ALEMANHA

Topo da montanha: conheça o castelo Neuchewenstein, no sudoeste da Bavária

Quase inacessível, o castelo Neuchewenstein, que faz referência ao cavaleiro do cisne da ópera Lohengrin, de Wagner, reina absoluto sobre o desfiladeiro Pöllat, um mundo de sonhos no sudoeste da Bavária

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postado em 14/08/2017 10:00 / atualizado em 09/08/2017 20:27

Lucio Sassi/Flickr


“É minha intenção reconstruir a ruína do velho castelo em Hohenschwangau, próximo do Desfiladeiro de Pöllat, no verdadeiro espírito dos velhos castelos dos cavaleiros alemães (...), a localização é a mais bela que alguém pode encontrar, sagrada e inacessível, um templo digno para o divino amigo que trouxe a salvação e a verdadeira bênção ao mundo.” Assim escreveu Ludovico II, da Baviera, ao compositor Richard Wagner, em 31 de maio de 1868.


Ludovico, que tinha uma interpretação poética peculiar do que seria o papel de um rei, estava submerso em mais um excepcional projeto arquitetônico: o castelo de Neuchewenstein, nome que faz referência ao “Cavaleiro do Cisne” da ópera Lohengrin, de Wagner, de quem foi patrono.

Ao Sudoeste da Baviera, a poucos quilômetros da Áustria, Neuchewenstein reina no topo de montanhas escarpadas, circundadas por maciços alpinos e florestas, às margens do Schwansee, o Lago do Cisne. O cenário é magnífico. Abre paisagens espetaculares dos Alpes de Ammergau, que integram a porção Norte dos Alpes Orientais. Mas também descortina belas vistas do castelo de Hohenschwangau, reconstruído em 1832 pelo pai de Ludovico, Maximiliano II, sobre as bases de fortificação feudal destruídas. Internamente, o castelo incorpora aquela que era a mais moderna tecnologia da época: engenhos a vapor e elétricos, ventilação moderna e canalizações de aquecimento. São 6 mil metros quadrados distribuídos em quatro andares, diversas torres e uma decoração que não deixa dúvida em relação à admiração de Ludovico II por Richard Wagner.

Armada sobre o desfiladeiro Pöllat, garganta que sustenta uma queda d’água, é sobre a oscilante ponte de Maria (Marienbrücke) que se descortinam as mais impressionantes perspectivas do Castelo de Neuschwenstein. O castelo emerge como numa miragem fantástica e último sonho do delirante rei da Bavária, desenhado pelo especialista em cenários teatrais Christian Jank.

Bob Manning/Flickr


Ruína

Se a construção de Neuchewenstein precipitou a sua ruína financeira e de seu reino, cujos desdobramentos foram a destituição de Ludovico II do trono em 10 de junho de 1886, sob a alegação de “enfermidade mental” — caso único na história alemã —, hoje, as suas obras são fonte de receitas para a Baviera e estão entre as mais visitadas da Alemanha. Três dias depois de sua deposição, o corpo de Ludovico II foi encontrado no Lago de Starnberger, ao Sul de Munique, nas proximidades do Castelo de Berg, onde foi preso.

Neuchwanstein, esse incrível castelo, cuja construção iniciou-se em 5 de setembro de 1869 e só foi concluída após a morte de Ludovico II, em 1892, retrata o gosto artístico e cultural desse rei, que assumiu em 1864, aos 18 anos, dois anos antes da Guerra das Sete Semanas, da Prússia contra a Áustria. Ao se posicionar ao lado da derrotada Áustria ao fim do conflito, Ludovico II foi forçado a aceitar um tratado de defesa mútua com a Prússia, que, três anos depois, colocaria a Baviera novamente na linha de tiro da Guerra Franco-Prussiana, forçada a se posicionar contra a aliada França.

A vitória da Prússia foi decisiva para a unificação dos reinos germânicos no grande Império da Alemanha, sob o comando do proclamado kaiser Guilherme I e do chanceler de ferro Otto von Bismark.

Neuchwanstein também representa o momento da morte de uma velha ordem política: a Monarquia Absoluta e o seu romantismo fora de lugar. Em contrapartida, nasce a Alemanha, aquela que se tornou o centro das transformações na Europa e no mundo. O realismo capitaneado pela Prússia substitui a Áustria na vanguarda dos povos germânicos. Estavam lançadas as bases do Segundo Império  ou Segundo Reich (1871-1918). A Baviera perdeu o seu estatuto de reino independente, apesar dos protestos de Ludovico II, tornando-se apenas um estado do império. Enfraquecido politicamente, ele literalmente submergiu na vida pública, dedicando-se aos seus projetos artísticos. Mais um rei que apostou no passado e, obviamente, perdeu, mas não o seu castelo.
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