ROTEIRO

Descubra canais pelo mundo e belas paisagens para uma próxima viagem

Naturais ou artificiais, os canais propõem passeios lentos, propícios para apreciar a paisagem a bordo de cruzeiros, embarcações menores ou de bike, ao longo das margens

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postado em 15/09/2017 10:00 / atualizado em 13/09/2017 15:41

Visit Toulouse/Reprodução

 

Já que “navegar é preciso”, melhor que seja em águas seguras. Os canais, presentes em vários países, são artifícios da engenharia que ajudam a encarar a imprevisibilidade dos mares. Ao longo da história, direcionar os cursos d’água tornou os trajetos marítimos mais previsíveis e facilitou o comércio internacional. Artificiais ou esculpidos pela natureza, os canais estão próximos ou dentro de portos, em zonas de cruzamento de rotas de navegação ou no meio de uma cidade, como em Bruges, na Bélgica, e Veneza, na Itália. No Brasil, Recife é o exemplo clássico. Por lá, uma rede de canais serve para escoar a água de rios. Fora do país, eles têm tudo para tornar um roteiro de viagem mais interessante.

 

Localizado na França, o Canal do Midi é o mais antigo da Europa em funcionamento. Patrimônio da Unesco desde 1996, não funciona como rota de navegação comercial, e sim como atração turística. As pessoas vão até lá para passear de barco ou de bicicleta, às margens do rio, em roteiros oferecidos por agências de turismo.

 

Desde o século 16, o canal liga as cidades de Toulouse e Sète, no Mediterrâneo. Os barcos que passam por ele vêm do Oceano Atlântico, passam pelo Rio Garonne e chegam a Bourdeaux. De lá, seguem para Toulouse, onde começa o canal. Fazer o trajeto completo de 360km é raro. Há passeios mais curtos, como os que vão de Carcassone a Paris, por exemplo. São duas horas de viagem, em média, porque a velocidade é lenta. Isso evita marolas, a erosão das margens e, por consequência, enjoos.

 

Histórico

No passado, era um percurso estratégico para a França. Por meio dele, era possível navegar sem passar pelo Estreito de Gibraltar — famoso pela presença de corsários, clássicos perturbadores de rotas marítimas.

Arquivo Pessoal


Canal do Panamá

 

Já imaginou ir ao Panamá sem conhecer o famoso Canal? A travessia entre os oceanos Atlântico e Pacífico é imprescindível para o comércio internacional e para o turismo. O passeio chama mais a atenção pelo valor histórico do que pela beleza, mas, em uma ida à Cidade do Panamá, não deixe de ir. “Achei superinteressante! Visitei uma das três eclusas (pequenos canais), a mais famosa, que é Miraflores, e pude ver alguns barcos e navios cruzando do Atlântico para o Pacífico e vice-versa. Nessa eclusa, há ainda um centro de visitantes que conta a história do canal por meio de filmes e de um pequeno museu. Fiquei cerca de três horas e deu pra conhecer bem”, relata o blogueiro Rafael Carvalho.

 

Ele recomenda a viagem tanto para quem vai ao Panamá a passeio quanto para quem tem uma conexão que dure, em média, cinco horas, e dá dicas para quem nunca foi. “Combinei com um taxista para me levar, me esperar e me trazer de volta para a Cidade do Panamá. É preciso negociar bem, mas o custo é de mais ou menos 25 dólares o carro”, conta. Segundo ele, Miraflores é a eclusa com melhor estrutura, mas todas são abertas à visitação. Para não perder viagem, ele aconselha: “Peça ao seu hotel ou motorista que ligue no centro de visitação para confirmar os horários de passagem dos navios no dia que você for”.

Confira outros canais selecionados pelo Turismo e aproveite os trajetos calmos em embarcações, de bicicleta ou a pé:

 

Philippe Gambet/Flickr

Canal de Suez

 

Localizado no Egito, entre a África e a Ásia, o canal liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho desde 1869. Estima-se que 8% do comércio internacional passe pelos 165 quilômetros de estrutura, que também está conectada ao Oceano Índico. Além disso, a obra da engenharia separa África e Ásia. Quatro lagos fazem parte do percurso: Manzala, Timsah, Grande Bitter e Pequeno Bitter. A paisagem desértica ao redor inspira viagens como as organizadas pela Royal Caribbean International. A bordo do navio de luxo Rhapsody of the Seas, é possível navegar pelo canal com paradas em Israel, na Grécia, na Arábia Saudita e na Turquia.

 

Bensamgold/Wikimedia Commons

Canal de Kiel

 

Artificial, localizado na Alemanha, tem cerca de 100km de extensão. O papel dele é ligar o mar do Norte ao mar Báltico, na altura da cidade de Kiel-Holtenau. A construção do canal significou um atalho de 519 quilômetros. Antes dele, os navios passavam pela península de Jutlândia e enfrentavam tempestades marítimas. Estima-se que ele seja o canal mais utilizado do mundo. Em 2007, mais de 43 mil embarcações navegaram por ele. É uma das atrações mais famosas da cidade. Quem não tem um barco pode percorrer de carro, a pé ou de bicicleta os 99 km de estradas que ficam bem próximas da margem.

 

El Viajero Feliz/Reprodução

Canal de Corinto

Esculpido na rocha do istmo de Corinto (um vão natural entre duas faixas de terra), é preenchido pelas águas azuladas dos golfos de Corinto e Sarônico. Quem passa por lá está cercado por paredões com 40 metros de altura por 21m de largura, ao longo de 6,3km. Por separar a região do Peloponeso da Grécia Continental — atalho de 400km — ele foi utilizado com frequência na Segunda Guerra Mundial. O passeio por ele, em barcos comuns, dura cerca de 40 minutos e rende belas imagens. Os aventureiros podem atravessá-lo com jet skis ou praticar bungee jumping nas pontes entre uma margem e outra.

 

Ativo/Reprodução

Canal da Mancha

 

Esqueça o concreto e as margens artificiais. O canal é um braço de mar do Oceano Atlântico — ligado ao mar do Norte — que separa o Reino Unido da França. A viagem por ele é longa. São cerca de 563km de extensão. A circulação de navios chega a 250 por dia, incluindo os ferries (balsas) que ligam a França ao Reino Unido (uma alternativa mais rápida para o mesmo trajeto é o Eurotúnel). No ponto mais estreito do canal, cuja largura é de 33km, alguns nadadores se arriscam a fazer a travessia. Algumas dessas experiências terminaram em morte, como no caso da brasileira nadadora de maratona aquática Renata Agondi.

 

This German Life/Reprodução

Canal eno-Meno-Danúbio


Para cruzá-lo por completo, você vai precisar navegar por cima de uma ponte. Isso mesmo: há um trecho, na região montanhosa de Solarberg (Alemanha), em que os leitos dos rios Danúbio e Meno são ligados artificialmente ao rio Reno. Tudo isso para que a navegação do mar do Norte seja possível até o mar Negro, na Romênia. As altitudes dos locais são muito diferentes. Os navios superam isso por meio de um sistema de sequências de escadas d’água. Quando um navio tem de subir montanha, entra em um reservatório que se enche de água e sobe de nível. O contrário é feito nas descidas.

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