Turismo

Refúgio do sossego: Serra do Espinhaço reúne belezas naturais encantadoras

Cercado por belas montanhas e muito verde, distrito mineiro de Itabira tem nas quedas d'água um de seus principais atrativos, como a Cachoeira Alta

Correio Braziliense




Para quem procura por um refúgio nessa correria nossa de cada dia, Ipoema, distrito de Itabira (MG), com pouco mais de 2.800 habitantes e a cerca de 820 quilômetros de Brasília pela estrada (pouco mais de oito horas de viagem), pode ser uma ótima escolha para um fim de semana de relaxamento. A região, localizada na Serra do Espinhaço, tem uma paisagem natural que, de cara, encanta os visitantes: cercada por belas montanhas e muito verde, tem nas cachoeiras um de seus principais atrativos.

A melhor época do ano para visitação vai de março a novembro, uma vez que, no período chuvoso, o volume de água aumenta consideravelmente, elevando a dificuldade de acesso e impondo até certo risco aos turistas. Algumas cachoeiras, inclusive, nem são liberadas para visitação... A mais famosa delas é a Cachoeira Alta, também conhecida como Cachoeira do Macuco. Com seus 110 metros de queda d’água, atrai tanto turistas interessados apenas em contemplar a natureza e desfrutar de um bom mergulho quanto praticantes de esportes radicais (rapel e tirolesa).

Localizada na Fazenda Cachoeira Alta, a apenas 12 quilômetros do distrito, ela fica dentro de uma propriedade particular e, por isso, é cobrada uma pequena taxa para visitação. Mas vale a pena cada centavo... O local tem boa estrutura, com restaurante, lanchonete e área de camping (também pagos à parte).

Na mesma área estão as cachoeiras do Meio e do Patrocínio Amaro. Com queda d’água de 40 metros, a do Meio exige certa dose de sacrifício, por estar em um local de difícil acesso, na parte de cima da Cachoeira Alta. Vale para quem gostar de trilhas e/ou tiver mais espírito aventureiro. Já a do Patrocínio Amaro é para os adeptos da “lei do menor esforço”: apropriada para banhos, a cachoeira é formada por duas quedas que totalizam 50 metros.

Suas águas descem por um paredão rochoso, que forma uma pequena gruta cercada de mata nativa e uma “praia” com direito a areia e tudo mais.

 

Nas montanhas um clima de aventura

 

A igreja matriz, de Nossa Senhora da Conceição, foi construída entre os anos de 1915 e 1934


Outra boa opção para quem deseja contemplar as paisagens das montanhas — e abusar do cartão de memória do celular — é o Mirante Morro Redondo. Do alto de seus 1.200 metros, é possível ter uma visão de 360 graus de toda a região. Alguns o procuram para a prática de meditação, como forma de estar ainda mais em sintonia com a natureza. No topo do morro encontra-se a singela Capela do Senhor do Bonfim. Vale uma pequena pausa para agradecer por todas as belezas desfrutadas ao longo do dia. Se você quiser planejar a visita à região para o primeiro sábado do mês de maio, poderá até participar da Caminhada de Santa Cruz, que atrai centenas de pessoas anualmente: são 13 quilômetros de caminhada de Ipoema até o Morro Redondo.

Caso você ainda não tenha saciado a vontade de interagir com a natureza, pode dar uma “esticadinha” até o Parque Estadual Mata do Limoeiro, com sede localizada na Fazenda Santa Rosa (entrada gratuita de terça-feira a domingo, das 8h às 16h). Criado em março de 2011, com 2.056 hectares, o parque é repleto de cachoeiras que se adaptam a todos os gostos — e preparo físico, é claro — dos visitantes: 20 minutos de caminhada até a Cachoeira do Gabriel, 45 minutos para a do Paredão, e uma hora para a do Derrubado. Outras atrações são a lagoa, a cascata e a Gruta do Limoeiro e os diversos mirantes, como o do Alto Campestre, o do Lobo, o do Campestre, o da Mata do Segredo... Se você ficar só mesmo um dia na região, fica até difícil escolher qual deles visitar.

Aventureiros são atraídos pelas caminhadas que levam, principalmente, ao Morro Redondo


Antes de pegar o caminho de volta para casa, não há como não desfrutar de um precioso tempo na sede do distrito. Integrante do chamado Caminho dos Diamantes, que, no século 18, ligava o Rio de Janeiro a Diamantina, Ipoema foi importante ponto de passagem para os tropeiros, homens que, no lombo de mulas e cavalos, eram responsáveis por comercializar esses animais e também alimentos para toda a região mineradora. Nada mais natural do que receber uma espécie de ‘homenagem’, com a implantação do Museu do Tropeiro.

Localizado no Centro do distrito (Travessa Professor Manoel Soares, 217), o museu pode ser visitado praticamente todos os dias (de terça-feira a sábado, das 8h30 às 12h e das 13h às 17h; aos domingos e feriados, das 9h às 12h e das 13h às 16h) e tem acervo com mais de 500 objetos, que resgatam os valores da cultura tropeira, além de contar com sala de artesanato e rancharia. Os utensílios de cozinha são mesmo atração à parte, seja pela beleza e rusticidade, seja pela criatividade de algumas peças.

Para completar, de maio a outubro — em especial aos sábados de lua cheia — ainda é realizada a tradicional Roda de Viola, com os participantes vestidos a caráter, numa verdadeira volta no tempo. Melhor do que isso, só mesmo no último fim de semana de março, quando é realizada a festa em comemoração ao aniversário do museu, com direito a apresentações como as dos grupos das Lavadeiras, dos Estaladores de Chicotes, dos Sons da Topa, dos Meninos Trovadores da Estrada Real e da Comitiva do Berrante.

A mata do Limoeirooooooo, que guarda a gruta com o mesmo nome, é um dos passeios mais apreciados


Prosear

Depois da visita ao museu, vale também dar um pulinho até a Igreja Nossa Senhora da Conceição, construída entre 1915 e 1934. Em estilo eclético, ela apresenta partido retangular e é concebida como capela de nave única e sacristia transversal ao fundo. Para quem gosta de observar detalhes da arquitetura das cidades que visita, as casas ao redor da igreja também são um prato cheio. Mas, se o seu negócio for mesmo uma boa dose de prosa, nada melhor do que parar em um bar da região, provar um tira-gosto e aproveitar a hospitalidade dos moradores de Ipoema.

Se você ficar com um gosto de “quero mais” (o que é bem provável) e tiver mais tempo à disposição, o distrito dispõe de boas pousadas, geralmente com generosos cafés da manhã. Mas, se esse, infelizmente, não é o seu caso, pé na estrada novamente. A “despedida em alto estilo” pode ser uma última parada em Itabira, para visita ao Memorial Carlos Drummond de Andrade, em homenagem a um dos maiores poetas brasileiros. Mas o ideal mesmo seria fazer outro bate e volta para decifrar a fundo a “Cidade dos Ferros”. (FT)


Serviço

Museu do tropeiro

(31) 98891-9106 e (31) 3839-2991

Parque Mata do Limoeiro

(31) 3799-9292