RODEIO

Ajeite a fivela, prepare o chapéu e curta as festas de rodeio pelo Brasil

As festas de rodeio são tradição nas cidades do interior do Brasil, atraindo cada vez mais pessoas para os grandes eventos country do país. Além disso, surgem como novos roteiros turísticos

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postado em 08/11/2017 20:00 / atualizado em 08/11/2017 16:37

Guilherme Soares/Flickr

Arenas, peões, cavalos, música e muita alegria são os ingredientes principais das festas de rodeio no Brasil. Amantes do country de todo o país viajam durante o ano atrás das famosas “festas de peão”, muito comuns no interior de São Paulo, de Minas Gerais e do Mato Grosso do Sul. Não se sabe ao certo quando a tradição começou por aqui, mas a história da mais famosa festa de rodeio do Brasil, a Festa do Peão de Barretos, em São Paulo, se confunde com a do rodeio brasileiro.


Em meados da década de 1950, Barretos tinha na pecuária sua principal atividade econômica. Com isso, a cidade era passagem obrigatória dos boiadeiros, que levavam o gado de todo o país para ser abatido no local. Mas eram os peões das comitivas que, reunidos para descansar, acabavam criando mil maneiras para se divertir e, como não poderia deixar de ser, nesses encontros mostravam suas habilidades com os animais. Essa competição amigável adquiriu grandes proporções e, em 1956, foi lançada a 1ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos. Sob a lona de um velho circo, a tradição do rodeio começou, e os mesmos peões que passavam meses viajando pelos estados brasileiros se tornaram estrelas do famoso evento.

O presidente do Rodeio de Barretos de 2017 e membro do grupo Os Independentes (associação sem fins lucrativos que organiza o rodeio da cidade), Hussein Gemha Junior, conta que o evento representa muito mais do que uma festa para Barretos. Com o maior público do Brasil, chegando a quase um milhão de pessoas, o evento da cidade movimenta R$ 200 milhões da economia da região, em um raio de 140km. Segundo Hussein, são empregados, todos os anos, cerca de 3 mil pessoas diretamente e 9 mil indiretamente. “Vem gente do Brasil inteiro e até do exterior. Como a cidade não comporta essa quantidade de pessoas, elas vão para as cidades aqui do lado, como Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, o que ajuda na economia delas também”, explica.

 

Valores e tradição atraem famílias 

André Monteiro/Flickr
 

A educadora física Raquel de Barros, 36 anos, frequenta as festas de peão desde os 16 anos, totalizando 13 rodeios até agora. Ela conta que o interesse pelo evento surgiu quando ela morava no Pará, onde muitos dos seus amigos participavam das competições.  Para ela, o rodeio representa muito mais do que festas e torneios. “É a cultura sertaneja autêntica, na qual são passados valores e tradições. Apesar de muitas pessoas não saberem, é uma festa de família, em que é possível ver pais, mães e filhos se divertindo juntos”, conta Raquel.

O presidente do Rodeio de Limeira, Marcelo José Coghi, 58 anos, explica que um dos motivos do sucesso da festa é a diversidade. “Existem várias atrações, como provas equestres, montarias em touros, balada eletrônica e shows sertanejos. Com isso, a festa consegue agradar a diversas faixas etárias”, esclarece. O presidente diz que o rodeio da cidade possui uma responsabilidade social e ambiental, o que agrada ao público. Só na edição deste ano foram arrecadadas 2,5 toneladas de alimentos e 1,7 tonelada de material reciclado.

Arquivo pessoal
Viagens

O caminhoneiro Silvano Marcos Milhomem, 41 anos, conta que aproveita para assistir aos rodeios e às cavalgadas, que são mais difíceis de acompanhar fora desses eventos. Por sempre viajar pelas estradas, Silvano passa frequentemente por cidades em que a prática do rodeio é tradição. Há 10 anos, ele foi para a primeira festa, e depois disso, não conseguiu mais parar — para Silvano, a energia do evento é incomparável. “Mesmo nos shows é possível sentir a diferença do público. Quem vai para as festas de rodeio realmente gosta do universo country”, avalia.

Seja para curtir o show ou para aproveitar as competições de rodeio, as festas de peão são um fenômeno no Brasil. O rodeio, assim como a vaquejada, é considerado manifestação cultural nacional e patrimônio cultural imaterial.

 

Objetivo: resistir

 

Conheça algumas das modalidades do rodeio definidas internacionalmente:

José Soares Silva Júnio/Flickr

Cutiano
Modalidade brasileira praticada apenas no país, o peão fica amarrado à peiteira do animal apenas por duas cordas. O caubói deve permanecer oito segundos montado, sem tocar o braço livre no animal, na cerca ou em si.

Sela americana
É a mais antiga e técnica da história do rodeio. Utiliza-se uma sela rústica, sem pito, com os estribos avançados e um cabresto específico para o estilo. Também vale a regra dos oitos segundos e do toque.

Bareback
Nessa modalidade, o competidor precisa usar uma luva para segurar a alça, amarrada na cernelha (entre a crina e o dorso) do animal. A regra é a mesma das anteriores.

Bull Riding
Tipicamente americana, essa categoria chegou ao Brasil na década de 1970. Nela, é permitido trocar de animal caso o escolhido não ofereça 100% de desempenho na prova. O peão deve ficar oito segundos montado com um braço esticado para cima.

Laço de bezerro
O competidor, montado no cavalo, deve laçar o pescoço do bezerro, amarrar três patas do animal e levantar as duas mãos para indicar o fim da prova. O ganhador é quem realizar a laçada mais rápida, sendo que o tempo limite é de 120 segundos.

Laço em dupla
Os cavaleiros precisam laçar um bezerro de aproximadamente 200kg. A competição só acaba quando os dois conseguirem laçar o animal e se posicionarem um em frente ao outro com as cordas esticadas. Vence a dupla que executar a tarefa no menor tempo.

Bulldogging
Essa categoria exige muita técnica e precisão. Em dupla, um caubói faz o trabalho de esteira (uma espécie de obstáculo para o boi não escapar por um dos lados) e o outro salta, de um cavalo em movimento, em cima da cabeça do animal, derrubando-o e virando seu pescoço para o chão. Ganha quem terminar a prova mais rapidamente.

Três tambores
Exclusivo para mulheres, três tambores são colocados a uma certa distância entre eles. A competidora deve partir em linha reta, contornar o primeiro tambor numa manobra de 360º graus, seguir para o segundo e terceiro tambor, repetir a manobra e voltar em disparada para a linha de partida. Para cada obstáculo derrubado, acrescentam-se cinco segundos ao tempo final. A amazona mais veloz vence.

 

* Estagiária sob supervisão de Taís Braga

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