A demora de mais de 20 anos (1)até o lançamento do Setor Noroeste e a escassez de terrenos no Plano Piloto fizeram a expectativa em torno do bairro crescer rapidamente. Por conta disso, construtoras e corretores de imóveis previam uma grande demanda pelos novos empreendimentos da região. Mas nem os mais otimistas poderiam imaginar a movimentação que o mercado imobiliário de Brasília registrou desde sábado, quando a Brasal Incorporações lançou as vendas do primeiro prédio do Setor Noroeste. Com preços em torno de R$ 1 milhão, 92% dos 84 apartamentos foram comercializados em apenas três dias. Até o fechamento desta edição, os seis imóveis restantes estavam reservados e faltava apenas a conclusão do negócio. O preço do metro quadrado superou as previsões. Em algumas unidades, o valor é superior a R$ 9 mil.
O que mais impressiona os especialistas é que a venda de um prédio praticamente inteiro ocorreu sem a necessidade de montagem de estande e divulgação. Não houve tempo nem mesmo para anúncios. Os corretores entraram em contato com os interessados que haviam se cadastrado e, logo depois, foi registrada uma corrida aos pontos de venda. Também chama atenção o fato de as obras de infraestrutura não terem sequer começado. O futuro Setor Noroeste ainda é uma enorme área de cerrado, mas o preço do metro quadrado já bate recordes.
O edifício, que recebeu o nome de Reserva Noroeste, será o Bloco A da SQNW 311. Todos os apartamentos são vazados, de três ou quatro quartos, com área entre 127m² e 318m². O imóvel mais barato custou R$ 942 mil e o mais caro — uma cobertura privativa — saiu por R$ 2,5 milhões. Apesar do preço salgado, as condições de pagamento eram atrativas: parcelamento em até 120 vezes, com 8% de entrada. O preço médio do metro quadrado ficou em R$ 8,2 mil. Os apartamentos serão entregues em, no máximo, 40 meses. O prazo é um pouco maior do que os normalmente fixados para lançamentos na planta porque o Noroeste ainda não tem infraestrutura.
Primeiro compradorO economista Atízio Carlos Rezende Junger, 50 anos, foi o primeiro comprador de um imóvel no futuro bairro. Ele chegou ao ponto de venda às 8h do sábado, depois de ser informado sobre o lançamento na sexta-feira à noite. Atízio comprou o imóvel de três quartos como investimento e espera uma grande valorização. “Esse conceito ecológico do Noroeste vai ser o grande diferencial. Eu já estava no cadastro de reserva e, assim que me ligaram, decidi fechar o negócio”, conta o economista.
Quem também comprou um apartamento de três quartos foi o administrador de empresas Antônio Simões Ramos, 39 anos. Ele decidiu investir em imóveis no Setor Noroeste. Mas morar no bairro também é um objetivo. “Meu grande sonho de consumo é comprar uma cobertura no Noroeste. Como ainda não tenho capital para isso, decidi começar com um apartamento de três quartos”, explica o administrador. “A valorização vai depender da infraestrutura. Minha expectativa é de que a urbanização seja feita rapidamente”, acrescenta Antônio, também um dos primeiros compradores.
O 2º Ofício de Registro de Imóveis do DF liberou o memorial de incorporação (2)do edifício no final da tarde de sexta-feira. Já no sábado pela manhã, a Brasal Incorporadora e a Lopes Royal Empreendimentos, responsável pela venda juntamente com a construtora, começaram a receber os clientes.
SucessoO diretor da Lopes Royal, Marco Antônio Demartini, conta que a expectativa do grupo era justamente por uma demanda expressiva. “Temos 34 anos de atuação e conhecemos bem a força do mercado de Brasília. Tinha certeza de que seria um sucesso, já que temos uma demanda reprimida”, explica Demartini. “A oferta para o Plano Piloto está muito pequena. As pessoas estavam esperando com ansiedade pelos primeiros lançamentos no Noroeste”, acrescenta o diretor da Lopes Royal.
