Opiniões sobre o uso de suplementos divergem entre esportistas

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postado em 21/11/2012 11:40

Com ou sem bisturi, além do preparo psicológico, a atividade física é um dos pilares da boa forma. Não dá para fugir. O advogado Gustavo Alencastro, 29 anos, pratica esportes desde a adolescência e diz ter um estilo de vida saudável graças às competições. “Sempre tive acompanhamento de nutricionista e preparador, minha dieta é regulada há 15 anos”, afirma.

As competições ficaram no passado, mas a rotina de treinos ainda é puxada. Além da musculação diária, divide o tempo livre entre aulas de kickboxing, pilates e samba de gafieira.


Gustavo garante que, apesar da vaidade, a maior preocupação é sempre com a saúde. “Nunca entrei em dietas malucas porque acho que o resultado é momentâneo. A longo prazo, o melhor é comer direitinho”. Os suplementos que toma, por exemplo, são receitados pelo nutricionista e os seus índices metabólicos recebem atenção mensal. “Não uso nada muito pesado. Tentei tomar um termogênico (que acelera a queima de gorduras) há uns dois anos, mas tive mal-estar, palpitação e nunca mais tomei”, conta.

A nutricionista Lara Garcia, especialista em nutrição esportiva e emagrecimento, contesta os métodos que propõem a extinção de um grupo de alimentos. Segundo ela, o uso regular das chamadas dietas milagrosas pode, a longo prazo, causar problemas sérios. “O corpo passa a queimar as reservasde nutrientes e entra em desnutrição. Isso suprime a imunidade, desregula o metabolismo e pode desenvolver uma compulsão alimentar”, lista. Lara trabalha com um método baseado no índice glicêmico, que prevê o consumo adequado de todos os grupos de alimentos – proteínas, carboidratos, gorduras e fibras, entre outros. Juntar o açúcar das frutas com as ditas “gorduras boas”, carboidratos integrais e fibras evita o chamado pico de insulina (quando o nível de açúcar no corpo aumenta de repente) e garante uma digestão mais tranquila, sem sobrecarregar o organismo.

Já para Marcellus Dortzbacher, 21 anos, não bastam a reeducação alimentar e as quase duas horas diárias de academia. O rapaz gasta cerca de R$ 350 por mês com suplementação, entre termogênicos (queimadores de gordura) e multivitamínicos. “E ainda pago barato, porque consigo comprar de fora ou com amigos. Nas lojas oficiais, sairia por R$ 700”, avisa. Alguns dos produtos sequer são regulamentados pela Anvisa – segundo ele, a confiança no órgão regulatório norte-americano (FDA) é suficiente. “A questão é usar da maneira correta. Os problemas e as mortes acontecem aqui no país por desinformação, porque lá fora o uso é tranquilo”, garante.

Marcellus garante nunca ter usado anabolizante, embora as ofertas sejam comuns entre os frequentadores de academia, mas confessa ter recorrido a dietas extremas. Passou três semanas se alimentando apenas com proteínas (carnes e ovos), e três dias só na água de coco. Além de todos esses recursos, afirma que faria, ainda, aplicação de enzimas e uma cirurgia plástica para remover o excesso de pele, resquício da época de sobrepeso.

A especialista alerta ainda para os riscos da dieta hiperproteica, que virou moda em academias e centros estéticos com a promessa de acelerar o aumento muscular. “A proteína normalmente tem, sim, função construtora. Mas, se falta carboidrato, o corpo começa a queimar a proteína para obter energia, e aí vai queimar o músculo e acumular gordura”, alerta. Outro cuidado apontado por Lara deve ser observado com o uso de chás e suplementos ricos em cafeína – em excesso, o composto pode levar a desidratração e disfunções renais. Mais uma vez, a dica é uma só: antes de se aventurar em produtos e fórmulas milagrosas, vale consultar o médico e descobrir o caminho ideal. A receita da Madonna, provavelmente, não vai valer pra você.

Três perguntas para/Rodrigo da Silva, educador físico da smart fit

Qual é o ritmo ideal para quem vai começar uma atividade física?
Se a pessoa nunca fez nada, pode começar com séries de 30 minutos, três vezes por semana. Com três a seis meses nesse ritmo ela já começa a ver os resultados no espelho, além da melhora na qualidade de vida.

Qual é a função do educador físico nesse processo?
O profissional começa fazendo a ficha de treinamento e determinando a melhor forma de realização dos exercícios. É ele quem vai adequar os movimentos, levando em conta as limitações e o ritmo de cada indivíduo. É importante que o aluno avise, já na montagem da série, se tem algum problema cardíaco, respiratório, ósseo ou muscular.

E para quem tem medo ou trauma de academia, quais são as opções?
A mudança pode começar nos hábitos diários. Ir a pé até a padaria, caminhar pelo escritório, tirar as crianças da frente da televisão e brincar com elas no parquinho, por exemplo. Outra opção é buscar aulas diferenciadas, como pilates e hidroginástica. As pessoas acham que é "ginástica de velho", mas o exercício pode ser bem intenso. Aulas em grupo também podem agradar pessoas que não gostam muito da academia tradicional.
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