SIGA O
Correio Braziliense

TESTE

Novo Chevrolet Tracker, com motor 1.4 turbo, impressiona pela potência

Alertas de segurança e preço competitivo também são destaques do SUV. Mas acessórios de localização e ESP fazem falta

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 06/06/2017 15:15 / atualizado em 07/06/2017 15:42

Geison Guedes - Especial para o Correio / , Álef Calado*

Geison Guedes/Esp. CB/D.A Press
 
O segmento de utilitários vem crescendo exponencialmente no Brasil. De acordo com informações da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), durante o primeiro semestre do ano passado, mais de 144 mil SUVs foram emplacados; aproximadamente 10 mil carros a mais quando comparado com o mesmo período em 2015. Para alcançar o seu lugar ao sol e competir diretamente com modelos como Honda HR-V, Jeep Renegade, Ford Ecosport e Suzuki Vitara, a Chevrolet aposta no recém-estilizado Tracker, com visual e conjunto mecânico novos.
 
O SUV, fabricado no México, chega ao Brasil nas versões LT (R$ 81,9 mil) e LTZ (R$ 92,3 mil). O Veículos testou a topo de linha, que vem com teto solar, sensor de estacionamento, câmera de ré, bancos em revestimento premium, alertas de ponto cego e movimentação traseira (em marcha ré), partida sem chave, abertura das portas por aproximação, ajuste lombar elétrico para o banco do motorista, central multimídia com tela de 7 polegadas, sistema OnStar, luz de circulação diurna em LED e rodas aro 18. Por mais R$ 3,1 mil, o motorista também leva airbags laterais e de cortina, chegando a sete no total.
Geison Guedes/Esp. CB/D.A Press
 
Mesmo sem se tratar de uma nova geração, as mudanças na Tracker foram generosas. Principalmente no visual e conjunto mecânico. A dianteira foi completamente redesenhada, ganhou faróis mais finos com luzes de rodagem diurna na versão LTZ e grade hexagonal com moldura cromada. A frente elegante ficou bem semelhante com a da nova família Cruze, seguindo a tendência da marca. Na traseira, poucas modificações, as lanternas passam a ser de LED e o para-choque ganhou um novo desenho. No interior, outra linha seguida pela montadora é o twin-cockpit, no qual o lado do passageiro segue a mesma forma da do motorista. Os painéis, tanto frontal quanto de instrumentos, foram remodelados e ficaram mais elegantes, mas duas coisas empobrecem a cabine, o ar-condicionado manual e o freio de mão de alavanca, poderiam ser digital e elétrico, consecutivamente.
 
Borboletas
 
A nova Tracker chega ao mercado com motor 1.4 turbo, o mesmo da família Cruze. O propulsor entrega 153 cavalos de potência e 24,5kgfm de torque, quando abastecido com etanol, e 150 cavalos e 24kgfm quando o combustível é gasolina. Por ser turbinado, ele deixa o SUV com uma pegada mais esportiva e agressiva. As respostas do acelerador são muito boas, o mais leve toque faz o utilitário disparar pelo asfalto sem muita dificuldade. A transmissão de seis velocidades atua muito bem com o resto do conjunto mecânico, as trocas são realizadas no momento certo, deixando o carro mais silencioso. No entanto, o modo manual só funciona por meio de botões na própria alavanca, faltaram as borboletas no volante. A posição não é boa e passa pouca segurança, visto que o motorista precisa tirar uma das mãos da direção para aumentar ou reduzir as marchas e, por ser uma tecla, não é um movimento natural.
 
Consumo no limite
Geison Guedes/Esp. CB/D.A Press
 
Outra coisa que se encaixou muito bem no Tracker é a suspensão. Ela é um pouco mais firme do que a de outros concorrentes, até por causa da pegada mais esportiva, mas mesmo assim é bem equilibrada e quase não repassa os desníveis da pista para a cabine. Um ponto de desconforto é o start-stop, que tem o intuito de otimizar o consumo de combustível, desligando e religando o motor sempre que o carro para. No entanto, um mal da montadora e também presente no utilitário é a falta da opção de desligar o sistema, nem todo mundo gosta que o carro fique nesse liga e desliga, principalmente no trânsito pesado. Faltou um pouco de tato por parte da empresa em colocar um simples botão de acionamento.
 
Mesmo com o start/stop ativado em cem por cento do tempo, o Tracker não foi um primor no quesito consumo. Durante o teste, ele fez, em média, 9,5km/l, abastecido com gasolina. O número não é muito ruim, mas também não é muito bom. Pelos dados do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), ele deveria ter feito 10,6km/l, ou seja, quase um quilômetro a menos do que o oficial. E isso em Brasília, que, com suas vias largas e planas, geralmente, o consumo fica mais próximo do rodoviário do que o de cidade.
Geison Guedes/Esp. CB/D.A Press
 
Entre os destaques da versão estão os alertas. É impossível sair com a nova Tracker sem se atentar a pelo menos um deles. Avisos sonoros estão disponíveis para lembrar quem esqueceu de colocar o cinto de segurança — tanto para o motorista quanto para o passageiro — e alertar sobre objetos e outros carros que podem, ou não, aparecer na câmera de ré, na hora de realizar manobras, graças ao sensor de movimentação traseira, que consegue identificar um veículo que se aproxima antes de ele aparecer no campo de visão do condutor. Apesar de não emitirem som, os alertas de ponto cego avisam, a partir de sinais luminosos no retrovisor, sobre a presença de automóveis que, na maioria das vezes, não estão visíveis nos espelhos laterais.

Deslizes
Geison Guedes/Esp. CB/D.A Press
 
Apesar de ter o kit de acessórios quase completo e do bom desempenho na direção, o novo Tracker peca em alguns aspectos. Enquanto o encosto da porta é envolto por um material macio, que se assemelha a borracha, e o porta-luvas é revestido em couro sintético, a montadora continua apostando no plástico duro para o painel e console central do SUV, material pouco encontrado em outros concorrentes, como HR-V, Vitara e Renegade.

Em tradução livre, tracker significa “rastreador”. Apesar do nome, é bom comprar um GPS antes de conduzir o utilitário, visto que a segunda geração do MyLink, sistema multimídia que equipa o utilitário, não conta com a opção. Nem mesmo a navegação por setas, presente até no Onix e no Prisma, modelos de entrada da montadora. Uma das melhores opções — o sistema de concierge do OnStar — fica obsoleta, pois não adianta pedir um endereço ou localização, já que a central não conta com navegador.
Geison Guedes/Esp. CB/D.A Press
 
O grande deslize da Chevrolet no utilitário, no entanto, foi não colocar, nem como opcional, os controles de estabilidade e tração. Se a montadora queria manter um preço competitivo — o SUV é bem mais barato que os principais concorrentes — poderia ter colocado os sistemas no pacote Plus da versão LTZ, e cobrar um pouco mais por isso. O importante é dar opção de escolha aos clientes. E, por ser um carro alto, a falta do ESP é crucial na questão segurança.
 
Estagiário sob orientação de Taís Braga
 
Ficha técnica 
 
Motor: 1.4 turbo de 153cv a 5.200rpm e torque de 24,5kgfm a 2.000rpm (e) e 150cv a 5.600rpm e torque de 24,0kgfm a 2.100rpm (g)

 

Transmissão: automática de 6 velocidades


Direção: elétrica

Porta-malas: 306 litros

Suspensão: independente tipo McPherson na dianteira e semi-independente na traseira

Freios: a disco na dianteira e tambor na traseira

Consumo: 9,5km/l na cidade, com gasolina

Preço: R$ 92,3 mil
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.