a sábado, das 10h às 18h30, e aos domingos, das 15h às 18h30.
» www.institutojuarezmachado.com.br

4- Café Colonial no Holz
Rafaella Panceri/Esp.CB/D.A Press

No início da tarde, a dica é degustar pratos tradicionais. O hotel Holz, erguido em estilo germânico, é um dos que oferecem a experiência do café colonial por R$ 39. Todos os dias, a partir das 16h, os visitantes podem degustar de tudo: queijos, embutidos, bolos, tortas, pratos específicos da gastronomia alemã e bebidas. O espaço fica no bairro da Glória. É aconchegante e decorado à moda europeia — rende boas fotos.
» www.chahoteis.com.br/hoteis/holz-hotel

5- OPA Bier
Graziela Billá/Divulgação

Joinville coleciona passagem de várias cervejarias por seu território, principalmente no século 20. Como a maioria das indústrias foi desativada a Opa Bier surgiu, em 2006, para resgatar a tradição. 
A visita guiada pelo galpão, localizado na Rua Dona Francisca, é uma boa opção para encerrar um passeio por Joinville. É possível degustar a bebida em todas as fases de produção gratuitamente e entender a dinâmica da indústria.
» www.opabier.com.br

 

Cidade dos Príncipes
O território de Joinville era parte do dote de casamento de Francisca Carolina, irmã de Dom Pedro II. No século 19, ela se casou com o príncipe francês Ferdinand Philipe, que reinava em Joinville (na França). O reinado, no Brasil, recebeu o mesmo nome. Mais tarde, parte das terras foi vendida para uma companhia de colonização alemã, responsável por trazer imigrantes europeus à região.

Para saber mais
O 35º Festival de Dança de Joinville aconteceu entre 18 e 29 de julho. A abertura ficou por conta da Cia. Deborah Colker, com o espetáculo Cão Sem Plumas. As oito noites seguintes foram destinadas à Mostra Competitiva, da qual participaram cerca de seis mil bailarinos.

Serviço

Escola do Teatro Bolshoi no Brasil

  • Av. José Vieira, 315,
  • Centreventos Cau Hansen, América — Joinville
  • Agende sua visita pelo site: www.escolabolshoi.com.br ou (47) 3422-4070
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