DESCOBERTA » Mandioca amarela tem até 50 vezes mais caroteno que a variedade comum da raiz Pesquisa de laboratório da Universidade de Brasília demonstra que variedade pouco conhecida da raiz tem até 50 vezes mais caroteno do que o tipo mais conhecido, o branco. Mudas já foram distribuídas a 11 produtores do Distrito Federal

Thaís Paranhos - Especial para o Correio

Publicação: 09/03/2010 08:55 Atualização: 09/03/2010 14:56

Uma pesquisa do Laboratório de Melhoramento Genético da Mandioca da Universidade de Brasília (UnB) descobriu uma variedade da raiz tuberosa mais nutritiva do que a branca, comumente encontrada em feiras e supermercados de todo o Distrito Federal. O tipo originário do Amapá tem até 50 vezes mais caroteno (1)se comparado à variedade comum e recebeu o nome de Amarela 1. Depois dos estudos, o laboratório distribuiu mudas da mandioca a 11 agricultores do DF para o cultivo por meio de convênio com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF). Fazem parte da pesquisa oito estudantes da UnB.

Coordenados pelo professor Nagib Nassar (e), oito estudantes de agronomia, entre eles Angela Valentini, levaram a variedade descoberta aos produtores do Distrito Federal - (Carlos Moura/CB/D.A Press
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Coordenados pelo professor Nagib Nassar (e), oito estudantes de agronomia, entre eles Angela Valentini, levaram a variedade descoberta aos produtores do Distrito Federal
As análises começaram há três anos, quando o coordenador do laboratório e professor responsável pelo estudo, Nagib Nassar, começou a reunir variedades de mandioca de vários lugares do país. Das 30 raízes tuberosas pesquisadas, foram escolhidas as duas que apresentaram a maior quantidade de caroteno em sua composição: a Amarela 1, do Amapá, e a Amarela 5, de Minas Gerais. “Os cultivares indígenas são muito mais ricos em diversas características. Eles são como tesouros nacionais, mas ainda precisam ser explorados e aproveitados”, acredita o professor. De acordo com Nassar, a mandioca comum tem cerca de 0,4 miligrama de caroteno em um quilo do produto, enquanto a variedade amarela pode apresentar até 26 miligramas da substância.

Aluna do 5º semestre de agronomia da UnB, Angela Valentini Gorgen, 20 anos, trabalha no projeto há dois anos e fez parte do grupo de estudantes que levou a variedade descoberta aos produtores do DF. Logo que entrou no laboratório para trabalhar com o melhoramento da mandioca, descobriu um interesse na área de assistência aos trabalhadores rurais. “É muito importante esse diálogo. Nós fazemos a distribuição duas vezes ao ano e, de três em três meses, acompanhamos o trabalho deles para ver se está tudo bem ou se têm alguma dúvida”, conta. O próximo passo é expandir a distribuição a todo o Distrito Federal. Além da mandioca amarela, o laboratório oferece outras variedades, de acordo com a necessidade do produtor.

O agricultor Manoel Pereira da Silva, 65 anos, tem uma propriedade no Recanto das Emas e cultiva tomate, couve-flor e milho verde. Ele costuma vender toda a produção nas Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF) e nas feiras da cidade. Em novembro do ano passado, recebeu pela primeira vez a variedade Amarela 1 do laboratório e espera que a produtividade seja alta. “Não tem mais comércio para a mandioca comum. Ela quase não tem mais saída”, afirma. Silva ainda tem em casa alguns pés de mandioca vermelha, que é mais rara.

Produtividade
No Laboratório de Melhoramento Genético da Mandioca há 25 espécies silvestres — que crescem no habitat natural e sem a necessidade de plantio — para serem usadas no cruzamento com a mandioca comum. A técnica, conhecida como enxerto, consiste em juntar as estacas dos dois tipos para depois plantá-las. Nassar garante um aumento da produtividade da raiz tuberosa com esse trabalho. “Depois disso, selecionamos as melhores com a participação dos produtores rurais”, conta o professor. Entre as variedades que apresentaram boa resistência à seca da região Centro-Oeste estão UnB 110, UnB 115, UnB 122 e ICB 300.

O coordenador da pesquisa afirma que o Brasil é o maior produtor e consumidor da mandioca. “Ela está entre os cultivos mais plantados entre os pequenos produtores no DF, principalmente na agricultura familiar. Mas a produção ainda é pequena se comparada a outros Estados”, diz. Dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) revelam que, em 2009, 417 produtores usaram uma área de 915 hectares para o cultivo da raiz tuberosa. A produção chegou a 13.578 toneladas das variedades de mandioca, de um total de 827.949 toneladas de tudo o que foi produzido no DF no ano passado.

