ROTEIRO

Além do vinho e da neve: o Chile colorido reserva passeios encantadores

Quem pensa que os chilenos só tem uva para a produção de vinho, se engana! Tem pisco também! E a oportunidade de ver o deserto florido, que faz valer qualquer experiência

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postado em 16/09/2017 10:00 / atualizado em 13/09/2017 16:02

Mauricio Moya Munoz/Flickr

 

A porta de entrada do Chile deveria ser o Deserto Florido, que, com seu colorido, suas flores e perfumes, arrebata o turista. Fenômeno só visto na Região do Atacama, onde ocorre devido a fatores meteorológicos. Com a precipitação de chuvas, as mais variadas espécies de flores podem ser apreciadas até o fim de outubro e início de novembro.Tudo isso emoldurado pela Cordilheira dos Andes, que oferece uma visão extraordinária, com altitudes que superam os 6 mil metros. Para completar, o Chile é rico em cultura, gastronomia, natureza e muita simpatia de um povo que sabe receber bem.


Claudio Cortes - Antropologo/Flickr

Cercadas de mistérios, as serras são de uma beleza inexplicável, com muito verde matizado por vários tons de vermelho, amarelo, branco, azul, rosa e lilás, entre outros. Segundo o presidente da Associação dos Guias de Turismo do Atacama, Roberto Vergara, havia sete anos não víamos uma florada tão grande quanto a de agora. “Uma das razões foi o El Niño este ano. São plantas nativas e endêmicas que se alastram pelos cerca de 100 quilômetros de extensão, por 40 quilômetros de largura”, diz.

 

Para apreciar o lugar, há que se percorrer uma longa e cansativa estrada, mas vale a pena. De Santiago até Copiapó —  um dos pontos de partida para o roteiro — são cerca de 800 quilômetros pela Rota Pan-americana Norte. O melhor, segundo o guia, é, em Santiago, pegar um voo até o Aeroporto Disierto do Atacama (são quatro linhas aéreas), que fica a 60 quilômetros de Copiapó. Depois, para percorrer os 150 quilômetros de Copiapó a Vallenar, o ideal é contratar um transporte com guia, que indicará os melhores pontos de parada para fotografar a surpreendente paisagem.

Lucy Hordern/Flickr

 

Aventura

 

O roteiro ainda oferece a possibilidade de praticar uma variedade de esportes radicais e de muita emoção, como o passeio em um 4x4, ou mesmo tomar um banho nas geladas e claríssimas águas do Oceano Pacífico. Tudo isso emoldurado pela Cordilheira dos Andes, que oferece uma visão extraordinária, com altitudes que superam os 6 mil metros. Entre uma cidade e outra, curiosidades vão se destacando pelo caminho, como restaurantes com cardápios inusitados e comidas preparadas de forma simples, mas de um sabor inigualável. Caso do Centro de Agroturismo La Casona, em Alto del Carmen, uma das regiões do Atacama.


No meio do nada, de repente, um lugar para um breve descanso e reposição de energias. Além de um ensopado com variedade de ingredientes e até um pedaço de espiga de milho cozido, servem um arroz especial com uma carne dos deuses. O lugar ainda oferece hospedagem e área para acampar ou fazer um descontraído piquenique. Para quem quiser levar uma lembrancinha, artesanatos produzidos na região ficam expostos na varanda do restaurante.

E, como não poderia deixar de ser, ao longo do lado Norte do Chile, plantações e mais plantações de uva, principalmente para a produção de vinho e pisco (destilado feito de uva) e, ainda, de oliveiras, produtos que muito orgulham o país e o colocam em posição de destaque quando se fala de exportação de bebidas e de azeitonas e azeite.


F Barroeta/Divulgação

Dizem que um dos atrativos que levam milhares de viajantes todos os anos ao Chile é a neve e a possibilidade de esquiar. Mas, por trás disso, estão os variados e famosos rótulos de vinho que o país produz. Em 2016, foram 1,3 bilhão de litros, o que o torna o principal exportador do Novo Mundo e, inclusive, dominando o mercado brasileiro com 50% em volume.

Uma das explicações para a produção de um vinho e de um pisco —  produzido a partir da fermentação da uva —  tão apreciados são as características climáticas do lugar. Que o digam as irmãs Sandra e Cecília Ramirez, pequenas produtoras da vinicultura Pajarete del Valle del Huasco, que produz vinho e pisco com a marca Armidita. Com uma terceira irmã e o pai, a quarta geração da família Ramirez garante que a concentração de açúcar que recebe em razão dos raios solares e da umidade da serra faz do vinho “o mais saboroso e puro”. “É tudo orgânico, tanto a uva quanto o vinho”, diz Cecília. Com a ajuda de sete funcionários, a fazenda produz 100 mil litros de pisco e 130 mil litros de vinhos moscatel seco e tinto por mês. A família faz parte do Movimento dos Vinhateiros Independentes (Movi), que cuida da divulgação e do suporte aos pequenos empreendedores chilenos.

Já na planta de pisco artesanal Bou Barroeta e Horcon Quemado, em San Félix, o destaque é o alambique à lenha com mais de 200 anos (hoje não se vê mais em outros lugares) que funciona ainda a todo vapor. “Temos mais duas réplicas construídas há pouco mais de dois anos, mas não nos desfazemos desse, que foi o primeiro da fazenda”, conta Violeta, secretária da empresa.

As uvas moscatel cuidam de garantir o melhor pisco, segundo Violeta. “É praticamente um uísque”, compara a secretária, para demonstrar a qualidade da bebida. São 2 milhões de quilos de uva, coletados de dezembro a março, e 1 milhão de litros de pisco com a marca Horcon Quemado, com a entrega de 12 mil garrafas por semana, num trabalho bem artesanal que envolve 55 trabalhadores no total. 

 

Azeite com sotaque chileno

 

Barroeta/Divulgação


Em toda a extensão do trajeto, o que mais se vê são as plantações de uvas e também de frutos exóticos, como a papaya, típica na região e, segundo os nativos, excelente remédio para vários males. Muito impressiona também a plantação de oliveiras, como na fazenda Olivo Centenário Huasco Rojas. São mais de 1,2 mil árvores centenárias e produtivas. Na colheita, que vai de maio a setembro, chega-se a retirar 30 mil quilos de azeitonas. “As grandes são para mesa e as pequenas para o azeite”, explica Daisy Rojas, que comanda a fazenda. O clima, mais uma vez, entra como protagonista. “A oscilação térmica, com baixas temperaturas à noite e altas durante o dia, oferece toda a condição para um produto equilibrado”, afirma.

Mas há muito mais coisas pra se ver no Chile e, por isso, o passeio deve ser feito por pelo menos uma semana. E não se preocupe, pois a região é dotada de estrutura hoteleira e de gastronomia de primeiríssima para você aproveitar cada minuto dessa encantadora viagem.

Barroeta/CB/D.A Press

 

Onde ficar

Santiago:

Hotel Cumbres Lastarria
www.cumbreslastarria.com

Onde comer
Squella Sa Marisqueira
Restaurant – Santiago

La Serena
Refugio El Molle
www.refugioelmolle.cl

Vallenar
Hotel Orígenes
www.hotelorigenes.cl

Copiapó
Hotel El Bramador

www.hotelbramador.com

 

* Viagem a convite do Servicio Nacional de Turismo de Chile (Senatur) 

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