Até as 20h20 de ontem, cerca de 600 estudantes aguardavam o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, em uma faculdade particular de Brasília. A palestra estava programada para começar às 18h, mas a fila para conseguir um lugar no auditório do Iesb teve início às 16h. "É uma falta de respeito; as pessoas se deslocam para vir aqui aumentar seu conhecimento sobre um país distante, com uma cultura diferente, e o presidente simplesmente não aparece", reclamou a estudante de Direito, Ana Claudia Ferreira. O estudante de relações internacionais, Tadeu Ferraz, também lamentou a ausência. "Mesmo que não concordemos com a posição dele, queríamos abrir o caminho para o debate", afirmou.
Um diplomata brasileiro presente no auditório disse ao Correio que o evento tinha sido mal organizado. "Só hoje (ontem), a Polícia Federal (PF) foi acionada para o evento", disse. Nem os assessores da faculdade sabiam o que de fato estava para ocorrer. "Ele está lá dentro, recusou os doces dos alunos da Escola de Gastronomia, mas aceitou um suco", assegurou uma funcionária.
Na verdade, naquele momento, sob uma forte chuva, Ahmadinejad se dirigia ao hotel, onde daria uma coletiva de imprensa. Até o último momento, os próprios jornalistas que aguardavam a entrevista acreditavam que o presidente iraniano se encaminhava para a palestra. A ideia tinha sido reforçada com a divulgação da chegada de dois helicópteros à faculdade. Mas, novamente, a expectativa foi quebrada: eram apenas membros da PF.
No auditório da instituição de ensino superior, estudantes impacientes batiam palmas. Até que veio o anúncio: "Vocês ouvirão palavras do embaixador do Irã, o Sr. Mohsen Shaterzadeh". Os alunos aceitaram o novo palestrante sem vaias ou protestos. Alguns gritaram "Shalom" (paz, em hebraico), ao que o embaixador saudou em persa. Funcionários da organização do evento, porém, não conseguiram esconder a decepção. "Poxa, não esperava que ele fosse fazer isso... Vai ver foi a chuva", lamentava uma das organizadoras. No entanto, seguranças do presidente iraniano estiveram mais cedo no local para verificar o ambiente. Segundo um diplomata, eles não teriam considerado "seguro o suficiente".
Em 2007, Ahmadinejad aceitou participar de uma sessão de perguntas e respostas na Columbia University, nos Estados Unidos. Na ocasião, o presidente da universidade afirmou que o líder do Irã se comportava como "um ditadorzinho cruel". O presidente iraniano respondeu aos estudantes que não negava o Holocausto, mas questionava porquê os palestinos têm pago há 60 anos por um crime que não cometeram.
Esta matéria tem: (7) comentários
Autor: Kamilla Pacheco
Acredito que a faculdade não daria a cara a tapa e passaria por essa situação constrangedora caso não houvesse organizado melhor o evento. E para corrigir o que foi escrito na matéria e a má apuração, não foram gritos de "Shalom", mas de khoda hafez, saudação em PERSA. Obrigada.
Autor: Palestina Livre Orgulho
Quem esteve no Itamaraty ontem pôde ouvir ós "manifestantes" pagos pela embaixada de Israel para berrarem palavras contra o presidente do Irã. Provavelmente eles também receberam uma graninha para tumultuar no IESB.
Autor: Orlando
Viviane, é estranho que nenhum jornal ou TV revele em que instituição de educação superior seria realizado a conferência e debate com o Presidente do Irã. Também não se revela qual foi o assunto abordado pelo Sr Embaixador. Nem depois?
Autor: Poliana Mendes
O Correio Braziliense está precisando prestar atenção no que digita! O certo é "Vocês OUVIRÃO palavras do embaixador do Irã". Ouviram é passado!
Autor: aurilio jonhson
Foi uma vergonha mesmo, um evento sem prestigio, auditorio lotado, uma falta de respeito total com alunos, Soldados da PM revistando todo mundo coo se fossem bandidos.
Autor: Guilherme Rbr
Não só alunos. Tinha muito gringo ali, esperando ele. Circularam boatos sobre a presença de Israelenses misturados com o público... Talvez esse tenha sido o motivo do cancelamento
Autor: Jackeline
Nós protestamos, sim! Ficamos 3 horas esperando para o Ahmadinejad para uma palestra histórica e a falta de organização da faculdade não permitiu que acontecesse. Absurdo!!