Bom mesmo, em termos de nutrição, é ter hábitos alimentares saudáveis

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postado em 12/11/2012 10:44

Mateus Rodrigues, Especial para o Correio , Maria Fernanda Seixas

Primeiro, os cientistas afirmaram que o café fazia mal para o estômago, que era capaz de desencadear a osteoporose e estava ligado a quadros de depressão e de insônia. Depois, a bebida mudou de time. Passou a prevenir as doenças cardíacas, o mal de Alzheimer e seria capaz de diminuir as taxas de açúcar no sangue. Cientistas japoneses chegaram a declarar que o café era o vinho tinto do século 21. Na mesma montanha-russa da popularidade, o ovo já foi o queridinho dos marombeiros, o inimigo dos cardíacos, aumentou e diminuiu expectativas de vida. A dupla já passou por todos os tipos de julgamentos públicos, assim como diversos alimentos que, a cada nova pesquisa, também vão para a berlinda do que “é bom ou não para a saúde”. Com tantas publicações e manchetes decisivas, o mundo se perde entre o que é certo e errado dentro da geladeira.

Para a chef, nutricionista e uma das embaixadoras do movimento Food Revolution no Brasil, Tâmara Rolim, da Nutrichef, a nova tendência é evitar categorizações. “Sou bem avessa aos modismos e a sentenças de como isso faz mal e isso faz bem. Seguir a regra de comer com moderação, enriquecer o seu dia com alimentos frescos, cereais integrais e não exagerar nos eventos sociais, entre outras coisas, são ideias fundamentais para ter uma vida saudável. Sem falar na prática de atividade física, que é indispensável”, aponta.

A tendência, porém, não garante que novos queridinhos subam ao posto de salvadores da alimentação. Os pacientes de Tâmara, por exemplo, estão na fase das perguntas com relação ao óleo de cártamo, frisson do momento. Ele tem benefícios, garante a nutricionista, mas não está em voga por ser miraculoso e, sim, pelos seus 15 minutos de fama.

A nutricionista e palestrante Fabiana Dantas lembra que a quinoa também vem ganhando um marketing forte, despertando o interesse dos que querem uma vida saudável. “A quinoa foi considerada um dos alimentos mais completos em nutrientes pela Academia de Ciências dos Estados Unidos e pela Organização das Nações Unidas (ONU), equiparando-se ao leite materno. O que se sabe é que o cereal previne a osteoporose e o câncer de mama”, lembra. Bastou o status da ONU para que ele lotasse as prateleiras naturebas dos supermercados. “O mirtilo é outro que está fazendo sucesso. Uma fruta altamente antioxidante, o que a deixou conhecida como a fruta da longevidade”, descreve.

Dulce Angelina/Esp. CB/D.A Press
A funcionária pública Sandra Maria Gauche, 49 anos, evita os produtos mal falados na imprensa e consome alimentos naturais aclamados pelas revistas: granola, óleo de coco, pães integrais, vegetais de todas as sortes, quinoa. “Com as informações que a gente recebe, o jeito é filtrar e tentar criar uma rotina alimentar longe do que é dito ruim para a saúde. Eu consumo os produtos naturais porque, do contrário, tenho a sensação de que estou comendo veneno. Me sinto melhor assim”, revela.

Desinformação perigosa

Diferentemente do café e do ovo, os vilões da vez , o sódio e a gordura trans parecem não ter chance de, um dia, entrar para o time dos super-heróis. São vilões irrecuperáveis mesmo que as críticas voltadas a eles ganhem, cada vez mais, uma atenuante contextualização. Algo como, “o problema não é o sal, é a quantidade de sal”. Para Fabiana, o mal desses alimentos tem raízes na educação. “Muitas vezes, em palestras que dou em escolas, peço para visitar a cantina antes, e sempre me deparo com refrigerantes, pizzas, pães de queijo e biscoitos recheados. Precisamos ensinar bons hábitos alimentares para as nossas crianças desde a gestação. O vilão é essa desinformação. E, claro, o sódio e as gorduras saturadas que vêm embutidas em salgadinhos e refrigerantes”, diz Fabiana.