1 -
Nutriente
O caroteno, quando processado pelo fígado, produz vitamina A. A substância é importante para o fortalecimento da retina e para a proteção do tecido epitelial do corpo humano.

Esta matéria tem: (17) comentários

Autor: rafael moterle
Eu fico muito feliz em saber que a Universidade está cumprindo o seu papel, incentivando a pesquisa científica e aproximando-se da comunidade.

Autor: Leticia Abreu
Aproveito também para ressaltar que esta é uma forma louvável de aplicação do dinheiro público, direcionando-o para o bem da população. E reclamar mais atenção por porte do governo às pesquisas cintíficas que ralmente apresentam resultado.

Autor: Leticia Abreu
Parabenizo o professor Nagib pelo excelente trabalho voltado aos produtores que mais precisam de apoio e à uma cultura tão consumida pela parte mais pobre da população.

Autor: Lauana CN
Bem, fico muito feliz em poder ler uma reportagem que divulga a ciência. Parabenizo o professor Nagib e toda sua equipe de laboratório por este bonito trabalho. Um trabalho que tem retorno para a sociedade.

Autor: Danielle Freitas
É incentivador perceber que as iniciativas de pesquisas podem sim ser aplicadas às necessidades das pessoas. Acredito que essa ação gratifica e dá mais crédito ainda à pesquisa no Brasil. Parabéns!

Autor: Pollyanna Cirilo
Em seu livro Geografia da Fome, o eminente cientista pernambucano José de Castro sonhava com uma mandioca mais nutritiva - que alimentaria os povos pobres. Nagib realizou este sonho!

Autor: Pollyanna Cirilo
Nagib e sua equipe possuem tradição em disseminar suas descobertas e torná-las acessíveis aos mais necessitados. É admirável a iniciativa do doutor Nagib.

Autor: Sandra Jesus
Alguém que conhece enxertia tentou usá-la para melhorar o bem estar dos pequenos agricultores, ensinando-os e distribuindo pra eles?

Autor: Sandra Jesus
...Aqueles que apontaram que fizeram alguma coisa nada provaram cientificamente e muito menos nada de comunitário conseguiram realizar. Se alguém conhece os trabalhos científicos desses pesquisadores publicados em periódicos renomados ou saibam de seu trabalho comunitário para melhorar a saúde e o

Autor: Sandra Jesus
Há vários pesquisadores que apontaram a existência da mandioca amarela, mas nenhum progrediu de maneira científica, para avaliar o quanto exatamente de caroteno contém esse tipo de mandioca, como o trabalho do Prof. Nagib. Ninguém tentou propagar, um número grande de cultivares para poder selecioná-l

Autor: Sandra Jesus
Há vários pesquisadores que apontaram a existência da mandioca amarela, mas nenhum progrediu de maneira científica, para avaliar o quanto exatamente de caroteno contém esse tipo de mandioca, como o trabalho do Prof. Nagib. Ninguém tentou propagar, um número grande de cultivares para poder selecioná-l

Autor: Sandra Jesus
Há vários pesquisadores que apontaram a existência da mandioca amarela, mas nenhum progrediu de maneira científica, para avaliar o quanto exatamente de caroteno contém esse tipo de mandioca, como o trabalho do Prof. Nagib. Ninguém tentou propagar, um número grande de cultivares para poder selecioná-l

Autor: LEONARDO UNB
Parabenizo o Prof. Nagib e sua equipe pela propagação dos resultados das pesquisas. A distribuição gratuita de exemplares das variedades de mandioca com qualidade e alta concentração de caroteno é inédita e merece o mais alto reconhecimento. Que esta iniciativa sirva de exemplo a outros pesquisadores

Autor: Angela Gorgen
O Sr Gildésio foi muito infeliz no seu comentário por não considerar que o trabalho da equipe do prof Nagib vai mto além da pesquisa, fazendo a distribuição inédita aos pequenos produtores do DF; não conheço algo sequer parecido realizado pela embrapa ou de seus técnicos para a comunidade do DF.

Autor: Adalgisa Ferreira
A mandioca é uma cultura essencialmente familiar, por isso não tem muito estímulo para pesquisa no Brasil, que nem é o principal produtor.Mas se quiser divulgar sua pesquisa é só entrar em contato com o Correio ou com a globo!Há vários pesquisadores que trabalham na área há décadas. O Nagib desde 70.

Autor: Gildésio Nascimento
Eu já sabia há muito tempo, desde 2002. O pessoal da Embrapa-DF, mais especificamente o Sr. Raimundo Carvalho, Técnico Agrícola e escritor, já pesquisa este tipo de mandioca há mais de dez anos. O problema é que o Brasil não dá a mínima para os seus técnicos. Agora, quando é professor...

Autor: jorge lima
VAMOS ENCHER O ARRUDA COM ESSA MANDIOCA... ELE MERECE.

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