TESTE

Entre altos e baixos: as variações do Fiat Mobi com motor de três cilindros

Rodamos na versão Drive carrinho. O propulsor, grande diferencial da configuração, deixou a desejar no consumo, abaixo do esperado pela montadora

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Fiat/Divulgação

O crescimento populacional no mundo causou diversos impactos, principalmente nos grandes centros. Um deles é sobre a mobilidade, mais especificamente, com veículos. A necessidade de locomoção sempre existiu e continua importante, mas com espaços cada vez menores. Com isso, as montadoras começaram a desenvolver modelos supercompactos. Essa nova tendência começou forte na Europa, onde carros pequenos são vistos por todos os lugares, e vem ganhando adeptos no Brasil também. Hoje, dois modelos nacionais se destacam neste segmento, o Volkswagen up! e o Fiat Mobi.

 

Lançado no ano passado, o modelo da montadora italiana chegou com a promessa de ser o carro do ano. Dois principais motivos abalaram a expectativa do carrinho, o preço (muito elevado) e o conjunto mecânico ultrapassado. À época do lançamento, o Mobi foi apresentado com motor 1.0 Fire. No fim de 2016, a Fiat tentou consertar parte do problema com a versão Drive. Com o novo propulsor Firefly de três cilindros da marca, a promessa era que o hatch finalmente se mostrasse de verdade.

 

Testamos o Mobi Drive e podemos comprovar: ele continua não entregando o que promete. Principalmente no quesito consumo. Mas o preço também assusta. A versão é vendida por salgados R$ 40.650, isso sem os opcionais. O modelo testado ainda vem com dois pacotes de adicionais, o Kit Tech (R$ 3.770) e o Kit Connect (R$ 1.480), chegando a impressionantes R$ 45.900.

 

Pelas ruas da cidade

Fiat/Divulgação
 

Vamos aos números: o motor 1.0 de três cilindros da Fiat gera 77 cavalos no etanol e 72 na gasolina, além de 10,9 e 10,4kgfm de torque. O antigo Fire — que ainda equipa as outras versões do Mobi — também é 1.0, mas de quatro cilindros, com 75/73 cavalos e 9,9/9,5kgfm. Para se ter uma ideia, dois concorrentes, um direto e outro indireto, contam com propulsores melhores. O up! vem equipado com um 1.0 de 82/75 cavalos e o Ford Ka com um de 85/80, ambos de três cilindros.

Como o Mobi pesa apenas 945kg, — e mesmo com um motor menos potente que os concorrentes — ele até que é bem esperto na hora da condução, quando tem apenas o motorista a bordo. Nessas situações, o propulsor responde honestamente ao acelerador. Saídas, retomadas de velocidade e até ultrapassagens são feitas de forma tranquila. O câmbio manual de cinco marchas é bem encaixado e as trocas são feitas sem esforço. Agora, com mais duas pessoas dentro do carro, ele sente o peso e a forma de condução muda completamente, todas as manobras ficam mais lentas e o condutor precisa de mais atenção.

Fiat/Divulgação

No quesito consumo, os dados chamam a atenção, por ser normal. O Mobi de três cilindros não é nem econômico, nem beberrão. Segundo os dados do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) ele faz, com gasolina, 13,7km/l na cidade e 16,1km/l na estrada. No entanto, a Fiat garante que ele faz mais. Durante o teste, a Drive marcou 13,5km/l, abaixo do indicado pelo Instituto, mas melhor do que a versão Way On — com motor de quatro cilindros — testada pelo Veículos em outubro do ano passado, que marcou 13km/l.

No quesito espaço interno, não podemos nem criticar, nem elogiar o Mobi, por causa da proposta do modelo. Por ser um supercompacto, a área para os ocupantes não é nada generosa. Com conforto, no máximo três pessoas viajam no carrinho. Quatro complica e cinco é impensável. O porta-malas segue o mesmo padrão, pequenas bolsas ou sacolas, mala grande nem pensar. Mas ele foi feito para isso, mobilidade em grandes centros, com poucos espaços.

Pontos positivos
Fiat/Divulgação

Por ser pequeno (3.566mm de comprimento) ele cabe em qualquer vaga. Não existe aquela coisa de: será que dá para estacionar? Sempre é possível. Provavelmente essa é uma das grandes virtudes do carrinho. Outro ponto legal, e isso é histórico da Fiat, é que o farol acende e apaga ao ligar e desligar o motor, em um momento em que temos que andar com as luzes ligadas — em rodovias — mesmo de dia, é muito útil, principalmente para os mais esquecidos.

Outra coisa ótima no Mobi é a direção elétrica, provavelmente uma das melhores do mercado atualmente, e a mesma que equipa o irmão maior, o Uno. Além de ser leve como qualquer uma do tipo, a Fiat acrescentou uma função chamada City, que deixa o volante ainda mais macio, ideal durante as manobras de estacionamento.

Como a versão testada vem equipada com os pacotes extras, que mesmo caros, são interessantes. Os kits deixam o Mobi mais completo. Com direito a sensor de estacionamento, som bluetooth com comandos no volante, alarme, faróis de neblina, rodas de liga leve e quadro de instrumentos com tela em TFT e computador de bordo, muito completo. Entre outras coisas, é possível verificar as horas do motor, ter consumo A e B, visualizar mensagens na tela, além de contar com velocímetro digital.

 

Fiat/Divulgação


Ficha técnica

  • Motores: 77cv a 6.00rpm e torque de 10,9kgfm a 3.250rpm (e) e 72cv a 6.000rpm e torque de 10,4kgfm a 3.250rpm (g)
  • Dimensões: 3.566mm comprimento; 1.633mm largura; 1.490mm altura e 2.305mm distância entre-eixos;
  • Transmissão: manual de 5 velocidades
  • Direção: elétrica
  • Porta-malas: 235 litros
  • Suspensão: McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
  • Pneus: 175/65 R14
  • Freios: disco na dianteira e tambor na traseira
  • Consumo: 13,5km/l
  • Preço: a partir de R$ 40,6 mil

 

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