E é no estresse do dia a dia, na desorganização e na falta de uma rotina alimentar correta, que tais “inimigos” encontram espaço para seus malfeitos, despertando no indivíduo a vontade incontrolável de comer doces, industrializados e comidas gordurosas. A conclusão é respaldada por um coro de profissionais: não há alimentos capazes de minar a saúde. Há a capacidade de um indivíduo em seguir hábitos alimentares equilibrados. Ou seja, os vilões da nutrição são os obstáculos que a própria pessoa cria para a boa alimentação. “O x da questão é o comprometimento com a mudança. Como mudar requer tempo e força de vontade, muitos buscam resultados rapidamente e se esquecem que estão comendo errado há anos e o peso que alcançaram não apareceu do dia para a noite”, lamenta Tâmara. Antagonista ou protagonista, a escolha do papel a ser contracenado depende de cada um.

Acima de qualquer suspeita

Se você quer saber quem está em alta e quem está em baixa na sua cozinha, veja as dicas da nutricionista funcional e esportiva Luciane Felix.

Em baixa

Açúcar e farinhas brancas: causam dependência bioquímica. Estão entre os principais formadores de gordura corporal e podem gerar resistência à insulina (pré-diabetes).

Sal: em excesso, deixa nosso paladar insensível, fazendo com que precisemos de cada vez mais tempero. O sódio, tanto no sal quanto nos alimentos industrializados, pode causar pressão alta.

Glutamato monossódico: usado para conservar e dar sabor aos alimentos, também apresenta o sódio em sua composição. Pesquisas indicam a relação entre o produto e quadros de hiperatividade e deficit de atenção.

Gordura hidrogenada: substituiu a gordura trans nas linhas de produção para dar sabor e durabilidade aos alimentos. Como efeito maléfico, aumenta a gordura entre as vísceras e favorece a formação de placas nas artérias.

Corantes e conservantes: as duas classes de produtos favorecem o desenvolvimento de alergias. Quando ingeridos, vão diretamente para o fígado, forçando a atividade do órgão.

Em alta

Ômega 3: encontrado em peixes (como salmão e atum); em grãos (como a linhaça) e em vegetais verdes. Mesmo para quem consome esses alimentos, é recomendada a suplementação por comprimidos. Anti-inflamatório, o ômega 3 ajuda na proteção dos neurônios.

Azeite de oliva: aumenta o bom colesterol, responsável pela limpeza das artérias. É uma boa alternativa aos óleos de cozinha tradicionais, mas não deve ser exposto a altas temperaturas.

Frutas vermelhas: mirtilo, amora, framboesa e morango, por exemplo. A antocianina e outros pigmentos são antioxidantes e ajudam na prevenção de infecções urinárias e outras doenças.

Vegetais verdes-escuros: brócolis, couve-flor e couve de bruxelas são ricos em indole-3-carbinol, que contribui na prevenção do câncer de mama. Além disso, apresentam altas taxas de cálcio, ferro e magnésio.

Óleos naturais: sucesso nas lojas, óleos de plantas como cártamo, argan e coco têm efeitos reconhecidos. No entanto, há que se tomar cuidado com o risco de alergias, que podem cancelar os benefícios e ainda resultar em efeitos colaterais.

Quer saber mais sobre nutrição, saúde, segurança e qualidade de vida? Acompanhe o projeto Viva Melhor do grupo Diários Associados. Nos próximos três domingos, o Correio Braziliense publicará um caderno sobre o tema, além de matérias especiais no jornal Aqui DF. Os leitores também são convidados para as ações, como o Saúde em Dia e a Caminhada Rumo a uma Vida Melhor (ver informações no hot site da página do Correio na internet, no ar a partir de amanhã), e o Concurso Cultural Viva Melhor, com premiações para o vencedor da melhor frase sobre qualidade de vida e segurança.
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