Eles não se conhecem, mas têm em comum a vida confinada a leitos de hospitais públicos, rejeitados por asilos e sem qualquer referência familiar. O servente de obras aposentado Manoel Silvino de Oliveira, 85 anos, está no Hospital Regional do Gama (HRG) desde dezembro de 2005. O morador de rua Francisco — é assim que ele se identifica —, 65 (idade
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| Manoel Silvino, 85 anos, não tem família. Desde 2005, está internado com uma doença pulmonar crônica |
estimada), ocupa um leito no Hospital Regional do Guará (HRGu) desde março último. De acordo com a Coordenadoria de Serviço Social da Secretaria de Saúde, a situação desses dois idosos ilustra o drama que afeta um pequeno universo da terceira idade. É uma parcela flutuante de pacientes que demandam os serviços públicos de saúde. Mas os registros são tão esporádicos que não chegam a ter expressão na estatística dos usuários do sistema.
Manoel Silvino e Francisco estão abandonados. Os núcleos de Serviço Social dos hospitais do Gama e do Guará não conseguiram localizar suas famílias. Os abrigos gratuitos para idosos existentes no Distrito Federal, além de funcionarem quase sempre com lotação máxima, preferem não receber internos que exijam algum cuidado médico ou atenção frequente — como é caso dos dois — por falta de pessoal capacitado ou de estrutura física. Como são entidades filantrópicas e não estatais, apenas conveniadas com o governo local, não estão obrigadas a receber pessoas como Manoel e Francisco.
Últimos diasA trajetória de Manoel Silvino é a que mais caracteriza o desamparo a que estão sujeitos os idosos em situação semelhante. O aposentado foi levado para a instituição por uma conhecida, dona da casa em frente ao lote que ele ocupava os fundos, no Setor de Chácaras Ponte Alta.
“O seu Manoel tem Doença Obstrutiva Pulmonar Crônica, característica de quem fumou muito. Tinha e tem dificuldades
para respirar. Antes de ser internado aqui, já havia passado pelo nosso pronto-socorro várias vezes. No dia da internação, a mulher que o trouxe explicou que se tratava de um amigo de seu pai que morava nos fundos de seu lote. Ela pediu que, após a internação, procurássemos vaga em um asilo, para ele. Disse que ele passava mal sempre e que não tinha condições de cuidar dele, porque ela e o marido trabalhavam. Ali já se caracterizou um abandono, pois ninguém jamais veio visitá-lo”, relata Maria do Socorro Diniz Moreira, a assistente social do HRG responsável pelo caso. “Ele contou que de fato era sozinho, porque tinha deixado a família na Bahia para vir se aventurar em Brasília com o tal amigo, pai da dona do lote. O amigo morreu e Manoel acabou indo morar com a filha dele”, explica a assistente social.
Em 2006, o idoso teve alta. Precisava fazer terapia diária com um aparelho de oxigênio, mas poderia deixar o leito. O Serviço Social do HRG já havia enviado o nome dele para órgãos públicos baianos, que não conseguiram localizar os familiares. Então, começou a corrida atrás de uma instituição para a terceira idade que recebesse o aposentado. Nenhuma se dispôs. Diante da exigência de oxigenoterapia, acreditaram que ele seria um interno difícil de manter.
“Pela falta de profissionais qualificados, essas casas temem receber pacientes mais delicados. O aparelho (de oxigênio) não era um problema, o hospital se dispunha a fornecê-lo. A questão era ter o espaço adequado para instalar e a atenção diária e constante que seu Manoel teria que receber de alguém capacitado. Alegaram que seria necessário um auxiliar de enfermagem 24 horas por dia, e que isso eles não podiam oferecer”, conta Maria do Socorro.
Hoje, Manoel Silvino de Oliveira é considerado um paciente terminal e recebe doses de morfina. Já não tem condições de deixar o leito do hospital e deve passar nele seus últimos dias. Maria do Socorro Diniz acredita que, se ele tivesse ido para uma instituição, ele teria um fim de vida mais digno. “Cuidamos bem dele. E, em uma certa altura, ele foi transferido para uma enfermaria com televisão. Mas nas instituições, o ambiente é mais humanizado”, diz a assistente social. Manoel é aposentado pelo INSS e seu cartão para saque do benefício está com o Serviço Social do HRG. De acordo com Maria do Socorro, como o idoso não tem um curador, os valores se acumulam na conta todos os meses.
Esta matéria tem: (5) comentários
Autor: Kelly Melo
Marco,vc disse tudo agora!
Autor: marco santos
E principalmente, cadê o Governador, né Eric? Porque não gastou um pouco do que robou em uma instituição que podesse receber essas pessoas?
Autor: carla oliveira
não sei nem o que dizer. Lamentável.
Autor: Eric Vieira
Kd os alunos da UNB agora? Porque não estão protestando nos Hospitais? KD as jornalistas? KD a mídia? Hipócritas....
Autor: vera sousa
Fico muito triste em ler uma noticia desta é muito chato a pessoa ficar desamparada.