HABITAÇÃO » Noroeste alavanca preços dos imóveis

Mariana Flores

Publicação: 08/11/2009 08:12 Atualização: 08/11/2009 08:25

Setor residencial com um dos metros quadrados mais caros da capital do país, o Noroeste tem alavancado os preços dos imóveis em todo o Distrito Federal. Os primeiros lançamentos no setor ecológico tiveram efeito difusor sobre o mercado da capital, que passa a ocupar este ano o segundo lugar no ranking de cidades onde mais se vende imóveis — só perderá para São Paulo. A demanda crescente deve fazer com que os preços dobrem nos próximos cinco anos, segundo estimativas dos empresários do setor.
 - (Seduma/Divulgação)


Até dois anos atrás, o metro quadrado a R$ 8 mil era considerado inaceitável pelos consumidores. Os primeiros apartamentos do Noroeste foram vendidos com valores que variam de R$ 8 mil a R$ 10 mil o metro quadrado. No fim de semana passado, a Lopes Royal comercializou quase 100 flats à margem do Lago Paranoá a R$ 12 mil o metro quadrado. Em Águas Claras, o valor dos imóveis quase dobrou desde 2007. Os últimos lançamentos feitos na cidade passam de R$ 4 mil o m². Em Samambaia e no Gama, os valores superam R$ 2,5 mil.
Maquetes do bairro que será erguido no Plano Piloto: projeções foram vendidas às construtoras por R$ 10 milhões e, agora, os valores ultrapassam R$ 16 milhões. O reajuste é repassado para o metro quadrado - (Seduma/Divulgação)
Maquetes do bairro que será erguido no Plano Piloto: projeções foram vendidas às construtoras por R$ 10 milhões e, agora, os valores ultrapassam R$ 16 milhões. O reajuste é repassado para o metro quadrado


E a tendência é que os reajustes continuem. Portanto, os brasilienses devem se preparar. Pela previsão dos empresários do setor, se o índice de crescimento seguir o mesmo ritmo registrado desde o início da década, de 20% de valorização ao ano, em pouco tempo, o DF atingirá os valores verificados em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ou seja, em apenas cinco anos, o brasiliense terá que conviver com preços que chegam a R$ 20 mil o metro quadrado. “Os preços aqui não chegaram no ápice. Há espaço para crescerem mais”, avisa Marco Antônio Demartini, diretor da Lopes Royal.

A expectativa é de que o volume geral de vendas de imóveis no DF atinja, em 2009, R$ 3,1 bilhões, contra R$ 2,1 bilhões registrados no ano passado. Em 2008, o Rio de Janeiro vendeu o equivalente a

R$ 2,5 bilhões, mas, este ano, a capital fluminense não deve ter crescimento sobre o ano anterior. São Paulo aparece em primeiro lugar, com vendas no valor total de

R$ 7,2 bilhões. “A região do Plano Piloto é muito valorizada pela escassez de terrenos e por estar em boa localização, mas está longe de ser a mais cara do país, o metro quadrado na orla da Zona Sul, no Rio de Janeiro, pode chegar a R$ 30 mil”, afirma Frederico Kessler, diretor regional da Rossi, presente em mais de 60 cidades brasileiras e com um lançamento previsto para este ano no Noroeste.

Crescimento

Mas o ritmo de crescimento do mercado no DF ultrapassa o das duas cidades, na opinião do gerente nacional de vendas da João Fortes Engenharia, Jorge Rucas. “A valorização vista em Brasília é a maior do país. As zonas sul de São Paulo e do Rio de Janeiro são mais caras, mas a valorização ano a ano do DF como um todo é bem maior. O Noroeste ajuda a puxar os valores para cima. A oferta no Plano Piloto está muito baixa, e a demanda, elevada, o que pressiona o preço”, afirma. A João Fortes Engenharia lançou, esta semana, seu primeiro empreendimento no novo setor. Em 2010, vai lançar outras três obras.

O poder do Noroeste está no fato de ser o último setor imobiliário na região central de Brasília, segundo o gerente comercial da Emplavi, Wilson Charles Oliveira, que lançou, há duas semanas, um residencial de dois e três quartos no bairro ecológico, localizado na Asa Norte. “É o último setor nobre na área tombada, certamente os preços vão subir mais ainda”, afirma. “A tendência é que os imóveis fiquem cada vez mais caros. O Plano Piloto é finito e Águas Claras está acabando”, completa Marcelo Carvalho, diretor da Paulo Octávio Investimentos Imobiliários.

