IPOEMA

Refúgio do sossego: Serra do Espinhaço reúne belezas naturais encantadoras

Cercado por belas montanhas e muito verde, distrito mineiro de Itabira tem nas quedas d'água um de seus principais atrativos, como a Cachoeira Alta

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postado em 12/11/2017 10:00 / atualizado em 10/11/2017 16:11

Ass. Cidades Hist. Mineiras/Roneijober Andrade/Divulgação


Para quem procura por um refúgio nessa correria nossa de cada dia, Ipoema, distrito de Itabira (MG), com pouco mais de 2.800 habitantes e a cerca de 820 quilômetros de Brasília pela estrada (pouco mais de oito horas de viagem), pode ser uma ótima escolha para um fim de semana de relaxamento. A região, localizada na Serra do Espinhaço, tem uma paisagem natural que, de cara, encanta os visitantes: cercada por belas montanhas e muito verde, tem nas cachoeiras um de seus principais atrativos.


A melhor época do ano para visitação vai de março a novembro, uma vez que, no período chuvoso, o volume de água aumenta consideravelmente, elevando a dificuldade de acesso e impondo até certo risco aos turistas. Algumas cachoeiras, inclusive, nem são liberadas para visitação... A mais famosa delas é a Cachoeira Alta, também conhecida como Cachoeira do Macuco. Com seus 110 metros de queda d’água, atrai tanto turistas interessados apenas em contemplar a natureza e desfrutar de um bom mergulho quanto praticantes de esportes radicais (rapel e tirolesa).

Localizada na Fazenda Cachoeira Alta, a apenas 12 quilômetros do distrito, ela fica dentro de uma propriedade particular e, por isso, é cobrada uma pequena taxa para visitação. Mas vale a pena cada centavo... O local tem boa estrutura, com restaurante, lanchonete e área de camping (também pagos à parte).

Na mesma área estão as cachoeiras do Meio e do Patrocínio Amaro. Com queda d’água de 40 metros, a do Meio exige certa dose de sacrifício, por estar em um local de difícil acesso, na parte de cima da Cachoeira Alta. Vale para quem gostar de trilhas e/ou tiver mais espírito aventureiro. Já a do Patrocínio Amaro é para os adeptos da “lei do menor esforço”: apropriada para banhos, a cachoeira é formada por duas quedas que totalizam 50 metros.

Suas águas descem por um paredão rochoso, que forma uma pequena gruta cercada de mata nativa e uma “praia” com direito a areia e tudo mais.

 

Nas montanhas um clima de aventura

 

Ass. Cidades Hist. Mineiras/Roneijober Andrade/Divulgação


Outra boa opção para quem deseja contemplar as paisagens das montanhas — e abusar do cartão de memória do celular — é o Mirante Morro Redondo. Do alto de seus 1.200 metros, é possível ter uma visão de 360 graus de toda a região. Alguns o procuram para a prática de meditação, como forma de estar ainda mais em sintonia com a natureza. No topo do morro encontra-se a singela Capela do Senhor do Bonfim. Vale uma pequena pausa para agradecer por todas as belezas desfrutadas ao longo do dia. Se você quiser planejar a visita à região para o primeiro sábado do mês de maio, poderá até participar da Caminhada de Santa Cruz, que atrai centenas de pessoas anualmente: são 13 quilômetros de caminhada de Ipoema até o Morro Redondo.

Caso você ainda não tenha saciado a vontade de interagir com a natureza, pode dar uma “esticadinha” até o Parque Estadual Mata do Limoeiro, com sede localizada na Fazenda Santa Rosa (entrada gratuita de terça-feira a domingo, das 8h às 16h). Criado em março de 2011, com 2.056 hectares, o parque é repleto de cachoeiras que se adaptam a todos os gostos — e preparo físico, é claro — dos visitantes: 20 minutos de caminhada até a Cachoeira do Gabriel, 45 minutos para a do Paredão, e uma hora para a do Derrubado. Outras atrações são a lagoa, a cascata e a Gruta do Limoeiro e os diversos mirantes, como o do Alto Campestre, o do Lobo, o do Campestre, o da Mata do Segredo... Se você ficar só mesmo um dia na região, fica até difícil escolher qual deles visitar.

Ass. Cidades Hist. Mineiras/Roneijober Andrade/Divulgação


Antes de pegar o caminho de volta para casa, não há como não desfrutar de um precioso tempo na sede do distrito. Integrante do chamado Caminho dos Diamantes, que, no século 18, ligava o Rio de Janeiro a Diamantina, Ipoema foi importante ponto de passagem para os tropeiros, homens que, no lombo de mulas e cavalos, eram responsáveis por comercializar esses animais e também alimentos para toda a região mineradora. Nada mais natural do que receber uma espécie de ‘homenagem’, com a implantação do Museu do Tropeiro.

Localizado no Centro do distrito (Travessa Professor Manoel Soares, 217), o museu pode ser visitado praticamente todos os dias (de terça-feira a sábado, das 8h30 às 12h e das 13h às 17h; aos domingos e feriados, das 9h às 12h e das 13h às 16h) e tem acervo com mais de 500 objetos, que resgatam os valores da cultura tropeira, além de contar com sala de artesanato e rancharia. Os utensílios de cozinha são mesmo atração à parte, seja pela beleza e rusticidade, seja pela criatividade de algumas peças.

Para completar, de maio a outubro — em especial aos sábados de lua cheia — ainda é realizada a tradicional Roda de Viola, com os participantes vestidos a caráter, numa verdadeira volta no tempo. Melhor do que isso, só mesmo no último fim de semana de março, quando é realizada a festa em comemoração ao aniversário do museu, com direito a apresentações como as dos grupos das Lavadeiras, dos Estaladores de Chicotes, dos Sons da Topa, dos Meninos Trovadores da Estrada Real e da Comitiva do Berrante.

Ass. Cidades Hist. Mineiras/Roneijober Andrade/Divulgação


Prosear

Depois da visita ao museu, vale também dar um pulinho até a Igreja Nossa Senhora da Conceição, construída entre 1915 e 1934. Em estilo eclético, ela apresenta partido retangular e é concebida como capela de nave única e sacristia transversal ao fundo. Para quem gosta de observar detalhes da arquitetura das cidades que visita, as casas ao redor da igreja também são um prato cheio. Mas, se o seu negócio for mesmo uma boa dose de prosa, nada melhor do que parar em um bar da região, provar um tira-gosto e aproveitar a hospitalidade dos moradores de Ipoema.

Se você ficar com um gosto de “quero mais” (o que é bem provável) e tiver mais tempo à disposição, o distrito dispõe de boas pousadas, geralmente com generosos cafés da manhã. Mas, se esse, infelizmente, não é o seu caso, pé na estrada novamente. A “despedida em alto estilo” pode ser uma última parada em Itabira, para visita ao Memorial Carlos Drummond de Andrade, em homenagem a um dos maiores poetas brasileiros. Mas o ideal mesmo seria fazer outro bate e volta para decifrar a fundo a “Cidade dos Ferros”. (FT)


Serviço

Museu do tropeiro

(31) 98891-9106 e (31) 3839-2991

Parque Mata do Limoeiro

(31) 3799-9292 

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