ITÁLIA

Descubra as belas torres italianas que guardam muitas história

No coração da Toscana, próximo a Florença, está San Gimignano. Do alto da colina se erguem 13 edificações que um dia foram 72

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postado em 13/11/2017 10:00 / atualizado em 10/11/2017 14:45

Nico de Muyt/Flickr


Franco Zefirelli transformou-a em palco para cenas de Irmão Sol, irmã Lua (1972) e Chá com Mussolini (1979). Os irmãos Taviani ali filmaram Il Prato. Marcel L’Herbier escolheu-a para cenário de Il fu Mattia Pascal (1925), adaptação da obra clássica de Pirandello, e, entre outros, Henry King, para a filmagem de O príncipe das raposas (1949). San Gimignano está encravada no coração da Toscana, no vale do Rio Elsa, ao longo da Via Francigena, histórica rota de peregrinação que, na Idade Média, cortava os reinos da Inglaterra, da França e a península italiana, conduzindo fiéis até o túmulo de Pedro, em Roma.


Cercada por muralhas, ao topo da colina, San Gimignano exibe as treze longas torres sobreviventes que contam a história de um tempo, entre os séculos 12 e 13, em que 72 delas eram a expressão do poder econômico das famílias de patrícios adversários, partidários de guelfos e gibelinos. Eram edificações dispendiosas, complexas, erigidas com lama e madeira. Muito estreitas, abrigavam cômodos de dois metros quadrados, com poucas aberturas e paredes de até dois metros de espessura, garantindo frescor no verão e calor no inverno.

Gengish Skan/Flickr


Lendas contam de sua fundação. Acredita-se que, em 63 a.C., os irmãos patrícios Muzio e Silvio, envolvidos na conspiração de Catilina contra o cônsul eleito Marco Túlio Cícero (106 – 43 a.C), fugiram para a região, ali construindo dois castelos — Mucchio e Silvia — em torno dos quais se desenvolveria a cidade nos séculos seguintes. Também outra estória atribui a explicação à origem de seu nome: por volta do século 6, no contexto das invasões bárbaras — povos que ocupavam os territórios fronteiriços do Império Romano —, a imagem do Santo Gimignano teria se formado sobre as muralhas, ameaçadas por Totila, rei dos ostrogodos. Mas, embora a pesquisa arqueológica identifique ocupação pré-histórica e os assentamentos mais importantes na região sejam do período dos etrusco, civilização que precedeu a romana, o primeiro documento histórico que menciona San Gimignano data de 929, quando Ugo di Provenza, então marquês do Reino da Provença, cedeu ao Bispo de Volterra a colina adjacente a San Gimignano.

Nas proximidades de Pisa, uma das “rainhas” do Mediterrâneo, San Gimignano vivia o seu esplendor no século 12, explicado, em princípio, por sua localização na rota da peregrinação. A próspera comuna também se destacou na produção de açafrão, vinho grego, no comércio de lã e com empréstimos oferecidos pelo incipiente mercado financeiro. Cresceu e se consolidou ao ponto de, em 1199, declarar-se comuna livre, a princípio governada por cônsules, depois por uma autoridade externa (podestà) chamada por seis meses para a função, neutra em relação à disputa local entre os partidários guelfos e gibelinos. Em que pese na origem as denominações de “guelfos” (apoiadores do papado e da Casa de Welf) e "gibelinos" (partidários da Casa de Hohenstaufen) digam respeito ao amplo conflito pela sucessão do Sacro Império após a morte do imperador Henrique V (1125), em San Gimignano, a polarização transformou-se em disputa pelo domínio do território, expressa na competição pelo esplendor e altura das torres de cada família.

Gengish Skan/Flickr


O declínio chegou com a praga, em 1348. Dois terços da população foram dizimados. Mergulhada à sombra de Florença, San Gimignano perdeu a autonomia política. Dezenas de suas belas torres desmoronaram, outras tantas foram destruídas, muitos de seus palácios entraram em decadência.

Com as ruelas estreitas, calçadas, igrejas e inúmeros acervos — de esculturas em madeira de Jacopo della Quercia a afrescos de Benozzo Gozzoli —, palácios e lendas, a cidade das torres atravessa os séculos na poesia de Folgóre de San Gimignano (1270-1332): onde, nos ricos campos, afundados em orvalho, florescem amargos abrunheiros, maçãs suculentas e ácidas cerejas; onde cada trilha estreita o conduz a rostos lambuzados e gargantas ansiosas; onde o rude campo se lança sobre você. 
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