FLORESTA

Hotéis na Amazônia oferecem experiências "selvagens" aos hóspedes

As instalações na selva brasileira permitem contato com a natureza e incentivam a preservação do bioma. Estrangeiros em pequenos grupos são maioria entre os hóspedes. O segredo é ir na melhor época

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 09/09/2017 10:00 / atualizado em 14/09/2017 14:00

Nelly Bystedt/Flickr

 

Pulmão do mundo, maior floresta tropical do planeta, ou simplesmente Amazônia — essa parte do território brasileiro é cheia de surpresas. Em meio à natureza tropical do Norte, tanto cidades estruturadas quanto regiões inóspitas recebem visitantes do mundo inteiro. Em 2016 foram registradas as visitas de 105.249 estrangeiros no estado do Amazonas, segundo o Ministério do Turismo. Deste total, 25,1% eram dos Estados Unidos. Os turistas da Venezuela (17,1%) ficaram em segundo lugar, seguidos da China (5,4%), Alemanha (4,7%),  Holanda (4,1%) e Argentina (3,8%).

 

Para 71% dos visitantes, o turismo de natureza e aventura foi o principal motivo para vir à Amazônia. A cultura local atraiu 14%, contra 10,1% que se interessaram por praias de água doce. Em Manaus há hotéis empenhados em traduzir a experiência de imersão na floresta. O estudante João Paulo Chaves, 20 anos, foi à cidade neste ano e ficou hospedado em um hotel afastado do centro. “Fica perto da floresta e é bem exótico, em frente ao Rio Negro. Lá dentro tem um zoológico com animais nativos e até uma onça”, relata. A ida ao Encontro das Águas é um clássico. “Bem perto do hotel, algumas canoas oferecem passeio pelos rios Negro e Solimões”.


Arquivo Pessoal

 

Ele destaca a estrutura de hospedagem e conta que ficou impressionado com o zoológico e com a presença do Rio Negro. “Não tem fim”, lembra. Antes de ir, o estudante garantiu um bom repelente de insetos na bagagem e conferiu se o cartão de vacinas estava em dia. Ao chegar, notou a presença massiva de estrangeiros. “Eles pagam uma fortuna para vir. Os brasileiros não dão tanto valor”, opina.

 

Imersão
Há como vivenciar o bioma amazônico mais de perto. Ou melhor — de dentro. Na copa das árvores, em casinhas de madeira, ou em estruturas flutuantes fincadas no fundo do rio, sem deixar o conforto de lado. Os hotéis de selva são ideais para se sentir dentro da floresta, ficar isolado por alguns dias, acordar com o canto dos pássaros, comer peixes frescos e frutas exóticas colhidas na mata. No fim do dia, uma boa cama e um quarto com estrutura semelhante à de resorts vão fazer a jornada valer a pena. Mesmo nos hotéis mais simples, a rusticidade torna a experiência única. 


Arquivo Pessoal


A aposentada Ivelise Araújo da Silva realizou o sonho de conhecer a Amazônia em 1993 e ficou hospedada em um hotel de selva. “Minha prioridade era viajar e conhecer lugares diferentes, exóticos. Queria sentir a experiência de estar no meio da maior floresta do mundo”, lembra. “Ficar em um hotel de selva é uma experiência ousada e bem diferente daquela habitual dos hotéis convencionais. Sem entrar no aspecto de acomodação, porque só conheço um e há vários na região, me refiro à experiência de imersão”, conta Ivelise, que ficou no Malocas Jungle Lodge.

 

Distância — definida como o espaço entre dois corpos ou lugares, ela é quem faz dos hotéis de selva a melhor opção para aproveitar a Amazônia. De Manaus, alguns quilômetros floresta adentro separam o urbano da imensidão verde. Os trajetos são longos. Podem chegar a três horas de deslocamento, combinando transporte terrestre, aéreo e fluvial. Os hotéis têm estrutura completa — quartos, restaurante e áreas de lazer. Alguns oferecem algo a mais, como acesso à internet. Em algumas regiões isso é impossível, assim como o acesso à rede de telefonia celular.

 

Marcelo Isola/ Divulgação
 

 

Os nomes dos estabelecimentos indicam o público-alvo. Lodge, palavra em inglês que significa alojamento individual isolado, está em todos eles. Alguns utilizam a variação ecolodge, sem fugir da definição. Guto Costa Filho, sócio do Anavilhanas Jungle Lodge, explica o porquê. “Sabíamos que nosso público mais imediato seria o estrangeiro e Anavilhanas já é uma palavra difícil de lidar. Quando abrimos, em 2007, o termo  ‘lodge’ para os hotéis de selva já era amplamente difundido dentro do mercado de turismo”.

Dentro dos lodges, abrir mão de energia elétrica durante o dia é necessário. Alguns hotéis restringem o uso, possível por meio de geradores, ao período noturno. Além disso, a água dos chuveiros não costuma ser aquecida, mas a temperatura natural da água pode chegar a 32ºC. Por falar em recursos naturais, a preservação deles é uma prioridade.

Preservação
“Conseguimos gerar renda mantendo a floresta absolutamente intocada como quase nenhuma outra atividade econômica é capaz. Os hotéis são os maiores interessados em manter a área preservada e funcionam como fiscais de atividades econômicas possivelmente degradantes que se instalem nas suas imediações”, aponta Guto Costa Filho. Para ele, a quantidade de hotéis na Amazônia é pequena e proporcional ao número de visitantes anuais. “Para ter um  impacto efetivo sobre temas ligados à ecologia, aquecimento global, conservação da floresta, terras indígenas, é preciso ter escala. Conhecendo a floresta ao vivo, a conscientização dos visitantes cresce bastante”, comenta.

 

Marcelo Isola/ Divulgação
 


No Anavilhanas a maioria dos hóspedes é de fora do Brasil. “Em dez anos, temos uma média de 2/3 de estrangeiros e 1/3 de brasileiros”, revela Guto Costa Filho. O público se divide entre casais e pequenos grupos de amigos com mais de 30 anos que estão viajando pelo Brasil e escolheram a Amazônia como destino obrigatório.

Em períodos de férias e feriados nacionais, famílias com crianças, geralmente vindos do sudeste e das grandes capitais, são maioria. Nos últimos anos, houve aumento de procura de brasileiros pelo destino. “Em 2016, cerca de 45% dos nossos hóspedes eram brasileiros. Em 2017, esse número está por volta dos 40%”, avalia o sócio.


Fica a dica

Alta temporada

Quer se hospedar em um hotel de selva? Programe-se: julho e agosto são os meses mais movimentados, por conta das férias de verão no Hemisfério Norte. Em feriados nacionais, no fim do ano e nas férias de verão (de janeiro até o fim do Carnaval), a probabilidade de os hotéis estarem cheios é alta.


Serviço
Hotel Malocas

O hotel fica no município de Baixo Rio Preto da Eva, a 120 km de Manaus (AM)
» Informações: www.malocas.com/accueil-portugues

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.