BRUGES

Conheça a cidade medieval de Bruges, na Bélgica Ocidental

Conhecida como Veneza do Norte, a cidade belga parece ter saído de um conto de fadas, com arquitetura do estilo neogótico

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postado em 09/10/2017 10:00 / atualizado em 04/10/2017 17:18

Michael Levine-Clark/Flickr

 

Do alto da Torre do Campanário (Halletoren), na Praça do Mercado, os sinos badalam e o tempo hiberna no suave correr do relógio e das águas que acalentam os canais, nesta que é chamada de Veneza do Norte. Exceção à linha de trem que agita a Sudoeste da cidade, Bruges passou incólume pela Revolução Industrial. Os seus monumentos sobreviveram às grandes guerras que sangraram a Europa no último milênio. Pelas artérias que rasgam a cidade antes de se lançar ao Mar do Norte, interligando toda a região de Flandres, na Bélgica Ocidental, o comércio floresceu. Expressão desse intercâmbio de mercadorias e culturas, o centro de Bruges, em sua idade do ouro, foi berço da primeira bolsa de valores da história, quando as letras de câmbio e hipotecas, base do capitalismo, eram os papéis comercializados.



Remanescentes ainda visíveis das muralhas de Bruges, os quatro portões e uma das torres de sua defesa do século 1º delimitam a cidade medieval, com o seu padrão de ruelas calçadas, que se lançam sobre as praças.  Canais abertos ao mundo, nessa privilegiada localização, uma produção sofisticada à base de têxteis e de lã importada da Inglaterra floresceu a partir do século 12 e impulsionou associações de mercadores e artesãos variados: muitas das portas, inabaláveis pelo correr dos séculos, carregam as placas, símbolos dos produtores de sapatos, artesãos do couro, peixarias, comerciantes do vinho. Em seu apogeu comercial, no século 13, Bruges tornou-se a ligação entre as cidades hanseáticas da Escandinávia, Inglaterra e Alemanha, além das mais importantes regiões da França, Espanha e Itália.

 

BobFirquet/Flickr
Em 1277, Gênova, que acabara de arrancar dos muçulmanos o controle do Canal de Gibraltar, atracou ali o primeiro navio da rota mercantil,  transformando a  próspera cidade na principal conexão da região com o comércio do Mar Mediterrâneo e Oriente Médio. Várias sucursais genovesas se instalaram em Bruges, impulsionando negócios que competiam e superavam o fluxo das matrizes, como a sucursal do Banco Médicis, que ganhou mais do que a sua sede em Florença.


A bela e característica torre do Poortesloge — onde se reuniam os principais mercadores, integrantes da Genootschap van de Witte Beer (Sociedade do Urso-Polar) — é expressão dessa intensa atividade comercial. Construída ao final do século 14, está fincada na praça que leva o nome de Jan van Eyckplei  (1370 – 1441),    pintor flamengo primitivo, que marcou uma época popularizando a pintura a óleo e carregando, em sua arte, os fundamentos ideológicos do mercantilismo. Representações e armazéns se fixaram no entorno desta que no século 18 se tornaria uma praça. Mas,  em seu áureo tempo, foi um canal do porto onde as embarcações ancoravam e zarpavam.

 

Adam Smok/Flickr

 

As transações e o intercâmbio de mercadorias em Bruges entraram em decadência durante o século 15, quando foi obstruído por sedimentos o canal Zwin, que um dia trouxera a comunicação e o acesso ao mar. Isolada, a cidade perdeu o protagonismo comercial para a Antuérpia, o principal centro econômico dos Países Baixos. Mas, pela intensidade da vida cultural e artística, Bruges continuou a atrair o interesse de intelectuais e da nobreza.  Filipe, o Bom, duque da Borgonha que reinou entre 1419 e 1467, ali assentou a sua corte — assim como em Bruxelas e em Lille. Também Eduardo IV e Ricardo III da Inglaterra passaram o exílio na cidade flamenga, assim como, no século 17, Carlos II.


Listada pela Unesco como patrimônio histórico mundial, Bruges é exemplo característico de um assentamento medieval e modo de vida, que, em suave harmonia, incorporou intervenções urbanas nos séculos 18 e 19 com a renovação de fachadas e introdução do estilo neogótico. Gravada na genialidade de seus flamengos primitivos, Hans Memling (1430-1494) é outra expressão desse momento da arte exposta no Museu Groeninge, entre cisnes que deslizam pelos canais e o Lago do Amor, canecas de Brugse Zot, a espetacular cerveja artesanal, a história se revela e pulsa, sem pressa, por cada esquina de Bruges.

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