Morar em centros urbanos tem vantagens, mas estresse diário pode prejudicar

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postado em 21/11/2012 11:01 / atualizado em 21/11/2012 13:17

Maria Vitória - especial para o Correio

Congestionamento. Ônibus e metrô lotados. Correria para sair do trabalho e buscar o filho na escola. Filas para almoçar em um restaurante self-service. Noites maldormidas. Barulho excessivo. Quem mora em uma grande cidade, seja ela Brasília, Taguatinga, São Paulo, Londres, Rio de Janeiro ou Nova York, sabe na pele, na mente, no ouvido ou nas pernas do que se trata tudo isso. Nesse cenário pouco agradável e nada saudável vivem cerca de 60% da população urbana. São citadinos com acesso a colégios, universidades, cinema, teatro, hipermercados, shopppings, internet, smartphones e tablets — e mais um sem-número de serviços. E nessa soma de informações, obrigações e desejos, a possibilidade de encontrar o bem-estar físico e psíquico parece minada.

Na contramão de um mundo cada vez mais conturbado, mais e mais pessoas buscam o equilíbrio nessa corda bamba. Tal preocupação com a qualidade de vida começou a ganhar espaço na década de 1990, quando a aceleração do processo de urbanização passou a influenciar a vida das pessoas e o meio ambiente. Conceituar e traduzir essa mudança em números úteis à realização de políticas públicas passou a ser um novo desafio. “O conceito de qualidade de vida urbana situa-se entre o de vida e o ambiental”, diz Maria Inês Pedrosa Nahas, doutora em ecologia, pesquisadora e professora do Instituto de Desenvolvimento Humano Sustentável (IDHS) da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, em artigo publicado pela revista Com Ciência.

Segundo a pesquisadora, essa transferência de enfoque — anteriormente nas pessoas e agora nas cidades — trouxe um segundo desafio à formulação de indicadores: a necessidade de que esses números expressem a capacidade de o governo oferecer determinados serviços. Entre esses serviços estão acesso à saúde, transporte de qualidade, parques e áreas verdes, segurança. São os equipamentos básicos e imprescindíveis que ajudam a diminuir o estresse urbano.

O médico Eduardo Tosta, professor e pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), afirma que viver em metrópoles predispõe naturalmente situações estressantes. “Hoje vivemos amedrontados com o que poderá acontecer nos momentos seguintes. Assaltos e sequestros passaram a fazer parte de nossas preocupações cotidianas, levando-nos a adotar novos hábitos e condutas movidos pelo medo. Tornamos-nos reféns. Tais fatos geram irritação e ansiedade, comprometem nossa qualidade de vida e facilitam o aparecimento ou agravamento de várias doenças”, diz Tosta.

Entre esses distúrbios estão a ocorrência de dislipidemia (aumento do colesterol), obesidade, hipertensão arterial, arteriosclerose, infarto do miocárdio, derrame cerebral, diabetes, osteoporose, imunodeficiências e alergias. Tosta explica que a dimensão mental-emocional também fica comprometida por deficiências de atenção, memória e cognição, além de concorrer para o aumento da depressão, da sensação de dor, de alte- rações do humor e para a redução da libido.

A ansiedade crônica também compromete os relacionamentos interpessoais, manifestando-se na redução da paciência e da tolerância e no aumento da hostilidade, do ressentimento e da agressividade. “Para piorar a situação, o ansioso tende a adotar estilos de vida destrutivos, como o uso de tabaco, álcool, o excesso de alcaloides (café e chocolate), drogas ilícitas e lícitas (ansiolíticos e hipnóticos), além de apresentar tendência para o sedentarismo e para os distúrbios alimentares”, declara o professor da UnB.
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