Mariana Branco
Publicação: 30/07/2009 12:11 Atualização: 30/07/2009 14:36
O reajuste do valor das passagens de ônibus no Entorno no Distrito Federal - elas subiram 6,217%, de R$ 4,05 para R$ 4,25 - não é reversível, declarou nesta quinta-feira (30/7) o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo. De acordo com ele, a alta anual é prevista em contrato e foi calculada com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dos últimos 12 meses e em análises de custo enviadas pelo Grupo Amaral, empresa que monopoliza o transporte na região.
"Teve reajuste no ano passado, e no outro, e no outro. Geralmente, fica abaixo do solicitado pela empresa. Não estou dando um milímitro acima da reposição da inflação", queixou-se Figueiredo em coletiva à imprensa. Ele acusa o prefeito de Planaltina de Goiás, José Olinto Neto - que está em greve de fome e tem feito a oposição mais acirrada ao aumento - de agir segundo razões políticas.
A reportagem ligou para o celular de José Olinto Neto, mas uma assessora atendeu e alegou que ele não poderia falar no momento, por estar tentando ser recebido em audiência na ANTT junto com outros prefeitos.
O aumento nas passagens para o Entorno vale para a categoria dos ônibus inter-estaduais semi-urbanos, que fazem trajetos de até 75 km além da fronteira do Distrito Federal. O preço do bilhete é alvo de críticas da população das cidades goianas mais próximas de Brasília - como Planaltina de Goiás, Águas Lindas, Novo Gama - já que muitos dos habitantes dessas localidades trabalham no Plano Piloto e ficam em desvantagem junto aos patrões, que se recusam a cobrir o valor mais elevado do que o cobrado para circulação interna no DF. "Não importa a distância, a regra para ônibus semi-urbanos inter-estaduais vale para o país inteiro. Não foi apenas o DF que teve esse reajuste, e isso só muda se houver uma alteração na legislação nacional", diz Bernardo Figueiredo.
O Grupo Amaral faz o transporte nas cidades do Entorno do Distrito Federal mediante autorização temporária da ANTT, uma vez que o decreto autorizando a empresa a assumir as linhas por 15 anos, editado em 1993, expirou no final do ano passado. A Agência de Transportes Terrestres deve licitar as linhas para mais empresas, mas o processo está na fase de estudos e o edital só deve sair em 2010. Com o processo licitatório, acredita Figueiredo, podem ser obtidos contratos de transporte público "melhores" para a região, com mais empresas, passagens mais baratas e serviço de maior qualidade.
Má qualidade
Além do valor das passagens, o desgaste da frota que faz as linhas Goiás-DF e a má qualidade do serviço também são alvo de queixa da população. O responsável atual pela fiscalização da eficiência do serviço é o DFTrans. Originalmente, o encargo seria da ANTT mas, devido à pouca distância geográfica e ao fato de o DFTrans, ligado à Secretaria de Transporte, já fiscalizar os ônibus do DF, um convênio há dois anos atrás transferiu a responsabilidade da agência para o órgão.
De acordo com Bernardo Figueiredo, a ANTT convocará uma reunião com o governo do Distrito Federal para saber o porquê das falhas no transporte do Entorno - atraso nos ônibus, veículos sem conservação, entre outros - e não descarta a possibilidade de voltar a assumir a responsabilidade por monitorar os ônibus da região. Os ônibus que fazem linhas entre o Entorno e o DF transportam cerca de 60 milhões de passageiros por ano, de acordo com a ANTT.
Acorrentado
Em protesto ao último reajuste nas passagens para cidades do Entorno, o estudante de Tecnologia da Informação Danilo de Alcântara, 29 anos, morador de Planaltina de Goiás, se acorrentou a um suporte de metal diante do edifício-sede da ANTT na manhã desta quinta-feira.
"Vou ficar o tempo que for preciso. E estou em greve de fome junto com o prefeito, há oito dias só ingiro suco e água", declarou ele, que, antes do reajuste, gastava R$ 12,10 por dia com transporte para a Rodoviária do Plano e de lá para a Universidade Paulista (Unip), onde estudo. Agora, afirma, o valor subiu para R$ 12,50.
"Não podemos deixar continuar assim. Já está mais caro do que a faculdade. Se não pode quebrar o contrato agora, poderia pelo menos pegar mais leve nesse reajuste", queixou-se ele, que levou uma garrafa d'água e cigarros para consumir durante o protesto.
De
até
Esta matéria tem: (10) comentários
Autor: Fernando Pereira
O prefeito faz é demagogia, quer defender os onibus piratas seus amigos e não quer fiscalização para melhorar o serviço. Eta prefeitinho ruim
Autor: jeferson silva
A ANTT não passa de um órgão político que parece estar a serviço do Senhor Valmir Amaral, dono do Grupo Amaral.
Autor: jeferson silva
É inadmissível que uma só empresa (Rápido Planaltina) atue sem concorrência no mercado durante 15 anos e o pior ainda é que haja tanta resistência por parte da ANTT em acabar com esse monopólio. Uso esses ônibus todos os dias e sei do que estou falando, da falta de respeito com o usuário.
Autor: jeferson silva
Me entristeço muito ao ver que uma dita "agência reguladora", que a priori deveria servir para fiscalizar as concessões de serviço público, não passa apenas de um órgão político que está se lixando para as necessidades da comunidade. A meu ver é inconcebível que apenas uma empresa detenha ( continua)
Autor: kleuber reis
para si a concessão, e repassá-la para outra empresa que consiga ofereçer transporte dentro dos parâmetros de qualidade e conforto exigidos para qualquer outra empresa. A ANTT é omissa e age ela sim de forma política acobertanto um transporte horrível e fazendo milhares d pessoas sofrerem dia apósdia
Autor: kleuber reis
Vigora na Adm Pública o princípio da supremacia do interesse Público sobre qualquer outra circusntância, a algum tempo atrás vi uma reportagem em que o transporte do entorno era o pior do brasil e a Rapido Planaltina a pior empresa do entorno, já q não cumpre o acordo c o Estado, este deveria tomar.
Autor: Maira BC
Manifesto meu repúdio à atitude do diretor da ANTT. O governo e as regras que ele faz são mero instrumento para a satisfação de seu povo. Se as regras não satisfazem as necessidades desse povo, as regras têm que se adaptar, e não o contrário.
Autor: Hildo Evaristo
Pobre neste país sofre prá trabalhar, ser honesto, guerreiro, colocar o pão e leite dentro de casa, enquanto os maganatas sujam a desgraça(salário) do povo. Rico é rico, pobre é pobre e no final predomina o poder economico.
Autor: Inaldo
As pessoas acham que protestar dessa forma(acorrentado) é besteira, mas não é não. Na verdade as pessoas que não protestam é que estão acorrentadas. Parece pouco, mas quem precisa desses ônibus(sem comentários) têm de lutar mesmo, caso contrário, só piora a situação! Não desistam, avante!
Autor: fanor teixeira
a passagem em BSB e entorno é de fato a mais car do país, ou do mundo, quanto à renovação da frota precisamos começar pela recuperação das estrads no entrono que é uma vergonha, para qualquer brasileiro, botar um ônibus novo nesses asfaltos axistentes é jogar dinheiro no lixo, vamos começar por baixo