Turismo

O lado B do Rio: conheça a outra parte da cidade maravilhosa

Esqueça Copacabana, Leblon e Ipanema e aventure-se pelo lado mais tranquilo porém cheio de novidades. Na Barra da Tijuca é possível perceber que o Rio de Janeiro tem tudo, para todos

Quando se pensa em Rio de Janeiro, pensa-se em Copacabana, Ipanema, Leblon. A Barra da Tijuca não costuma estar nos planos do turista, a não ser que ele tenha família por ali. O bairro já foi de difícil acesso, mas desde as Olimpíadas, com metrô e BRT, chegar lá e circular por ali ficou mais fácil e mais desejado.

 

Um dos bairros mais novos da capital do estado, a Barra é conhecida por seus prédios altos, modernos centros empresariais e por abrigar a maior quantidade de Shoppings Centers do Rio de Janeiro, 11 no total. Mas engana-se quem pensa que a região é sem vida e que por ali só tem correria do dia a dia e engarrafamentos. Os prédios residenciais são calmos, afastados um dos outros, as praias são tranquilas e a violência, mais amena. Viver essa outra face do Rio de Janeiro é descobrir que a cidade maravilhosa tem a capacidade de se reinventar e que existem lugares calmos e que podem ser desfrutados por famílias, casais, amigos e até mesmo só.


Para a biomédica Mônica Batista, morar na Barra da Tijuca é uma das melhores coisas porque a calmaria a faz lembrar da infância. “Eu sou de Itaipava, Petrópolis e quando fui morar no Rio de Janeiro eu escolhi morar na Barra porque aqui me passa uma sensação de tranquilidade, a mesma que tinha na minha cidade. Eu me identifiquei com o bairro por causa da qualidade de vida. Não gosto muito de agito e a Barra é um lugar muito acolhedor. As praias são mais bonitas que as da Zona Sul”, diz ela, que mora na região há 15 anos.

A guia turística Tatiana Abreu conta que Lúcio Costa já teve planos para o bairro. “Ele estipulava que os prédios da orla deveriam ter no máximo 5 andares para não bloquear a visão do mar”, conta. Além disso, haveria, na Barra, um complemento da sede da prefeitura, para que os funcionários que moram ali não precisassem ir até a zona sul.

Mônica Batista, com a filha, gosta de morar no bairro, que lembra a sua infância


Não exatamente nos moldes que o urbanista queria, hoje, a Barra está bem urbanizada. Se antes os “barrenses” precisavam ir à zona sul tanto para trabalhar quanto para se divertir, hoje em dia encontram tudo por ali. E o turista, também.

Ainda assim, a Praia da Barra, na zona oeste do Rio e com 18 quilômetros de extensão, tem as areias menos disputadas e mais pacatas, mesmo no verão. Aquela imagem típica de Copacabana em janeiro, vista de cima, com tantos guarda-sóis que é impossível ver a areia não existe ali. Isso, inclusive, tem atraído até mesmo os cariocas da zona sul. O que, na década de 1930 já foi chamado “sertão carioca” pelo Correio da Manhã, hoje é chamado de “Miami carioca”.

O contato com a natureza por ali é outra vantagem. Com muita mata nativa, a área não foi tão explorada com grandes prédios. O bairro abrange três Lagoas, a de Marapendi, a de Jacarepaguá e a da Tijuca, que dão um visual impressionante ao bairro. Além disso, ali não há tantos arrastões na praia e nem tanto perigo nas ruas.

Para o turista que prefere um lugar mais calmo ou que quer tentar algo diferente, ficar na zona oeste do Rio pode ser uma grata experiência. Também é um bom lugar para se hospedar se você quiser ir para praias ainda mais isoladas, como Grumari e Prainha, uma das únicas com o selo de excelência socioambiental Bandeira Azul. O certificado tem reconhecimento internacional e é concedido pela Fundação para a Educação Ambiental (FEE, a Fundation for Environmental Education). Para quem nunca experimentou fazer os programas e passeios que existem na Barra da Tijuca, siga essas dicas que o Turismo separou para uma próxima visita.

 

Pantanal Carioca

 



A Lagoa de Marapendi atravessa o coração da Barra da Tijuca. Percorrendo de carro as avenidas principais do bairro é possível ver parte desse paraíso ainda pouco explorado por moradores e turistas que visitam a região. A fauna e a flora surpreendem e poucos sabem que naquela região existe um estilo de vida que se assemelha ao Pantanal, no centro-oeste do país.

