Suzdal na Rússia é repleta de belas igrejas, catedrais e monastérios

Desenhadas sobre o espelho do plácido Rio Kamenka, cúpulas douradas, azuis e verdes coroam igrejas ortodoxas que floresceram na Rússia Kievana a partir do século 12

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Carl F Bagge/Flickr
 

Joia do Anel de Ouro que abraça Moscou, a história é recontada pelos monumentos desse museu a céu aberto. Embora saqueada diversas vezes, Suzdal resistiu bravamente com os seus monastérios ortodoxos, forjados para a luta e defesa militar no processo de consolidação do Estado russo e, mais tarde, à Segunda Guerra Mundial.



Listada pela Unesco entre as localidades de maior valor histórico, Suzdal, hoje com seus menos de 10 mil habitantes, teve grande relevância para a história da unificação da Rússia tal qual a conhecemos hoje. Em 1125, Yury Dolgoruky, um nobre de ascendência nórdica, mandou ali construir um Kremlin de madeira contra os ataques externos e a transforma em capital do Principado de Suzdal-Rostov. Entre os seus domínios estava um certo assentamento denominado Moscou, onde Yury Dolgoruky funda uma primeira fortificação, naquilo que, mais tarde, se transformaria no espetacular Kremlin, que se levanta atualmente no coração da Praça Vermelha.

O Principado de Suzdal Rostov, assim como outros, a saber, o de Kiev, o de Novgorod e o de Vladimir, em diferentes tempos e locais, são responsáveis por fazer prosperar a ideia de uma nação de eslavos-russos, num período em que esses povos, dada a inferioridade militar, sofriam constantes invasões estrangeiras. Apesar de perder a condição de mais importante centro político do maior principado russo do Noroeste da atual Federação Russa, com a transferência, em 1157, de sua capital para Vladimir, distante 35 quilômetros, Suzdal vai continuar sendo um importante centro comercial da segunda metade do século 12, até as invasões tártaro-mongólicas do século 13.

Carl F Bagge/Flickr
Mesmo depois de as tribos mongólicas destroçarem e submeterem a Rússia Kievana (1223 a 1240), Suzdal continuou forte entreposto comercial entre principados coligados. Sob Ivan IV, o Terrível — também chamado o Temível —, eslavos-russos viram a página da dominação tártaro-mongólica, conquistando e anexando, no século 16, o território de Kazan. Ivan fez -se coroar o primeiro tzar da Rússia e Suzdal voltou à história como importante centro religioso. Os seus comerciantes construíram mais de 30 igrejas e, posteriormente, foi transformada em uma das sedes do Arcebispado da Igreja Ortodoxa Russa.

 

Na cidade, foram, a partir daí, construídos e ampliados vários monastérios e conventos, entre eles o da Intercessão — para onde eram desterradas as esposas indesejadas dos tzares –, além do Monastério de São Euphemio, que tem impressionante fortificação para a defesa contra agressões católicas, representadas pelos exércitos poloneses e lituanos, por volta do século 17. Nos tempos soviéticos, São Euphemio funcionou como prisão política e, na Segunda Grande Guerra, o famoso marechal Von Paulus, alemão, foi ali encarcerado depois de sua rendição e captura, em Stalingrado.

Mas não só de mosteiros fortificados e cúpulas arredondadas vive a pequena Suzdal. Um museu-vila em madeira ressuscita em construções de época a dura vida dos camponeses russos, o que de certa forma explica algumas das motivações para a Revolução de 1917.

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