No DF 24,9% dos estudantes admitiram terem praticado bullying no colégio

Atitude causa traumas irreversíveis. Saiba o que fazer nesse casos de violência

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postado em 24/01/2014 14:54 / atualizado em 24/01/2014 15:23

Lucas Tolentino, especial para o Correio /

Maurenilson Freire/CB/D.A Press
Nem toda brincadeira de criança é brincadeira. Antes considerado comum, o comportamento de meninos e meninas que zombam e ridicularizam os colegas passou a ser visto como coisa séria. O bullying é capaz de deixar traumas irreversíveis e apresenta franca expansão dentro e fora do ambiente escolar. A nível nacional, 20,8% dos alunos fizeram humilhações ou algo do tipo contra os amiguinhos, conforme o levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O cenário brasiliense é mais grave do que a do país afora. No Distrito Federal, 24,9% dos estudantes admitiram terem praticado algum tipo de bullying no colégio, 4% a mais do que a média nacional. A conduta é mais comum entre os meninos (leia quadro), principais autores da zombarias de mau gosto em atitudes típicas de valentões impondo a força sobre os mais quietinhos. Os dados foram coletados por meio de entrevistas na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE.
A origem do bullying varia em uma infinidade de situações. A professora e pesquisadora em psicologia do desenvolvimento ngela Branco, da Universidade de Brasília (UnB), ressalta que grande parte das chacotas se baseia na aparência física do agredido. “A característica física é encarada de uma forma engraçada. A pessoa pode se tornar vítima por ser ou muito alta ou muito baixa e por aí vai”, exemplifica.
Com a popularização de redes sociais, tablets e smartphones, o problema ultrapassou os muros das escolas se tornou ainda mais devastador. Segundo ngela, o chamado cyberbullying tem outras formas de afetar a moral das crianças. “Como é mediado pela internet, os agressores podem fazer vídeos e tirarem fotos para agredir os colegas. É uma forma adicional de massacrar ainda mais aquele as vítimas”, afirma a pesquisadora.

PARCERIA


Os pais e os professores têm a tarefa de combater o problema. A especialista em psicologia escolar Fabíola Baquero, professora da Universidade Católica de Brasília (UCB), ressalta a importância da parceria entre os colégios e as famílias. “É fundamental acompanhar a vida escolar dos filhos e conhecer os amigos”, sugere. “As escolas precisam promover um espaço de conversa contínuo sobre o assunto e mediar os jovens na resolução de conflitos. Em muitos casos, o problema pode ser resolvido com uma conversa.”
A troca de posições nos episódios de bullying é comum. Com frequência, valentões acabam virando vítimas e vice versa. Para colocar um ponto final nesse ciclo de humilhações, é importante dialogar e tomar decisões em comum acordo com os jovens. “Se quiserem sinceridade, os pais têm que negociar e deixar o filho à vontade para abrir o jogo e contar as agressões que sofre. Caso contrário, ele vai se sentir acuado, esconder e sofrer ainda mais”, alerta ngela Branco.


Veja o panorama do bullying no DF entre alunos do 9º ano:

Agressores

População masculina - 32% (Média Nacional: 26,1%)
População feminina - 18,6% (Média Nacional: 16%)

Escolas privadas - 26,1% (Média Nacional: 23,6%)
Escolas públicas - 24,6% (Média Nacional: 20,3%)

Vítimas frequentes

População masculina - 8,4% (Média Nacional: 7,9%)
População feminina - 5,8% (Média Nacional: 6,5%)

Escolas privadas - 7,5% (Média Nacional: 7,6%)
Escolas públicas - 6,9% (Média Nacional: 7,1%)
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