Infectologistas questionam monitoramento do uso do antiviral Tamiflu

Diego Moraes

Publicação: 29/08/2009 08:52 Atualização: 29/08/2009 10:03


O vírus da influenza A (H1N1) já é responsável pela maioria dos casos de gripe no mundo. A informação está em boletim divulgado ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência aconselha as nações do Hemisfério Norte a adotar medidas para enfrentar a segunda onda da doença, que deve ser desencadeada com a chegada do inverno. E orienta os países tropicais "a se preparar para um número crescente de casos". No Brasil, o micro-organismo já é responsável por 85,3% dos casos de gripe, segundo o Ministério da Saúde.

A OMS alerta, ainda, os países do Hemisfério Norte para as formas mais graves da doença observadas principalmente na América do Sul durante o inverno. "Os médicos de todo o mundo estão reportando uma forma muito severa da doença em pessoas jovens e saudáveis, o que raramente é visto durante as infecções de gripe sazonal. Nesses pacientes, o vírus infecta diretamente o pulmão, causando insuficiência respiratória grave. Algumas cidades nesses países indicam que quase 15% dos casos internados têm exigido cuidados intensivos", informa o boletim.

O infectologista Stefan Ujvari afirma que a predominância do H1N1 era um fato esperado. "Esse vírus circula muito mais do que o vírus da gripe comum, porque ninguém tem defesas contra ele. É natural que ele ocupe o lugar do outro. Mas não se sabe se isso vai se manter nos próximos anos", afirma. Estima-se que um terço da população mundial deve contrair a influenza A.

Enquanto a pandemia se espalha, as mortes no Brasil continuam a crescer. A Secretaria de Saúde de Santa Catarina confirmou ontem mais oito óbitos, o que fez o número de fatalidades em todo o país subir para 591.

Anvisa
Infectologistas questionaram ontem a viabilidade da resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que determina o monitoramento de todos os pacientes que fizerem uso do antiviral Tamiflu, usado no tratamento da gripe suína. A ideia é acompanhar possíveis efeitos colaterais causados pelo remédio. A medida, em vigor desde quinta-feira, estabelece que o acompanhamento e a notificação de casos são compulsórios e devem ser feitos pelo "médico e/ou pelo serviço de saúde".

"A intenção é boa, mas não é fácil acompanhar um paciente. Como vamos monitorar cada um que chega num hospital público, por exemplo?", questiona o infectologista Edimilson Migowski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Monitorar cada paciente é impossível. Se for para orientá-los e criar um canal de comunicação com o hospital para que eles informem efeitos adversos, aí, sim", afirma o infectologista Fábio Leal, da Universidade de São Paulo (USP).

A Anvisa informou que cabe aos profissionais e aos serviços de saúde informar eventos adversos, mas reforça que cada hospital ou clínica deve escolher a melhor forma de fazer o acompanhamento.

Ouça trechos de entrevistas com infectologistas
Roberto Valente, coordenador do hospital Anchieta

Fábio Leal infectologista da USP

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Autor: Horácio Gomes
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