O diretor de incorporações imobiliárias do grupo Via Engenharia, Tarcísio Rodrigues Ferreira Leite, concorda. “O mercado financeiro não está rendendo bem, o que eleva a demanda por imóveis. A isso, no DF, soma-se a carência de oferta de terrenos. O setor está mantendo uma rentabilidade histórica em torno de 20% ao ano”, afirma. O grupo, que possui três prédios em fase de comercialização no Noroeste e vai lançar o quarto ainda este ano, tem ainda outras cinco projeções para construções futuras.

A falta de terrenos puxa os custos para cima, de acordo com o gerente comercial da Emplavi, Wilson Charles Oliveira. “Além da demanda elevada, os preços altos têm origem na forma como os terrenos são comercializados. A Terracap vende por licitação em doses homeopáticas e esse controle da oferta faz com que haja um aumento natural do preço”, afirma. De acordo com ele, as primeiras projeções no Noroeste foram vendidas às construtoras por R$ 10 milhões e agora já passam de R$ 16 milhões. “Não tem jeito de não repassar para o metro quadrado do apartamento”, acrescenta.


Valorização acelerada


As próprias construtoras se assustam com os preços alcançados na capital do país. “Não imaginávamos que fôssemos vender imóvel em Águas Claras a R$ 4,5 mil o metro quadrado”, afirma Marcelo Carvalho, da Paulo Octávio. Nem o engenheiro Gebrim Ésper Junior, de 52 anos, calculava que suas três quitinetes compradas há dois anos na cidade renderiam tanto. Uma delas, adquirida a
R$ 32 mil em 2007, foi vendida a R$ 95 mil recentemente.
Seu novo investimento agora é o Noroeste. Ele comprou um apartamento de dois quartos no novo bairro. Pagou R$ 8,2 mil pelo metro quadrado. Gebrim ainda não sabe se vai vender assim que ficar pronto ou se vai se mudar para o Noroeste e alugar o apartamento da Asa Sul, onde mora atualmente. “Na Asa Sul, não vendo. Como lá não tem mais imóveis novos, a tendência é valorizar cada vez mais”, acredita.

Susto

A volta do crescimento econômico ajudou a alavancar as vendas, segundo Marcelo Carvalho. “Houve um susto há um ano. Com o início da crise, todo mundo se encolheu, mas depois as vendas ganharam uma celeridade que não esperávamos. O mercado de Brasília é comprador. E os preços estão subindo. Há dois anos, um imóvel no Sudoeste não passava de R$ 8 mil o metro quadrado, agora temos apartamentos sendo vendidos a R$ 10 mil o metro quadrado. O Noroeste criou muita expectativa e puxou tudo para cima”, afirma. Esta semana, a Paulo Octávio lança seus dois primeiros residenciais no bairro.

Com dois terrenos no Noroeste, a JC Gontijo quer esperar o avanço da infraestrutura antes de começar a construir. Enquanto isso, investe nos residenciais em condomínios fechados. Em seis meses, vendeu mais de 1 mil apartamentos do Living, localizado próximo ao ParkShopping, a um valor médio de R$ 7,2 mil o metro quadrado. O Super Quadra Atlântica, novo condomínio lançado neste fim de semana a R$ 5,5 mil o metro quadrado, deve passar de R$ 8 mil em algumas semanas, segundo Rodrigo Nogueira, sócio-diretor da companhia. “A valorização é generalizada. Com a queda dos juros, as pessoas estão tirando investimentos e indo para o setor imobiliário”, afirma. (MF)


Bom negócio

A Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) deve lançar, no próximo dia 26, licitação para a venda de novas projeções do Setor Noroeste.


O aumento

Exemplos de valorização dos imóveis no Distrito Federal nos últimos anos:

591%
Reajuste médio dos preços das quitinetes localizadas no Sudoeste
e na Asa Sul desde o início da década. O m², em 2000, girava em
torno de R$ 1,2 mil. O valor médio atual está em R$ 8,3 mil

265%
Aumento do preço de apartamentos de três quartos localizados
no Sudoeste nos últimos nove anos. O m² médio saltou de
R$ 2,3 mil para R$ 8,4 mil

304%
Valorização média dos imóveis em Águas Claras. Os preços
passaram de R$ 990 o m² para mais de R$ 4 mil
Fonte: Lopes Royal

Esta matéria tem: (33) comentários

Autor: Guilherme Guilherme
Concordo com o Cesar Lauxen. O Rio é uma cidade cosmopolita, com limitações geográficas, favelas, sem falar na vista para o mar. Agora Brasília, que vista se tem? O que torna o Noroeste mais nobre? Bairro ecológico? O que noroeste tem de mais ecológico que os demais, a justificar o preço exorbitante?