Para o gerente comercial da Brasal Incorporações, Luiz Henrique Alves Martinez, a tendência é de que o preço suba a cada lançamento. “Um estande de venda, por exemplo, custa mais de R$ 1 milhão. Isso tem que ser embutido no preço dos imóveis mas, no nosso caso, não foi necessário”, destaca Luiz Henrique. Ele diz que não se surpreendeu com o resultado. “Nossa proposta foi oferecer apartamentos com plantas como as de antigamente. Os imóveis são grandes e vazados”, justifica o gerente comercial. Outro diferencial dos novos prédios é o investimento forte em áreas de lazer e, pelo menos, duas vagas de garagem para cada unidade.
Depois do primeiro lançamento, a tendência é de uma oferta expressiva de imóveis no Noroeste a partir de agora. A Via Engenharia foi a primeira a obter a aprovação dos projetos, mas ainda aguarda a aprovação do memorial de incorporação para lançar seus empreendimentos. “Nossa ideia é lançar quatro edifícios de uma vez, para que os clientes tenham um leque grande de escolha. Em nossos cadastros, já temos mais de 2 mil pessoas interessadas”, conta o diretor de Incorporação da Via, Tarcísio Leite. A expectativa da empresa é conseguir a documentação na semana que vem.
O Setor Noroeste terá 220 prédios residenciais distribuídos e 198 unidades comerciais. A Companhia Imobiliária de Brasília já licitou 64 projeções até agora, 54 delas residenciais. A venda rendeu R$ 675 milhões aos cofres públicos. A maioria das construtoras que arremataram lotes já apresentaram projeto de construção à Administração de Brasília — que é responsável pela análise. Para ganhar alvará, a empresa tem que desenvolver um projeto de acordo com o conceito ecológico do novo bairro. Os edifícios têm sistemas modernos de captação de luz solar e recolhimento de lixo a vácuo.
1 - Brasília Revisitada
O urbanista Lucio Costa previu o Setor Noroeste no documento Brasília Revisitada, de 1987. Desde então, o governo e os empresários investiram para a elaboração dos estudos de impacto ambiental e dos projetos urbanísticos até que o bairro fosse lançado, em janeiro deste ano.
2 - Documentação
A emissão do memorial de incorporação pelo cartório precede o início das vendas e da construção do empreendimento. A empresa tem que apresentar ao cartório uma série de documentos como a prova da propriedade do terreno, projeto de construção aprovado pelo governo, certidões negativas de impostos, cálculo da área das edificações, além da discriminação detalhada do acabamento e material a ser utilizado na construção.
TERRACAP FAZ LICITAÇÃOA Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) vai licitar, na quinta-feira, 150 lotes legalizados. Eles estão espalhados pelo Distrito Federal, em cidades como Samambaia, Ceilândia e Taguatinga. Há até um lote no Setor Bancário Norte. Os preços variam de acordo com o tamanho e a localização. O espaço mais barato é um terreno comercial de 50m² em Santa Maria: sai por R$ 30,2 mil. O mais caro é também uma área para uso comercial, de 1,8 mil m², em Águas Claras: custa R$ 5,2 milhões. Quem quiser participar da licitação tem até amanhã, às 16h, para ir a uma agência do Banco de Brasília (BRB) e depositar caução no valor de 5% sobre o preço do imóvel. Na maioria dos casos, o valor total pode ser parcelado em até 240 meses. Servidores do GDF e da União podem comprar lotes com prestações a juros de 6% ao ano, em vez dos 12% normalmente cobrados. Para obter o benefício, no entanto, os órgãos dos servidores devem firmar convênio com a Terracap para que a prestação seja descontada na folha de pagamento.
Noroeste em R$Apartamento mais barato
3 quartos, poente, 1º andar, unidade de meio, com 127m²: R$ 942 mil, ou R$ 7,4 mil o metro quadrado.
Apartamento mais caro
Cobertura privativa de 318 m²: R$ 2,5 milhões ou R$ 7,8 mil o metro quadrado.
Metro quadrado mais caro
Apartamento de 5º andar, 4 quartos, de canto, nascente, com 158m²: R$ 1,4 milhão, ou R$ 9 mil o metro quadrado.
