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Correio Braziliense

Conheça a história da chef que desacelerou a carreira por uma vida melhor

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Clichês de uma vida feliz: uma boa casa, família por perto, relacionamento amoroso estável, amigos fiéis, saúde em dia. No outro extremo, um telefone que não para de tocar, relatórios, salário atrasado, prazos a cumprir. Metade do dia no paraíso e, outra metade, no inferno. A conta é muito simples. Se um adulto dorme cerca de 8 horas por dia, as 16 horas restantes são divididas entre o trabalho e o tempo livre. Se 50% desse tempo ativo são permeados de irritação e mal-estar, o desequilíbrio afetará diretamente a qualidade de vida de uma pessoa. Isso considerando a média de 43,1 horas trabalhadas semanalmente por pessoa, de acordo com a pesquisa A contratação, a demissão e a carreira dos executivos brasileiros, realizada pelo Instituto Catho com mais de 46 mil participantes.

Para a pedagoga empresarial e educadora em desenvolvimento humano Bernadette Vilhena, a relação de interdependência entre qualidade de vida e um trabalho satisfatório é clara. “Da mesma forma que, quando se tem um problema pessoal, o emprego pode ser afetado, um trabalho estressante afeta a vida como um todo. As pessoas passam boa parte da vida fechadas em escritórios, dedicadas a um ofício. Se não estão felizes lá, não estarão bem como um todo”, aponta.

Se por um lado essa qualidade de vida no trabalho depende da competência da empresa em oferecer um ambiente saudável, por outro, a ocupação deve estar alinhada a objetivos e sonhos de cada pessoa. “Se o estresse é gerado pela escolha, e não pelo ambiente de trabalho, é hora de repensar a profissão, em busca de uma vida melhor. É importante se identificar com o que você faz; do contrário, o trabalho, na empresa x ou y, será um martírio”, alerta.

E não importa a idade nem o grau de êxito alcançado na carreira, que traz insatisfação. É sempre um bom momento para se reinventar. A chef Mara Alcamim, por exemplo, é conhecida em Brasília por comandar o restaurante Universal Dinner e ser uma das chefs mais premiadas da capital. Quando fechou três dos quatro estabelecimentos que possuía simultaneamente — o Zuu, o Quitinete e uma indústria de alimentos — o burburinho correu solto pela cidade. Os negócios eram bem frequentados, estavam sempre cheios. Eram 250 funcionários sob seu comando. Mesmo assim, ela fechou quase todos os seus negócios.

“No começo de 2011, eu acordei um dia e vi que minha vida estava simplesmente fugindo do controle. Eu tinha virado um personagem e, quanto mais me aproximava desse personagem, menos fazia o que eu gostava”, analisa. Com a administração de tantos negócios, a paixão pela cozinha se tornou uma massante rotina de resolver problemas. “Chegava em casa à noite sem energia para fazer nada. 2009 foi o ano em que mais me afastei do fogão. Aí resolvi dar um tempo de tudo. Pensei: E agora? Comovou fazer? Me vi como se estivesse trocando um pneu de um carro em movimento.”

Em três meses Mara fechou dois de seus restaurante e a indústria de alimentos. Procurou um especialista em medicina chinesa, mudou sua alimentação, seu tempo de sono, sua rotina. “Tudo isso mudou minha forma de ver a vida. Percebi que estava no caminho certo, por mais doloroso que fosse. Tive que ter força de vontade, buscar o lado espiritual, para o qual também não tinha tempo... rezei muito. Eu tirei a vaidade da minha vida, a vaidade de ter um monte de empresas. Resolvi ter outra postura”, relata. Hoje, Mara vive com calma. Cortou o álcool, o glúten, o excesso de açúcar, passou a fazer caminhadas, cursos e aulas de francês. “Hoje não tenho mais lancha ou carro conversível, mas o número de problemas diminuiu”, comemora.

“Sempre é tempo de tentar. Não importa a história ou a bagagem adquirida. Ser feliz profissionalmente é essencial nessa busca pelo bem-estar e pela harmonia”, completa Bernadette.
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