Dados preocupantes com a saúde dos brasileiros mostram 15% de obesos

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postado em 21/11/2012 12:05

“Alô, tudo bem? Aqui é do governo. Eu queria saber se você fuma, bebe, é sedentário, tem pressão alta ou está cima do peso.” É mais ou menos assim que funciona a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde. A entrevista é aplicada por telefone a maiores de 18 anos que moram nas capitais brasileiras e investiga a ocorrência de fatores de risco que podem desencadear as chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Câncer, distúrbios cardiovasculares, hipertensão e outros males respiratórios crônicos são a causa de 70% das mortes no país. E são esses vilões do bem-estar — o sedentarismo, o consumo de álcool, o tabagismo e a obesidade — os principais responsáveis por essas doenças. O estudo traz dados preocupantes com relação à saúde no país. No ano passado, 48,5% dos brasileiros estavam acima do peso e 15,8% chegaram ao quadro de obesidade. O Distrito Federal, que no levantamento de 2006 estava abaixo da média nacional nos dois índices, em 2011, passou para o topo da tabela. Responsável pela pesquisa, o médico infectologista Jarbas Barbosa da Silva Júnior comenta os principais dados e a importância do levantamento na saúde da população.


Entrevista com o secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde - Jarbas Barbosa da Silva Júnior

 

Dulce Angelina/Esp. CB/D.A Press
PREVENÇÃO E TRATAMENTO
“As DCNT representam hoje cerca de 70% das mortes no Brasil. Entretanto, em algumas delas, a taxa vem sendo reduzida, como é o caso das doenças cardiovasculares, grupo que mais pesa nessa porcentagem. O desafio, creio eu, é que esses avanços na redução das mortes se convertam em um aumento da prevenção. Além de diagnosticar e tratar precocemente, precisamos melhorar a qualidade de vida das pessoas para que elas adoeçam menos. A prevenção da obesidade se reflete em diminuição de diabetes, assim como evitar o tabagismo em jovens contribui com os dados de doenças do coração. Nos indivíduos saudáveis, tentamos evitar que venham a adoecer, com medidas de promoção da saúde, mas temos um grande número de pessoas que já são portadoras de diabetes, hipertensão ou lesões pré-cancerígenas. Nesses, o objetivo é estimular a detecção precoce nas unidades de saúde, com exames simples de sangue e pressão.”

QUALIDADE DE  VIDA
“A presença dos fatores de risco compromete seriamente a qualidade de vida das pessoas. Um dos grandes problemas com relação às DCNT é o envelhecimento da população. Por um lado, ele indica que os brasileiros estão vivendo mais. Por outro, temos o desafio de garantir qualidade nesses anos de vida que estão sendo acrescentados. E grande parte disso começa na juventude, com boa alimentação e atividade física.”

NOTÍCIAS BOAS E RUINS
“Nos seis anos de pesquisa, tivemos alguns resultados positivos e outros bastante preocupantes. Para o tabagismo, os dados mostram uma redução significativa, inclusive, no chamado fumo pesado, que é o consumo de mais de um maço (20 cigarros) por dia. A realização de mamografias em mulheres também registrou dados positivos, com aumento desde o primeiro relatório em 2006. A notícia ruim é relacionada ao excesso de peso e à obesidade. De um lado, o aumento de alimentos industrializados na dieta do brasileiro. Crianças que só tomavam água, agora consomem refrigerantes como fonte de hidratação. O lanche que era composto por frutas e pães, foi substituído por alimentos de alto valor calórico e baixo valor nutricional. Do outro lado, o problema da baixa atividade física. A diversão infantil há alguns anos era jogar bola, brincar na rua. Atualmente, grande parte dos jovens preferem o computador, o celular, a televisão. Algumas mudanças culturais das últimas décadas são as principais responsáveis pelo aumento da obesidade.”

OBESIDADE
“Os dados desmistificam a ideia de que obesidade é problema de país rico. Os números aumentam no mundo inteiro, sobretudo nos países em desenvolvimento. Isso tem impacto direto no gasto público com saúde, porque tratamentos como quimioterapia e hemodiálise têm custo bastante elevado. No ano passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) convocou uma reunião mundial para discutir as    DCNT, com a presença da presidente Dilma Rousseff. Foi o terceiro evento desse tipo na história, sendo que os anteriores discutiram a poliomielite e a Aids. Não há vacinas para as doenças crônicas, então a prevenção é feita primeiramente com a melhoria da qualidade de vida. Além dos fatores de risco que já citamos, existem os chamados fatores de proteção — um exemplo simples é o consumo de frutas.”

POLÍTICAS PÚBLICAS
“Pela pesquisa Vigitel, conseguimos saber se determinado fator é preponderante em homens ou mulheres, em pessoas com maior ou menor grau de instrução. Isso é importante para que o governo saiba qual público precisa de maior atenção. A obesidade no Brasil é um problema de saúde pública. No país, percebemos que as mulheres com baixa escolaridade têm mais sobrepeso que aquelas com mais anos de estudo. O dado de escolaridade é indicativo da condição social dessas mulheres. Um indivíduo com inatividade física e/ou obesidade desde pequeno vai sentir as consequências disso lá na frente. Um fumante que começa aos 15 anos já tem grande repercussão disso na saúde quando atinge os 40 anos. A pesquisa revela, ainda, que pessoas com maior escolaridade (e maior renda) têm mais oportunidades de lazer, justamente porque podem pagar uma academia, um clube. As pessoas de baixa renda, mesmo tendo consciência da importância da atividade física, não encontram um espaço adequado para caminhar, se exercitar.”

ALIMENTAÇÃO
“No Brasil, diversas medidas vêm sendo tomadas no sentido de melhorar a alimentação oferecida nas cantinas escolares. No ensino particular, por exemplo, foi assinado neste ano um acordo com os sindicatos de escolas privadas para melhorar o valor nutricional dos alimentos oferecidos aos alunos. No combate à hipertensão, também tivemos acordos assinados com os fabricantes de alimentos para reduzir, gradativamente, a adição de sódio como conservante nos produtos industrializados. A primeira geração desses acordos foi assinada em 2011 e já está sendo colocada em prática. Um único acordo assinado em 2012 será responsável pela retirada de 14 mil toneladas de sódio das prateleiras, anualmente. Nós não percebemos, mas até nos refrigerantes e nos alimentos doces o sódio está presente.”

CENÁRIO MUNDIAL
“É complicado comparar o cenário brasileiro com outros lugares do mundo, porque os hábitos culturais são decisivos na ocorrência das DNCT. Se tomarmos como base as Américas, o Brasil está ainda em uma situação bem melhor que os Estados Unidos e o México, por exemplo. A preocupação é com o futuro: se mantivermos o crescimento da obesidade nas taxas atuais, daqui a 13 anos estaremos no mesmo ponto em que os Estados Unidos estão agora, com mais de 30% de obesos na população geral. Temos algumas vantagens em relação aos americanos; por exemplo, no nosso padrão nutricional. O prato básico de arroz, feijão, bife e salada compõe uma refeição relativamente equilibrada, que vem sendo substituída cada vez mais pelos fast foods com baixo valor nutritivo. É essa alteração nos hábitos dos brasileiros que nos preocupa, de maneira geral.”



OS GORDINHOS DO PAÍS E DO DF


Sobrepeso
Abrangência    2006    2011

Brasil    43%    48,5%

DF    39,8%    49,1%

Obesidade

Abrangência    2006     2011

Brasil     11,4%     15,8%

DF     10%     15%

Fonte: Ministério da Saúde  

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