PEQUIM

Conheça o centenário Templo do Céu na China, um dos maiores do país

Encravado em 273 hectares, área quase duas vezes maior que a da Cidade Proibida, o templo foi concluído em 1420, durante o reinado do imperador Yongle, da Dinastia Ming

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postado em 11/09/2017 10:00 / atualizado em 11/09/2017 17:55

spectergeneral

 

Os 12 meses do ano e as 12 tradicionais horas chinesas estão representados em colunas que sustentam o telhado cônico, símbolo do céu em azul profundo, que flutua em três camadas espirais sobre o salão circular. Tons dourados iluminam o vermelho imperial que recobre as paredes de 36 metros de diâmetro e os quatro pilares — as estações do ano —, elevados ao centro do Poço do Dragão, cuja espetacular abóbada também é decorada com imagens de Fênix. Todo em madeira, sem um único prego, o  templo Qinian Dian —  Salão de Oração Pelas Boas Colheitas — , terra e céu, o mundo humano e o divino, estão representados respectivamente no quadrado e no círculo, em cores e formas que se entrelaçam nesta obra-prima da arquitetura chinesa do século 15.

 

Situado em Pequim, no distrito de Chongwen, Qinian Dian é a principal edificação do Templo do Céu. Encravado em 273 hectares, área quase duas vezes maior do que a da Cidade Proibida, constitui um dos maiores e mais representativos complexos de templos da China dedicados ao sacrifício. A construção deste, que originalmente se chamava Altar do Céu e da Terra, foi concluída simultaneamente à  Cidade Proibida, em 1420, durante o reinado do imperador Yongle, da Dinastia Ming (1368-1644), a última de maioria Han na China.


Como em todas religiões de culturas agrárias, os elementos naturais constituíam as deidades. Na cosmogonia religiosa chinesa, de forte influência do taoísmo tradicional, o céu era central, podendo punir ou recompensar. Acreditava-se que o imperador, visto como o filho do céu na terra, tinha poderes para interceder pela humanidade e solicitar as graças para a abundância das colheitas. Em túnicas especiais e abstendo-se de comer carne duas vezes ao ano, o imperador e o seu séquito deixavam, em procissão, a Cidade Proibida até o templo para as cerimônias e rituais, dos quais nenhum dos chineses comuns era autorizado a acompanhar.

 

 Markus Bahlmann
 

O complexo passou a se chamar Templo do Céu em 1534, depois de ter sido ampliado pelo imperador Jiaging, em 1530, a partir de quem os sacrifícios ofertados ao céu e à terra passaram a ser feitos separadamente, com a construção de um altar circular ao Sul do hall principal de sacrifícios. O Templo do Céu foi reconstruído pelos imperadores Qianlong e Guangxu, da Dinastia Qing (1644-1911), a última a governar a China. Provenientes da Manchúria, e sendo minoria numa China de maioria han, os imperadores Qing preservaram as tradições, pois sabiam que a solidez política das dinastias dependia diretamente de suas colheitas, ainda que tenham trabalhado longamente para substituir gradativamente o taoísmo pelo confucionismo.

Em 1749, a ampla área verde do entorno foi incorporada ao Templo do Céu. E, desde 1988, tornou-se um parque, com playground e amplos espaços que atraem praticantes de tai chi chuan, de ginástica, jogos tradicionais, além de apresentações de corais, danças étnicas e apresentações que exibem a antiga história, filosofia e religião da China. Integra desde 1998 a lista da Unesco de patrimônios da humanidade.

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