Esta matéria tem: (14) comentários
Autor: Thania Priscila Bonifacio
disposição pra poder ir trabalhar de bike vai ser uma boa. Ai se eu pudesse...
Autor: Thania Priscila Bonifacio
Porque a ladainha da EcoVila faz custar mais caro o que já era caro. Eu vi o projeto de Urbanização antes de ser aprovado, quem o fez foi uma professora minha de urbanismo na faculdade. O projeto em si ficou muito bom, principalmente pela valorização da Ciclovia, se alguém que morar lá tiver
Autor: Thania Priscila Bonifacio
No Noroeste não vai ocorrer o Noroeste econômico, porque esse setor foi muiti melhor projetado do que o Sudoeste. Agora, tomara que com a supervalorização do Noroeste o Sudoeste desvalorize, pra eu comprar meu apartamento lá! Ahá! E não adianta ficar chorando com o preço dos apartamentos no Noroest
Autor: Ernesto Costa
Retiram o cerrado e os índios, asfaltam, gramam, constroem prédios e chamam o bairro de ecológico?! Muito boa! Quem compra: ou recebeu uma ótima herança, ou é empresário bem sucedido, ou está comprando o imóvel da vida ou tem toda a família ganhando R$20.000,00, por cabeça, para assinar o ponto no Se
Autor: gustavo paschoal
já vi esse filme. Depois de vender a preço de ouro, vem setor economico, expansao do setor economico e vira favela chique e desordenada, igual a um tal sudoeste. podem esperar.... ah nao ser que confem nos valorosos politicos
Autor: Guilherme Guilherme
942 mil reais num apartamento de 3 quartos? Cheeeeeeega! Chega de especulação nesta cidade. Chega de falsa valorização. Pergunto: quem é que tem renda o suficiente pra comprar estes apartamentos? E mais, 900 mil, só se fosse uma cobertura, mas um mísero ap de 3 quartos. Só louco!
Autor: Erick adv
Perguntinha que não quer calar: De onde sai tanto dinheiro hein?!
Autor: Alessandro Norse
Acho muito triste esta operação especulativa, respaldada pela mídia local e inclusive nacional. Os políticos do DF sabem muito bem que o povo é contrario ao Setor Noroeste. Trata-se de uma violenta e antidemocrática. Espero que haja uma reação de todos nós para lutar contra esta injustiça!
Autor: Alessandro Norse
Engraçado que já não se fale em "bairro ecológico" ou "eco-vila". Agora estão vendendo o Parque Burle Marx como compensação ecológica do setor noroeste... Se vocês vão lá, verão como a parte destinada ao noroeste é muito melhor preservada, é um ecosistema de cerrado nativo, intato...
Autor: lenita
Eu só estou preocupada com o trânsito que vai ficar um caos a piista em frente ao Extra do SIA. Agora gastar um dinheiro nesse num lugar desses é jogar irresponsavalmente dinheiro fora. Com esta grana morasse muito bem no Plano ou no Lago Sul, para qeum gosta né???
Autor: Cecília Silveira
Me lembro perfeitamente quando o GDF lançou o novo bairro dizendo que teria imóveis para todas as classes sociais...Acho que eles vivem em outro mundo. Pura especulação. Quanto nosso vice governador está ganhando com tudo isso? Falta dizer que a Paulo Otávio não tem nenhum lote lá. Brasil de merda!!
Autor: José Walmick Vasconcelos
Prova, claríssima, de que em Brasília não só se loteia os cargos. Prá quem será que vai esse apurado da terracap?
Autor: Guilherme Guilherme
Só aqui em Brasília mesmo, um bairro que nem asfalto nem nada tem, ter o metro quadrado mais caro. Não sou nem louco de comprar um apartamento neste preço. Muito melhor morar em casa, mais espaço, e muito mais barato.
Autor: angélica pedrosa
Um verdadeiro absurdo essa especulação imobiliária em Brasília... Fico pensando quem são as pessoas que realmente podem pagar por um imóvel nesse valor. Não me digam que são funcionários públicos, porque, por melhor que ganhem, não são marajás...