Autor: Jose Martins
É uma pouca vergonha. Além de se apropriar ilegalmente de área pública da União no Noroeste, a última área de cerrado nativo preservado de Brasília, o governo atual quer expulsar à força os indígenas da Reserva Indígena, "desaparecendo" com o cacique Korubo e incendiando casa de família indigena

Autor: Maria Madalena Gomes
Realmente, essa tem sido uma estratégia comum para defender interesses do rico setor imobiliário. Temos que vigiar.

Autor: Mauricio Gameiro
Minha kit na 912 valorizou de 2002 até hoje 200%. Acho que tem informação errada na matéria. Talvez tenha valorizado as deles.

Autor: Epaminondas Levis
É por isso que eu parei de assinar este jornal! Agora, a população também é culpada pela alta valorização. A maioria é complacente com a aceitação desses absurdos preços.

Autor: Guilherme Rbr
A máquina pública no DF trabalha em favor da especulação imobiliária, ao invés de tentar resolver o problema de habitação no DF. Liberam lentamente as áreas (bairros) pra construção. Tudo somente na medida que os imóveis se valorizam. Foi assim com Sudoeste, Aguas Claras e agora o Noroeste.

Autor: Cesar Lauxen
É ridículo querer comparar com os preços da Zona Sul do Rio! Os preços citados (no Rio) são de partamentos em frente ao mar, num dos lugares mais lindos e mais conhecidos cartões postais do mundo, rodeado de belezas naturais, cultura, diversão, etc, etc. O que Brasília oferece? Poeira!

Autor: Leonardo
E O MINISTÉRIO PÚBLICO. CADE. Vai ficar ouvindo criancinhas.O cartel da construção civil em Brasília comete há muitos anos crimes contra economia popular.além de não se ficalizarem os preços, não se fiscalizam os tamanhos dos imóveis.qdo invadirem as áreas públicas do noroeste,não reclamem.

Autor: Fabricio Brigagao
Concordo com os comentários. Os preços praticados são absurdos! Já vendem ap. na Ceilândia e Samambaia como se fosse área nobre. Fora a qualidade dos imóveis, em poucos anos os prédios já precisam de reformas.

Autor: Silas Valle
É isso aí, bróze... Conforme meus cabelos pretos foram sendo devorados pelos cinzas e estes pelos brancos, (desculpem o inevitável trocadilho), os pobres foram sendo escondidos nos outbacks de Brasília, tornando-a a mais medieval cidade brasileira: Uma coroa de ouro cercada de m por todos os lados!

Autor: Rozana Rozana
Caro mesmo é o que vamos pagar pela destruição do meio ambiente, mais precisamente, do cerrado que está sendo esmagado para dar lugar à esse luxo todo. Sem contar as famílias indígenas qua habitavam e cuidavam do lugar.

Autor: Leonardo Oliveira
as construtoras e o governo estão inflacionando os imóveis pra todo lado pra obter o maximo de lucro. A construtroa fica com o lado do lucro máximo na venda dos imóveis e o GDF supervaloriza a terra para poder cobrar o IPTU mais caro...sá não vê quem não quer.

Autor: Kika Braz
Quanto ao noroeste..pagar em média R$800, mil para ter como vizinho setor de oficinas norte, ou o Caje...só os otários de Brasília mesmo!

Autor: Kika Braz
Tbm acho, que as pessoas pagam muito para morar em apertamentos! Os do Sudoeste então é só status! Vc da um espirro e o vizinho diz saúde!...Sim conheços os do Rio e aquilo sim é tamanho..porem tbm tem os emergentes da Barra que moral de frente para o mar...e que parece c/ uma kit!

Autor: Fátima Costa
Brasília setorizada. Século XXI e continua a setorização. E que Governo hein! Arruda o ator e PO e especulador. Que dupla. Acorda Brasília!!! eleições 2010.

Autor: Guilherme Rbr
Acho que deveriam ter escrito antes do título dessa reportagem: "Informe Publicitário"...

Autor: Helga
Mas é justamente por ESTE motivo o de estarem construindo o Noroeste!! Manter a bolha imobiliária acelerada por mais tempo antes de explodir.

Autor: Guilherme Rbr
Existe também um fator psicológico aqui... Conheço gente que mora em apartamento de 800mil no Sudoeste, mas passa o final de semana comendo miojo, pra não gastar dinheiro. Isso eu não entendo. É parte do pensamento limitado da sociedade de uma cidade 100% "Burocrática"

Autor: Guilherme Rbr
Aliás, o Correio deveria rever a parcialidade de algumas de suas reportagens! Existem excelentes estudos, de Economistas da Unb, sobre o mercado imobiliário de Brasília, e vcs fazem uma reportagem dessas, colocando só opinião de especulador...

