Problemas constantes: confira dicas para uma melhor manutenção do veículo

Seja por desgaste natural, seja por falta de cuidado do motorista, algumas peças podem comprometer o funcionamento do automóvel.

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postado em 10/06/2017 15:00

Álef Calado - Especial para o Correio

Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press

Por mais tecnológicos e modernos, os carros são compostos por sistemas complexos que precisam passar por revisões e manutenções periódicas. Para não ter muita dor de cabeça, o ideal é seguir a algumas recomendações gerais das montadoras. Os fluidos — e seus respectivos filtros — devem ser trocados, em média, a cada 10 mil km; as pastilhas e discos de freio, assim como as correias dentadas, desgastam e precisam de atenção especial a cada 30 ou 40 mil km; o nível da água do reservatório do radiador não pode ficar muito abaixo do limite e tanto as velas quanto os cabos de vela precisam ser substituídos.


As montadoras fazem de tudo. Quando o proprietário deixa para fazer as manutenções só quando o carro para de andar, o estrago pode ser ainda maior. “Ao pular as manutenções preventivas, o proprietário está sujeito a realizar a chamada manutenção corretiva, que ocorre depois da quebra de um dos componentes. Ela acaba sendo bem mais cara que a preventiva porque além de substituir a peça danificada, o mecânico tem que substituir outro sistema que também possa ter quebrado”, explica Gerson Burin, coordenador técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária da Mapfre- Cesvi Brasil.


Mesmo com todas as manutenções em dia, pode acontecer de uma peça ou outra simplesmente parar de funcionar. É o que acontece com o universitário Cairo Oliveira, 22 anos, que roda bastante com seu Chevrolet Classic 2008 e leva o carro para fazer revisões preventivas praticamente todos os meses. “Como ele já é de idade, às vezes tem que trocar algumas peças por conta do desgaste natural. O que me deu dor de cabeça de verdade foi a caixa de direção, que deu uma folga e precisou ser trocada. Não é um reparo muito barato e parece ser crônico, porque eu já vi outros dois Classics com o mesmo problema”, conta.


O rapaz, que é estudante de engenharia automotiva na Universidade de Brasília (UnB) reclama da quantidade de peças feitas de plástico. “Eu estava mexendo no carro de um amigo, trocando algumas peças do sistema de arrefecimento, e fiquei assustado com o tanto de plástico que tem. São peças submetidas a grandes variações de temperatura e não me parece ser um material adequado para a durabilidade que esses componentes deveriam ter. Com o tempo, ele racha, estoura, resseca, e você tem que ficar trocando. Eu já tive problema com o tubo d’água, que faz parte do arrefecimento e também é feito de plástico. Ele estourou e, como o carro tava funcionando, a água vazou inteira. Se eu não tivesse percebido por causa da temperatura, a junta do cabeçote poderia superaquecer e queimar.”

Manutenção
O universitário Ulysses Soares, 21 anos, também costuma ter algumas dores de cabeça com o Volkswagen Polo 2006/2007. “De seis em seis meses, mais ou menos, eu preciso trocar o anti-chama e a mangueira dele. Em tese, era uma peça que deveria durar, já que faz parte do motor, mas eu já levei para trocar umas oito vezes. O mecânico não soube explicar porque isso acontecia, disse que era um problema crônico dos modelos mais antigos da Volks. E deve ser mesmo, porque eu já tive um Gol 2008 com o mesmo problema”, lembra.

Álef Calado/Esp.CB/D.A Press

Nem sempre, o problema é exclusivamente de uma das peças ou sistemas do veículo. A maneira como o dono conduz, os anos de uso do carro e até mesmo a utilização de produtos certificados pode influenciar no bom funcionamento do automóvel. “O que acontece, muitas vezes, principalmente em veículos mais velhos ou com mais de um dono, é o histórico não muito favorável. A falta de manutenção de alguns componentes, o uso de fluidos impróprios — como água normal no lugar do líquido de arrefecimento, por exemplo — a idade do motor e até mesmo a maneira como o motorista dirige e às vias pelas quais ele costuma rodar, interferem”, explica Gerson.

 

Garantia de 90 dias

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, a garantia legal para bens duráveis é de 90 dias a partir da retirada do produto ou finalização do serviço. Esse é o prazo que os motoristas têm para solicitar a troca de alguma peça defeituosa. “A garantia dada pela montadora é complementar à garantia legal e cobre a troca de peças de acordo com o manual do proprietário e o termo de garantia. Peças e acessórios de desgaste natural, como as pastilhas de freio, não são incluídas nesta garantia”, explica Daniel Saraiva, especialista em direito do consumidor da Saraiva Felizola & Barros Advogados.


Vale ressaltar que os serviços devem ser obrigatoriamente realizados em uma das concessionárias autorizadas pela montadora. “O consumidor perde a garantia dada pela fabricante se optar por realizar o reparo em outra oficina. Caso o motorista utilize o veículo em condições extremas, como competições esportivas, ou sem os cuidados normais de manutenção, ele também pode perder a garantia. Se o automóvel tem uma pane seca, ocasionada por falta de combustível, e em razão desse evento há dano em alguma peça, a garantia não cobriria a troca”, conclui.


Quando a servidora pública Priscila Batista, 24 anos, precisou arrumar o cambio e trocar a junta do cabeçote do seu Volkswagen Gol G5, ela optou por fazer o serviço em uma das autorizadas da montadora em Brasília. “Levei o carro lá e eles disseram que cobria. Arrumaram o cambio e eu nunca mais deu problema. A junta já voltou a quebrar outras quatro vezes por conta de um vazamento no radiador. Nem o mecânico que eu levo para arrumar e nem a concessionária conseguiram descobrir como resolver esse contratempo”, conta.

 

SOS

Na garantia
Fiat Bali
(61) 3362-6200

Saga Volkswagen
(61) 3403-9393

Premier Renault
(61) 3961-1000

Smaff Ford
(61) 3348-7000

Planeta Chevrolet
(61) 3362-2400

Fora da garantia
Centro Automotivo Serjão
(61) 3376-3132

Lorival Centro Automotivo
(61) 3039-1643

Mecânica Mundial
(61) 3541-1281

Centro Automotivo Araújo
(61) 3465-2450

 

Fáceis de arrumar

O CESVI BRASIL realiza, todos os anos, o Prêmio CAR Group, que reúne os modelos fabricados tanto no Brasil quanto no exterior* que alcançaram as maiores pontuações no quesito custo e reparação. Para determinar os ganhadores, a empresa realiza testes de impacto com colisões traseiras e dianteiras a apenas 15km/h, estuda a proporção dos danos e determina os custos e facilidades do reparo. Na última edição, realizada em dezembro de 2016, o primeiro lugar ficou com o Volkswagen Up!, na categoria hatch compacto; o segundo com o Volkswagen Cross Up!, na categoria hatch compacto off-road; e o Fiat Bravo com a terceira posição, na categoria hatch médio. Você confere o ranking completo em www.cesvibrasil.com.br/site.aspx/Indices.

* Veículos que não estão mais na linha de produção das montadoras, esportivos fora-de-série, picapes e utilitários com mais de 2300kg ficam de fora do ranking.

 

* Estagiário sob supervisão de Taís Braga

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