LANÇAMENTO

Briga acirrada: Renault apresenta Captur com câmbio automático CVT

Mais vendido na Europa, o modelo francês aprimora o sistema de transmissão para se fortalecer na disputa pelo segmento que conta com concorrentes de peso

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Geison Guedes/Esp.CB/D.A Press
 

Niterói (RJ) — Atualmente, o segmento de automóveis mais disputado no Brasil é, de longe, o de SUVs compactos. As montadoras apostam nesse tipo de veículo, que se tornaram os queridinhos do momento. Se, por um bom tempo, o modelo contou com apenas um representante, hoje em dia são pelo menos 12 tipos de utilitários de porte pequeno rodando pelas vias das cidades.

Um do mais novos representantes da categoria é o Renault Captur. O SUV francês é, disparado, o mais vendido na Europa. Por aqui, a montadora tenta recuperar o prestígio adquirido à época do lançamento do Duster, outro representante do segmento. O mais novo utilitário da marca foi apresentado oficialmente aos brasileiros no Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, em novembro passado.

O lançamento oficial ocorreu em fevereiro deste ano. De lá para cá, cerca de 3,3 mil unidades saíram da fábrica de São José dos Pinhais (PR), região metropolitana de Curitiba, e ganharam as ruas. A Renault, inicialmente, liberou apenas duas versões, a Zen e a Intense. A primeira, com o novo motor 1.6 SCe com câmbio manual, e a segunda, com o antigo 2.0 e a ultrapassada transmissão automática de quatro velocidades. Agora, a francesa junta às opções o câmbio automático CVT com o propulsor 1.6 de 120 cavalos e 16,2kgfm de torque.

Barato
Geison Guedes/Esp.CB/D.A Press

A intenção é clara, atacar o segmento de entrada dos SUVs — a maioria com transmissão  manual — com uma opção automática. A montadora acredita que as duas versões com CVT (a Zen sai por R$ 84,9 mil e a Intense, por R$ 88,4 mil) corresponderão a 60% do mix de vendas do Captur. As outras duas devem corresponder a 20% cada. Dessa forma, o utilitário é o terceiro mais barato — sem contar os chineses — com esse tipo de câmbio. Como nas versões apresentadas no início do ano, as duas atuais vêm bem completas e contam  com apenas dois opcionais cada, a pintura biton (por R$ 1,4 mil) e o Media Nav com câmera de ré na de entrada (R$ 2,5 mil) e bancos revestidos parcialmente em couro na topo de linha (R$ 1,5 mil).

Encontros e desencontros
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O design do Captur chama atenção tanto positiva, quanto negativamente. É difícil afirmar que um carro é bonito, mas podemos dizer que o SUV francês tem o desenho mais diferente, chamativo, que foge do senso comum da categoria. Tem um estilo de beleza a se considerar.

Embora o exterior chame agrade visualmente, o mesmo não podemos dizer do interior. A cabine, muito simples, não acompanha o desenho arrojado da carroceria. Sem desmerecer o irmão mais velho, a cabine do Captur é um Duster atualizado. Os materiais e o acabamento são simplórios. Não exibem o mesmo requinte utilizado no exterior. O desenho da tela da central multimídia, o do volante, e o do ar-condicionado, são parecidos com os do SUV mais antigo e de outros modelos da marca. Não corresponde à ideia de um veículo de quase R$ 90 mil.

No quesito espaço interno, mais uma vez ele se equipara ao Duster, mas dessa vez de forma positiva. Na traseira, três pessoas viajam com conforto, sem muito aperto. O porta-malas de 437 litros é o segundo maior da categoria, perdendo apenas para o Duster. A grande oferta de espaço é um bom trunfo em uma categoria onde esse aspecto é primordial e muito procurado pelos clientes.

 

Transmissão com muito conforto

Renault/Divulgação
 

Na primeira apresentação do Captur, em fevereiro, um detalhe chamou a atenção de todos, as opções de conjunto mecânico. A expectativa era de câmbios e motores mais modernos do que os utilizados atualmente pela marca. A versão de entrada estava dentro do esperado, com o propulsor 1.6 SCe recém-lançado e transmissão manual. Mas a topo de linha foi meio decepcionante, com o velho 2.0 e o ultrapassadíssimo câmbio automático de apenas quatro marchas, algo há muito abolido pela maioria das montadoras.

O esperado era que ele surgisse, em qualquer uma das opções de motor, com uma transmissão CVT, o que não ocorreu. O câmbio escolhido é o Xtronic, o mesmo que a Nissan (a montadora japonesa faz parte de uma aliança com a francesa, e compartilham de plataformas a peças) utiliza no SUV Kicks e nos compactos March e Versa, com pequenas modificações. A Renault optou por escalonar, de forma virtual, seis marchas no CVT.

Ao colocar o câmbio na opção manual, é possível realizar “trocas” de marchas pela alavanca. Mas tudo simulado, até porque, por ser contínuo, o CVT não tem marchas. O principal ponto desse tipo de transmissão é o conforto. Por não ter troca real, não produz solavancos. Ao pisar no acelerador, a correia é comprimida, gerando mais força. Um ponto negativo dos CVTs é a falta de pegada. O câmbio prioriza a comodidade em detrimento da esportividade.

Versões

Renault/Divulgação

Mas, como diversos segmentos, no mundo automotivo, o que vale é a proposta. Você não pode querer, nem exigir, que um veículo como o Captur tenha a mesma dirigibilidade de um hatch, por exemplo. Geralmente, o que se procura em utilitários é conforto e espaço interno generoso. E, no quesito comodidade, o CVT, no geral, se encaixa muito bem.

Durante o lançamento do Xtronic, realizado em Niterói (RJ), o Veículos testou as duas versões (que só diferem nos itens de série/opcionais) do Captur. Em um primeiro e breve momento, foi possível perceber que, em comparação com outros concorrentes, mesmo de categorias diferentes, o CVT do utilitário francês é menos ruidoso que a maioria. Normalmente, esse tipo de câmbio faz muito barulho na casa das 2,5 mil rotações, mas no Xtronic, não. Ele começa a berrar após os 4.000rpm, que é uma condição fora do usual.
Renault/Divulgação

Como o teste foi curto (cerca de 20 quilômetros pela cidade fluminense) não é possível cravar que o encaixe do motor com o câmbio foi perfeito, apenas com uma avaliação maior e mais aprofundada isso poderá ser conferido. Mesmo assim, tudo indica que o casamento foi preciso. Principalmente na parte do conforto na direção e no baixo ruído. Agora, uma coisa que preocupou foi o consumo. Niterói tem um trânsito digno dos maiores centros do país. Em uma parte do trajeto, bastante engarrafado, o Captur chegou a marcar 5,8km/l muito abaixo dos dados oficiais do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

O instituto aponta 10,5km\h na cidade e 11,7km\h na estrada, quando abastecido com gasolina. No entanto, como as impressões de direção, o consumo durante testes-drive de lançamentos não podem ser considerados pela forma que os eventos são feitos. O ideal também é esperar  para ter certeza quanto ao consumo. Mesmo assim, os números são preocupantes.

Completão
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No que remete aos itens de série, o Captur impressiona. Ele conta, entre outros, com partida e abertura das portas sem a chave, controle de estabilidade e tração, quatro airbags (dois frontais e dois laterais), auxiliar de partida em rampa, sensor de estacionamento, piloto automático, Isofix, luz de circulação diurna em LED. A Intense ainda acrescenta ar-condicionado automático (mas não é digital), sensor de chuva e crepuscular e o Media Nav com câmera de ré.

O repórter viajou a convite da Renault

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