Autor: Guilherme Rbr
Tudo bem que o Plano piloto é tombado. Essa desculpa até cola. Mas criaram o Noroeste, limitando - da mesma forma- a altura dos edifícios, e criando essa baboseira de "bairro ecológico", tudo artimanhas, pros preços ficarem ainda mais altos. São os especuladores usando o governo que nem fantoche

Autor: Guilherme Rbr
Aliás, a reportagem não mencionou que o m2 do Noroeste está custando o dobro do m2 do Morumbi, o bairro dos milionários de São Paulo.

Autor: VASCO VASCONCELOS
BRASÍLIA É DE TODOS NÓS. NO SETOR NORESTE TINHA QUE SER RESERVADO ÁAREA P/ AS PESSOAS MENOS ABASTARDAS ADQUIRIREM SUA CASA PRÓPRIA. ESSSES VALORES EXORBITANTES SÃO MECANISMO DE EXCLUSÃO SOCIAL. VAMOS ACORDAR EM 2010.

Autor: Guilherme Rbr
Essa reportagem está muito equivocada. No Rio acha-se 30mil o m2 sim, mas na Vieira Souto. Não é uma coisa generalizada, igual aqui. Engraçado, mas esse pessoal usa ATÉ A ENTREVISTA ao Correio pra especular!!!

Autor: VASCO VASCONCELOS
Não posso aceitar que o metro quadrdo dos aptº do DF, sejam superiroes aos da Avenida Atlântida RJ. Há muito dinheiro sujo nessas negociatas.Fruto de supefaturamento de licitações etc.A Receita Federal PF, TÊM que ficar alertas p/saber a origem dos dinheiro dos felizardos.Não é preciso ser vidente.

Autor: Wilton Alencar
Quem está elevando preço de imóvel no DF são investidores e não moradores e logo eles vão querer realizar o lucro e vão competir com as construtoras que tem mais gordura pra queimar e o preço vai cair. Talvez dure um pouco mais, mas quem puder, realize logo e embolse os lucros.

Autor: José Augusto Cordeiro
1- Preços de S.Paulo, por exemplo, não são todos desta monta (tenho imóveis lá). 2- os preços são artificialmente inflacionados e podem explodir como bolhas. 3- o des-governo deveria regularizar condomínio (500 mil pessoas) e implantar transporte público integrado e descente e não apoiar esses preços

Autor: Marcos Morgenstern
Não concordo com a insinuação da reportagem. Acho estranho o jornal ouvir os principais interessados pela especulação imobiliária e não ouvir economistas... Tem gente no prédio onde moro que comprou dois aps e estão indo para o terceiro em Águas Claras. Acredito que isso vai "encalhar" logo.

Autor: Arnaldo Vieira Neto
Noroeste? 20 mil o m? Frente para o Carrefour? E ainda tem a cara de pau de querer comparar com o preço da orla da Zona Sul do Rio... Esses são os responsáveis pela questão fundiária do DF e pela especulação. Os condomínios não são regularizados por causa de quem? Se liberar, eles perdem o filão...

Autor: ROGERIO CRUZ
O NW é a maxima da segregação socio-econômica de BRASILIA, uma vergonha mesmo! pois esta sendo implentada deliberadamente pelo GOV. ARRUDA.Agora, quem segrega hoje, amanhã colherá o isolamento típico dos solitários e com suas consequências. É a parte podre do sonho de JK!

Autor: Marcio Rocha
Fala-se muito que Brasília está do jeito que está por conta da explosão demográfica causada por um certo ex-governador, mas o fato é que a maior praga, o estopim para a destruição da nova e breve cidade, será a construção deste bairro inútil, que serve exatamente para isso: especulação!

Autor: Wilton Alencar
Concordo com a reportagem, mas acho que valorização é finita. O aumento da renda na região não é compatível com os preços, logo a liquidez cai. Já vi exemplos de imóveis anunciados há 6 meses sem vendas. As construtoras vendem devido ao crédito e facilidades, mas quem comprou tem dificuldades.

Autor: Leonardo Bueno
Um absurdo os preços dos imóveis no DF. Estão surgindo "ilhas de concetração de renda" e as classes menos favorecidas estão se afastando cada vez mais do centro. Engana-se quem acha essa exclusão boa, pois aumentando a exclusão social, consequentemente, haverá um aumento na violência!

Autor: HERMES DE S.CAVALCANTE
O governo fará obras para dar acesso viário ao novo bairro. Não será suficiente se não criar outro acesso para Sobradinho, Planaltina, Lago Norte, Paranoá e condomínios, porque todo trafégo, vai parar no mesmo local o final da Asa Norte. Não tem outro caminho.

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