ITÁLIA

Florença: a cidade italiana que pinta o amor e impressiona por graciosidade

A capital da Toscana é para os apaixonados que querem vivenciar a cultura em cada esquina e beco, rua e praça como se pudesse, por algum momento, ter a sensação de estar ao lado dos grandes mestres das artes

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postado em 04/09/2017 10:00 / atualizado em 31/08/2017 16:13

Fabricio C. Boppré/Flickr


Florença ou Firenze não é aconselhável para apressados, para aqueles turistas estressados, que querem ver tudo num só dia, que têm um olho numa obra-prima da Renascença, outro no relógio. Pessoas que não sabem relaxar, que madrugam, que querem aproveitar o máximo no menor tempo possível, porque estão viajando em euros e não desejam perder nada.


Pois visitar Florença significa entrega. É dedicar-se todo o tempo ao prazer da contemplação. É sentir o cheiro de cravo, de orvalho e grama nas manhãs ensolaradas da região da Toscana. E andar pelas ruas com o objetivo de estar descompromissado com a vida. É parar para olhar as obras de arte, rir dos comentários dos turistas, admirar o sorriso das crianças e se permitir tomar um sorvete no fim do dia. Isso, sim, é o modo correto de conhecer Florença.

Caminhar pelas ruas de Florença é ter uma deliciosa aula de história a cada passo. A gente tropeça em arte em cada beco, em cada rua, em cada praça. Conhecida como berço do renascimento italiano, traz em cada esquina e em praticamente todos os museus contribuições de nomes lendários como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Dante Alighieri e Nicolau Maquiavel.

Um dos grandes prazeres é caminhar pela beira do Arno, olhar suas águas revoltas, cruzar suas pontes, tomar um capuccino excelente perto de Ponte Vecchio, retomar o passeio, atravessar a Ponte Santa Trinità, projeto de Michelangelo, bombardeada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. Uma observação: para reconstruir a ponte, os florentinos usaram a técnica, o material e instrumentos iguais aos de 500 anos atrás. São esses detalhes que fazem com que os turistas se apaixonem por Florença e pelo espírito florentino.

Em Florença, o jeito mesmo é andar a pé e ter cuidado com as motocicletas que parecem vespas gigantes voando na sua direção. Florença é para os apaixonados. É para aquelas pessoas que querem vivenciar as emoções de percorrer a pé cada rua e beco da cidade como se pudesse por algum momento ter a sensação de estar ao lado dos grandes mestres das artes. Só de imaginar que há mais de 500 anos eles andaram pelas mesmas calçadas, pelos mesmos lugares faz com que você se arrepie e até chore de tanta emoção.
Amanda/Flickr

Foi o que ocorreu com o produtor cultural Rodrigo Araújo ao se deparar com a magnitude da Ponte Vecchio já no fim de uma tarde de verão em Florença. Com os olhos marejados,  não conteve a emoção —“Esta cidade é a pura expressão da arte. Tudo que estudei sobre o Renascimento, tudo que aprendi na sala de aula sobre Michelangelo e Da Vinci eu estou aqui vivenciado. É prazeroso olhar para cada obra de arte e saber que a alma de cada artista passeia por aqui. Sinto a presença deles ao meu lado, me guiando o olhar e mostrando detalhes que jamais tinha visto nas obras deles. Estar cara a cara com as obras dos grandes mestres me dá mais inspiração para tudo que eu farei daqui em diante.

 

De cara com o belo

 

Pad Rao/Flickr


A melhor época para ir a Florença é em agosto e setembro. Você pode visitar museus, galerias e igrejas, tranquilamente, sem enfrentar muitas horas de fila. Na primavera, essa espera pode chegar a cinco, seis horas, se você quiser conhecer as obras-primas da Galeria Uffizi ou visitar a Galleria dell’Accademia, onde, além do David, estão as esculturas de Michelangelo que mais impressionam: os Quatro Prisioneiros, escravos fazendo esforço para se libertarem do mármore em estado bruto.

