PARAÍSO

Costa Amalfitana, na Itália, reúne várias paisagens e muita cultura

O Centro Histórico reúne o ecletismo cultural típico de sua localização litorânea e guarda a herança de diferentes civilizações

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postado em 22/09/2017 10:00 / atualizado em 20/09/2017 15:58

Paul Webb/Flickr


Num pedaço de rocha que se equilibra a 350 metros do nível do mar, flutua como tenda inflada pelo vento o Auditorium de Oscar Niemeyer, sala em Ravello, na Costa Amalfitana, dedicada a concertos e eventos artísticos. Por essas encostas do Monti Lattari — extensão Ocidental dos apeninos da Campânia —, espinha dorsal da península Sorrentina, inspirou-se Richard Wagner: “Oh Parsifal, quando irá nascer?”, escreveu-lhe o rei e mecenas Ludovico II, da Baviera, após receber o recém-escrito livreto da ópera. Também o inglês D. H. Lawrence deixou-se vagar em poesia e histórias na contemplação das paisagens dessa lendária vila, que se lança sobre o azul infinito do mar Tirreno: “Já construiu o seu navio da morte... Oh, já? Oh.. construa o seu navio da morte, pois dele precisará”.



Em Ravello se descortinam os mais deslumbrantes cenários da Costa Amalfitana. E é no ziguezaguear da estreita estrada que corta a topografia dramática, em declives escarpados que se sucedem, a chegada a Amalfi, a mais antiga das repúblicas marítimas da Itália. A placa anuncia: “Para os amalfitanos, o dia em que irão ao paraíso será como outro qualquer...” Nesta, onde no século 11, exerceu-se o controle de todo o comércio do Mediterrâneo, escreveu-se o “Tabula de Amalpha”, o mais antigo código marítimo do mundo, não à toa é atribuída a invenção da bússola de navegação ao amalfitano Flavio Gioia (1250-1300).

Diferentemente de Ravello, que se dependura sobre o horizonte, Amalfi, comprimida em seus três quilômetros quadrados, amontoa-se e escala as escarpas. Casinhas se aglomeram no labirinto de suas retorcidas ruelas medievais. O seu Centro Histórico reúne o ecletismo cultural típico de sua localização litorânea e guarda a herança histórica de diferentes civilizações.

 

Giorgio Della Rocca/Flickr

 

A origem do nome é latina: Melfi, referência aos refugiados da cidade lucaniana, no golfo de Taranto. E em seu brasão, a inscrição não deixa dúvidas:“Descendit ex patribus Romanorum” (vindo dos pais dos romanos — tradução livre), assim como resquícios arqueológicos, como uma ninfa encontrada em vila romana construída sobo reinado de  Tibério (42AC-37DC). Parte integrante do Império Romano de Bizâncio, Amalfi foi um bispado entre 596 e 893, quando se tornou uma república autônoma — a primeira República Marítima da Itália. Foi administrada, a princípio, por cônsules eleitos anualmente. Mais tarde, entretanto, passou a ser governada por nobres que a transformaram em uma espécie de monarquia ducal. Amalfi alcançou a supremacia do comércio marítimo com o Oriente e com toda a bacia do Mediterrâneo, valendo-se de uma rede de assentamentos em importantes portos. Os navios mercantes partiam carregados de madeira em direção ao Norte da África, Síria, Palestina e Bizâncio. Retornavam com especiarias, ouro, pedras preciosas e tecidos.

Entre os séculos 9 e 11, Amalfi prosperou sob o comando político de normandos — descendentes de vikings que dominaram o Norte da França —, dos lombardos — povos germânicos que, após conquistarem o Vale do Danúbio, invadiram a Itália bizantina — e dos sarracenos — denominação genérica dada por cristãos aos árabes muçulmanos. Mas em 1137 foi abatida e saqueada pela rival, a também República Marítima de Pisa. Perdeu a sua autonomia política e lançada à condição de feudo, concentrou-se na produção de aço artesanal e lã, além do papel artesanal, processo árabe conhecido como bambagina, que ainda hoje se mantém como uma das mais antigas atividades dos amalfitanos, marco de sua identidade e cultura.

 

Núria Candel/Flickr
 


O declínio de Amalfi coincidiu com as Vésperas Sicilianas, revolta iniciada em 1282, em Palermo, contra o reinado de Carlos I de Anjou, que, com o auxílio do papa Clemente IV, havia tomado o controle da Sicília em 1266. Mas o prestígio da cidade foi recuperado com a sua redescoberta no século 19 e 20 por viajantes, artistas e intelectuais, para quem um horizonte perdido é o limite.

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