Após 30 dias, nada se sabe sobre as causas do acidente com voo 447

Rodrigo Couto

Publicação: 30/06/2009 09:16


Às vésperas de completar um mês do acidente envolvendo o Airbus A330-200, da Air France, que caiu no Oceano Atlântico quando fazia a rota Rio/Paris, em 31 de maio último, o processo de investigação das causas da tragédia segue sem qualquer conclusão. Procurados pelo Correio, parentes das vítimas do desastre, que matou 228 pessoas, incluindo 12 tripulantes, relataram o sofrimento e informaram que estão prestes a criar a Associação dos Familiares (AF 447), sigla em alusão ao mesmo número do voo da companhia francesa. Dos 51 corpos encontrados, 14 foram identificados, sendo 10 brasileiros e 4 estrangeiros. Os outros 37 ainda encontram-se no Instituto de Medicina Legal (IML) de Recife, onde peritos da Polícia Federal e da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco trabalham na conclusão da identificação.

Além dos corpos, as buscas, encerradas na última sexta-feira, localizaram mais de 600 partes e componentes estruturais da aeronave, além de bagagens. Realizada em conjunto pela Marinha e Aeronáutica, a operação (leia quadro) é considerada a maior e mais complexa já realizada pelas Forças Armadas em área marítima. Ontem, a Marinha homenageou as vítimas da tragédia — uma cerimônia foi realizada, com lançamento de flores ao mar.

Apesar da decisão do governo brasileiro de encerrar as buscas por corpos e destroços, a França, responsável pelas investigações das causas da tragédia, ainda procura as caixas-pretas do Airbus para auxiliar no desfecho. Os franceses mantêm o submarino nuclear Emeraude, os navios de guerra Mistral e Ventôse, e o navio de exploração submarina Pourquoi Pas. Segundo o Escritório de Investigações e Análises (BEA), os investigadores têm esperanças de encontrar as caixas, mesmo a partir de hoje, quando elas deverão parar de emitir sinais.

As buscas em números

  • 26 dias de buscas

  • 51 corpos resgatados e 14 identificados

  • Dos identificados, 10 são de brasileiros e 4 de estrangeiros

  • 12 aeronaves da FAB foram usadas na operação, com o apoio de aviões da França, dos EUA e da Espanha

  • A tripulação envolvida voou cerca de 1.500 horas

  • Buscas visuais rastrearam uma área de 350 mil quilômetros quadrados


  • Revolta e indenização

    Apesar da tristeza e da saudade da filha, a cantora brasiliense Juliana de Aquino, Valquíria se mantém calma. Ela conta que os familiares das vítimas estão recebendo todas as informações a respeito das investigações. “Mesmo que demore quatro, cinco anos, acredito que continuarão a nos informar. Isso traz um pouco de paz”, diz a mãe de Juliana.

    A administradora Lenita Rodrigues, 45 anos, que perdeu o companheiro Roberto, diverge de Valquíria sobre a assistência prestada. “Ficamos abandonados. Por isso decidimos criar uma associação”, diz Lenita. Ontem, saiu a primeira indenização para uma das famílias. A Air France terá de depositar, a partir de hoje, a indenização antecipada no valor de 30 salários mínimos (R$ 13.950) mensais à viúva e aos três filhos do engenheiro Walter Carrilho Júnior, de 42 anos. (Colaborou Renata Mariz)

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