Do alto da praça de Michelangelo se avista toda a cidade de Florença.  Um casal de noivos japoneses desce as escadarias da praça depois de celebrar a união deles em uma das cidades mais românticas da Toscana. Ao centro tem três construções que podem ser consideradas símbolos da cidade — o Duomo de Santa Maria del Fiore,  o Campanário e o Batistério, criações do genial arquiteto Brunelleschi. A igreja revestida com mármore verde, rosa e branco, conhecida como Duomo, e que levou quase dois séculos para ser construída, é a principal e mais famosa construção da cidade, além de ser a quarta maior catedral do mundo em tamanho. Em seu interior estão obras-primas de grandes gênios da arte renascentista, como Zuccari, Donatello, Uccello e Ghiberti

Pep Bear/Flickr


A Praça Della Signora é cheia de arte e de história. É ali que está localizado o Palácio Vecchio, onde moravam os Médici no séc 6. Atualmente, o palácio é a sede do governo de Florença e também museu aberto à visitação. As esculturas renascentistas expostas na rua embelezam ainda mais a praça. Florença é assim: são tantas as suas obras de arte, que seus museus não as comportam mais e por isso acabam decorando as ruas.

Em direção ao Rio Arno, o turista se diverte passando por uma rua cheia de estátuas de personalidades que viveram em Florença e marcaram a cidade de alguma forma. Artistas, cientistas, pensadores. Entre eles, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Dante, Maquiavel  e Galileu. Dá para sentir o peso que a cidade teve.  Hoje, os artistas de rua são os que alegram os turistas, posando de imperadores com trajes romanos.

Frans Vanderwalle/Flickr


Se a Praça Della Signora e os vários museus de Florença exprimem a efervescência artística de séculos atrás, é na Ponte Vecchio que você entra de fato nos ares desta cidade italiana. Um de seus cartões-postais, a adorável ponte tem uma construção diferente. É cheia de lojinhas coloridas e tem uma linda vista das margens do Rio Arno, que corta a cidade. Do outro lado, logo na saída do Centro, encontra-se uma cidade silenciosa, com pouco comércio, prédios baixos, antigos, em tons amarelados e ruas estreitas. Depois de uma boa caminhada você chega ao Pitti, uma construção imensa, megalomania de um banqueiro milionário da época que queria construir um palácio que fosse maior do que o dos Medici. Construiu,  mas faliu. O palácio Pitti abriga hoje o Museu da Porcelana, da Prata, do Vestuário e os jardins Boboli.

E para despedir das atrações de Florença, uma passagem pela Basílica de San Lorenzo, onde estão os túmulos de Leonardo da Vinci, Michelangelo, Maquiavel, Galileu e Rossini. Antes de sair da igreja, faça um pedido a eles — que em breve. (CA) 

 

» Para saber mais 

 

Visitas e subidas

A cúpula da catedral, foi projetada pelo arquiteto Filippo Brunelleschi. Ela tem um diâmetro externo de 54 metros e altura (até o alto da lanterna) de 114 metros e é aberta a visitação. Desde novembro do ano passado, as visitações só podem ser feitas com a compra prévia do bilhete, que dá direito à visitação da cúpula, do batistério e do museu. Na Piazza San Giovanni, 7, é possível comprar o bilhete. Mas a dica é comprar o  Firenze Card por 72 euros.

Depois de subir 463 degraus, é possível chegar à lanterna e admirar as vistas panorâmicas sobre a praça da catedral e grande parte da cidade. Para chegar ao topo, é preciso enfrentar, além da subida, o incômodo do pouco espaço, já que a passagem é muito estreita e quente, com pouca ventilação. No verão é muito quente e no inverno, venta muito. Se você sofre de claustrofobia, não arrisque. Para visitar a catedral, não é preciso pagar. 

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