Busca pelo corpo perfeito com excesso pode surtir o efeito contrário

As academias e os consultórios de nutrição estão lotados de clientes que buscam tanto saúde quanto a forma perfeita. Mas o exagero nos exercícios e no uso de suplementos muitas vezes tem o efeito contrário

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Basta entrar em uma banca de revistas ou ligar a televisão na transmissão de um evento de celebridades. Lá estão eles: os corpos esculturais, bronzeados e definidos, a esbanjar saúde e vitalidade na cara dos meros mortais. Perguntados sobre o segredo por trás de tanta beleza, a resposta é de matar. “Não faço dieta, adoro chocolate! Faço 10 minutos de esteira e passeio com o cachorro”, repetem as top models a cada entrevista. Longe de acreditar nisso, aqueles que desejam ter uma forma física invejável se encaminham para academias, consultórios médicos e salas de cirurgia.

Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Luciano Chaves, o culto à beleza evidenciado no país resulta de uma série de fatores. “O fato de morarmos em uma região tropical, com 11 meses de sol ao ano, colabora bastante. Ficamos com os corpos mais expostos e por mais tempo”, explica. De acordo com um ranking da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, com dados de 2010, o Brasil é o vice-líder em procedimentos cirúrgicos e profissionais na área. É o país onde mais se realizam cirurgias no nariz, nas pálpebras e de remoção de gorduras, perdendo apenas para os Estados Unidos em aumento de seios e plásticas no abdôme (veja quadro).

A cirurgia plástica, segundo Chaves, está diretamente relacionada à qualidade de vida, mesmo quando motivada pela vaidade. “O resultado reflete na autoestima, na imagem profissional e na relação do paciente com o mundo exterior”, garante. Cabe ao médico e ao paciente, juntos, definir os limites da intervenção. “A lipoaspiração, por exemplo, não é um método de emagrecimento. É para reduzir as medidas corporais, e não para corrigir o peso. Orientamos os pacientes a melhorar a qualidade de vida, o hábito alimentar, a sua relação afetiva, social e psicológica”, enumera.

O preparo mental é importante não apenas nas intervenções cirúrgicas, mas em qualquer reeducação que busque melhorar a qualidade de vida. Uma pesquisa publicada no periódico da Associação de Psicologia Norte-Americana mostrou que mulheres obesas que conciliaram dieta para perda de peso com exercícios graduais e palestras educativas sobre nutrição obtiveram melhor resultado que aquelas que fizeram somente o regime. Embora a perda de peso tenha sido similar (cerca de oito quilos em cinco meses), o efeito sanfona foi menor entre as que estavam “mais preparadas para emagrecer”.

Dulce Angelina/Esp.CB/D.A.Press
Mudança de hábito
A alimentação também foi responsável por alterações drásticas na vida do empresário Marcellus Dortzbacher, 21 anos. A mudança nos hábitos teve início em 2010, quando ele chegou próximo à casa dos 120 quilos. Desde então, a luta contra a compulsão por comida gerou resultados satisfatórios: a balança marca 104 quilos e o índice de gordura corporal já chegou aos 14,5%. “Com 1,90m de altura, sei que não vou ficar leve, então não monitoro tanto o peso. O objetivo é trocar gordura por massa muscular”, comenta.

Marcellus assume que a reeducação teve como principal motivação a busca pela beleza. “Nunca tive problema de saúde por ser gordinho, mas a sociedade lhe impõe um padrão e você fica excluído se não corresponde a ele”, argumenta. O empresário diz estar tranquilo com a forma atual, mas traça metas ambiciosas. Quer colocar o índice de gordura na casa dos 10% e “chegar aos 45cm de braço”, conta. Para ajudá-lo a alcançar o objetivo, diversos tipos de suplementos alimentares entraram na dieta.


O Brasil no Ranking das plásticas*

Procedimento    Número           Posição
Geral                    1,6 milhão             2º

Lipoaspiração    436,8 mil               1º

Rinoplastia (nariz)    106,6 mil      1º

Aumento de seio    254,2 mil         2º

Aplicação de botox    268,1 mil     2º


*dados de 2010.
Fonte: Sociedade Internacional de Cirurgias Plásticas (Isaps)

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