Jacarés, garças, diversas espécies de peixes e outras tantas de anfíbios e insetos são os principais habitantes do lugar. O Pantanal Carioca, como foi batizado pelos moradores ao redor, é um verdadeiro oásis que foge do tradicional passeio praiano curtido pela maioria dos turistas.

Para visitar é preciso ir de barco. Na região existem empresas especializadas no transporte e guia para a melhor experiência no Pantanal Carioca. Rômulo Britto Júnior, proprietário da BWS e idealizador do projeto na Lagoa de Marapendi, trabalha no local há três anos. “Essa região é uma área muito pouco conhecida, encantadora e muito preservada. Esse contraste é bem legal. Ver esses diversos ambientes aqui na Barra da Tijuca é muito interessante. O próprio morador da Barra não conhece e o morador da zona sul, quando chega aqui, fica ainda mais surpreso”. O empresário acredita que o fato de divulgar ajuda a preservar. “Só pelo fato de estar aqui admirando o lugar já estamos trazendo um saldo muito positivo para a região”, afirma.


Programe-se

  • Contato: (21) 3942-0209/99925-2547
  • Valor: R$140 adulto
  • Horários de saída: 11h, 14h e 17h (especial pôr-do-sol)
  • www.bws.tur.br

 

Jeep Tour

 

 



A frota da empresa foi adaptada para passeios a céu aberto. Com um roteiro amplo, o passeio procura enaltecer as belezas da Barra da Tijuca. Por isso, passa pelas principais praias começando pela Praia da Barra e da  Reserva, seguindo até Grumari. Depois, segue para outra parte, a Floresta da Tijuca, que é a maior extensão de Mata Atlântica no Rio de Janeiro. Por lá, não faltam opções de cachoeiras, trilhas e vários pontos turísticos, como o Corcovado, Pedra da Gávea, Pedra Bonita, Vista Chinesa, Mirante Dona Marta.

O Parque Nacional da Tijuca é o mais visitado do Brasil, segundo o Instituto Chico Mendes (ICMBio). O passeio pela floresta é indicado desde para quem deseja praticar atividade física como aqueles que pretendem fazer um piquenique com a família com uma vista de tirar o fôlego.


Para passear
  • Contato: (21) 3486-6379/3486-6384
  • Valor:  R$ 185
  • www.jeeptour.com.br

 

 

» Não perca 

 

Cidade das Artes
O prédio imponente chama atenção desde a avenida — e foi alvo de muita polêmica devido aos custos milionários e aos atrasos na obra, que se arrastou por 13 anos. Atual sede da Orquestra Sinfônica Brasileira, o centro cultural (projetado inicialmente para ser apenas a “Cidade da Música”) acolhe espetáculos de todos os gêneros. Vale conhecer e clicar os ângulos e linhas retas criados pelo francês Christian de Portzamparc, vencedor de um Pritzker (o “Nobel da arquitetura”).
Avenida das Américas, 5300 (Barra da Tijuca)
Contato: (21)  3325-0102

Sítio Roberto Burle Max

Arquiteto e artista plástico, Roberto Burle Marx (1909–1994) foi um dos maiores paisagistas do século 20. Ele deixou sua marca no desenho ondulante do calçadão de Copacabana, no projeto do Aterro do Flamengo e no impressionante jardim desse sítio onde ele viveu, em Barra de Guaratiba, com cerca de 3.5 mil espécies de plantas. Sempre guiadas (é preciso agendar), as visitas incluem a casa e o ateliê.
Estrada Roberto Burle Marx, 2019 (Barra de Guaratiba)
Contato: (21) 2410-1412

Casa do Pontal
Dentro de uma reserva ecológica, o museu guarda a maior e possivelmente a melhor coleção de arte popular do país. São cerca de 8 mil peças, colecionadas durante décadas pelo francês Jacques van der Beuque. No acervo, entre obras menos conhecidas, há exemplares dos bonecos de barro do pernambucano Mestre Vitalino (1909–1963), que reproduzem situações do cotidiano sertanejo.
Estrada do Pontal, 3295 (Recreio dos Bandeirantes)
Contato: (21) 2490-3278
Valor: R$ 12

» Fica a dica

Alguns teatros cariocas estão na Barra da Tijuca. Conheça.


Teatro Bradesco Rio
www.teatrobradescorio.com.br

Teatro Nathalia Timberg
www.teatronathaliatimberg.com.br

Teatro Grandes Atores
www.grandesatores.com.br

 

*Estagiária sob supervisão de Taís Braga

*Viagem a convite rede Lagghetto