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Correio Braziliense

Lei em tramitação no Congresso pode regular peso das bolsas da meninada

Especialistas acham que essa definição é empírica e preferem apostar na orientação

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postado em 17/01/2014 08:00 / atualizado em 10/01/2014 16:52

Lucas Tolentino, especial para o Correio /

As escolas e até mesmo o governo procuram alternativas para evitar os transtornos causados aos estudantes pelo excesso de material que carregam nas mochilas. Os colégios investem em soluções como armários para guardar livros, cadernos e outros artigos e campanhas educativas com os alunos. Na esfera do poder público, um projeto de lei de autoria da Câmara dos Deputados estabelece limites para o peso da bagagem dos jovens.

Em tramitação no Congresso Nacional, o texto que pode virar lei define que as mochilas pesem até 15% da massa corporal de quem a carrega. Pela proposta, o governo ficará responsável pela conscientização do quão prejudicial à saúde é o descumprimento da norma. Caso aprovado, o peso dos alunos até o ensino fundamental deverá ser informado pelos pais. Os estudantes do ensino médio poderão fazer a própria declaração.

A efetividade do projeto é questionada pela área médica. O ortopedista infantil Carlos Lopes contesta a aplicação da lei. “A lei é boa, mas tem pouca implicação prática. O limite de peso é totalmente empírico”, afirma o especialista. Segundo ele, é importante deixar as mochilas mais leves para evitar dores muscular. “Porém, desvios reais da coluna como escolioses não são causados pelo uso inadequado de mochilas. Isso é mito”, tranquiliza.

Blitz educativa


Os centros educacionais apostam na conscientização. Em um colégio particular na Asa Sul, professores fazem uma blitz educativa no início do ano letivo. Colocam balanças para pesar as mochilas e colam adesivos verdes nas que estão adequadas. As reprovadas ganham selos vermelhos. “É difícil reduzir o material exigido em sala. Mas é importante fazer a conscientização”, explica o psicopedagogo da instituição, Ricardo Timm.

Armários também são disponibilizados para que os alunos possam diminuir o peso das mochilas, já que elas ganham popularidade na mesma velocidade de crescimento dos meninos e meninas. De acordo com Timm, a partir do 7º ano, as bolsas de rodinhas começam a se tornar raridade. No 9º ano, deixam de existir. “Nessa idade, eles já têm seis aulas diárias e o peso das mochilas fica em torno de 8kg”, observa o psicopedagogo.

Enquanto não vira “mico”, os mais novinhos aceitam usar as mochilas de rodinhas. “Prefiro carregar essa de carrinho porque a outra dói as costas”, explica Pedro Mendes, 12 anos, estudante do 7º ano. A escolha, no entanto, depende de opções de acessibilidade. “Na escola, não tem problema porque tem rampas. Só é ruim para andar na rua, principalmente na hora de correr”, aponta Laura Bonfim, 11, aluna do 6º ano.
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