Novas regras para a formação de professores estabelecem nota mínima

AS, medidas, no entanto, ainda precisam de regulamentação. Saiba como fica o processo

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postado em 12/01/2014 08:00 / atualizado em 09/01/2014 18:02

Lucas Tolentino, especial para o Correio /

	Tina Coelho/Esp. CB/D.A Press
Adotar um rigor maior na formação de docentes é uma das apostas da política brasileira para elevar a qualidade da educação no país. A nota de corte em exames de abrangência nacional, por exemplo, pode passar a ser exigida para a aprovação em cursos de graduação voltados para quem quer a sala de aula como ambiente de trabalho. Estabelecida por meio de legislação federal aprovada no ano passado, a decisão traz à tona a discussão sobre o que é preciso para ser um bom professor.

O Ministério da Educação, no entanto, ainda não deu sinais de que vai — e quando — colocar a medida em prática. Com a mudança no artigo 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a pasta poderá fixar “nota mínima em exame nacional aplicado aos concluintes do ensino médio como pré-requisito para o ingresso em cursos de graduação para formação de docentes”. Apesar de aberta essa possibilidade, a questão ainda não foi regulamentada.

Pela lei, a mudança precisa passar pelo crivo do Conselho Nacional de Educação antes de começar a valer. Até a última reunião do ano passado, realizada em dezembro, o colegiado havia apenas discutido o assunto, sem chegar a um consenso. Assessores da instituição ressaltam que a nota mínima vale apenas para “os egressos do ensino médio com formação técnica em magistério, na modalidade normal” — que, por sua vez, é destinada ao magistério na educação infantil e nos cinco primeiros anos do ensino fundamental.

Formas de incentivar os professores a seguirem, de fato, a carreira estão entre os objetivos das mudanças na LDB, instituídas pela Lei nº 12.796, de 2013. Com isso, todas as esferas do governo ficaram obrigadas a adotar métodos para facilitar o acesso e a permanência em cursos de formação em nível superior para atuar na educação básica pública. Também estão previstas bolsas de iniciação à docência para os alunos das licenciaturas de graduação plena.

A própria categoria mostra que também é preciso garra e força de vontade. Responsável por uma das disciplinas mais temidas do ensino médio, o professor de física William Santos, 28 anos, destaca que a experiência em sala faz a diferença na hora de conseguir a atenção dos alunos e dar uma boa aula. Para isso, conta com o bom humor. “Como há preconceito em relação à matéria, busco fazer uma aula descontraída. Mas o bom professor sabe medir a hora de brincar e a hora de parar”, pondera.

Além do que aprendeu no curso de licenciatura, William interpreta personagens e provoca situações práticas em classe para mostrar como a física funciona no dia a dia. Corre, dá cambalhotas e promove competições como a de paraquedas feitos pelos estudantes. Virou o queridinho entre os cerca de 300 adolescente das oito turmas que conduz no colégio. “Conhecer os alunos pelo nome e identificar as habilidades de cada um é fundamental para uma aula produtiva”, observa. “É preciso amar o que faz.”


Pleno desenvolvimento

A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, foi batizada de Lei das Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Entre outras coisas, define o sistema de ensino brasileiro. Conforme a norma, a educação deve ser vinculada ao trabalho e à prática social com a finalidade de proporcionar o pleno desenvolvimento do aluno para o exercício da cidadania.


DICAS


Veja como preparar uma boa aula e aumentar a produtividade do ensino:

- Busque os temas que já foram publicados para evitar repetições desnecessárias

- Tenha uma visão interdisciplinar do tema de estudo

- Dê preferência a atividades em os alunos sejam os atores principais

- Desafie os alunos a resolver problemas e a tomar decisões a respeito do que é preciso estudar, refletir e produzir

- Evite aulas exclusivamente expositivas

- Estimule a curiosidade, a pesquisa, a discussão e a polêmica entre os alunos

Fonte: Ministério da Educação
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