A ocupação do interior do Brasil e o desenvolvimento econômico das regiões mais longínquas podem ter sido as metas que mais obtiveram sucesso com a transferência da capital para o Centro-Oeste. No entanto, a cidade se desenvolveu de tal forma que exacerbou a desigualdade entre pobres e ricos. Para o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, a cidade carece de um projeto de longo prazo. Segundo ele, o Distrito Federal não tem uma estratégia para enfrentar a desigualdade.
"Brasília precisa de um projeto para os próximos 50 anos para que ela recupere aquela perspectiva urbana e industrial de sua criação. A cidade está carente de um projeto de longo prazo. Esse adensamento populacional que temos na cidade foge da perspectiva inicial. O adensamento de pessoas no entorno do Distrito Federal (DF) está a demandar uma ação de estratégia.", avaliou hoje (20) Pochmann.
Um estudo desenvolvido pelo Ipea constatou que, em 1978, a distribuição de renda era melhor no DF do que no resto do país (0,55 contra 0,60). No entanto, a situação se inverteu dramaticamente ao longo dos últimos 30 anos. Em 2008, o grau de desigualdade no DF era consideravelmente maior que no restante do país (0,63 contra 0,55). Para medir a desigualdade, o instituto usa o índice de Gini. Quanto mais próximo de 1, mais desigual.
"A evolução da distribuição de renda no Distrito Federal acompanhou o agravamento da desigualdade nas décadas de 80 e 90. Entretanto, apesar de a desigualdade de renda ter melhorado no Brasil a partir de 2001, a distribuição da renda permaneceu inalterada no Distrito Federal em níveis muito elevados de desigualdade", constata o estudo.
Outro ponto de destaque é que enquanto as transferências de renda do governo contribuem para reduzir o grau de desigualdade no país, no DF, as transferências governamentais praticamente não afetam a distribuição. "Inclusive, as transferências aumentaram a desigualdade em 1998", afirmou o coordenador do estudo, Milko Matijascic.
"Sem dúvida, essas diferenças da distribuição de renda entre o Distrito Federal e o Brasil podem ser explicadas pelas diferenças na estrutura ocupacional, especialmente a alta concentração de funcionários públicos federais no Distrito Federal. O crescimento da renda do trabalho a partir de 2001 foi bem maior para os mais pobres do que para os trabalhadores de maior renda. Porém, entre os trabalhadores de alta renda, os funcionários públicos estão entre aqueles que apresentaram maiores aumentos salariais", destaca o Ipea. "Dessa forma, enquanto a desigualdade caía no país, estagnava no Distrito Federal."
Matijascic observa que os dados apontaram a necessidade urgente de retomar a visão empreendedora dos pioneiros da construção da capital como forma de evitar que, nos próximos 50 anos, a capital exacerbe os problemas comuns enfrentados pelos demais conglomerados urbanos brasileiros.
"Se os pioneiros de Brasília tiveram uma visão da importância da cidade para ativar a economia do Centro-Oeste, é necessário agora retomar a lógica do planejamento para que se faça uma cidade mais organizada, menos devastadora para os recursos naturais e ainda menos devastadora do ponto de vista social. Tempos uma sociedade muito heterogênea e com níveis de fragilidade preocupantes. Temos uma criminalidade crescente e uma constante falta planejamento."
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Esta matéria tem: (10) comentários
Autor: Ricardo Cubas
A propósito, diversas unidades habitacionais do setor noroeste já estão reservados para diversos testas de ferro de distritais corruptolis e de autoridades de alto escalão do GDF. É por isso que é importante fazer um levantamento de evolução patrimonial de todos os futuros moradores do Noroeste. $$$
Autor: Ricardo Cubas
Sr. Antonio ol, é do analfabetismo político que nasce o corrupto. Vc ser grato a Roriz é justamente tudo aquilo que não se deseja numa democracia, o jogo do toma lá (seu terreno) da cá (seu voto). Gostaria muito que o MPDF investigasse os futuros moradores do setor Noroeste. Muita lavagem de $$$ lá.
Autor: antonio ol
Engraçado é que se fala tão mal de roriz mas sempre copiam seus modelos de governo. ex: o governo federal. e onde estão os estudiosos catédraticos que não se candidatam e manifestam seus direitos mas se calam, ou preferem os coméntarios.
Autor: antonio ol
sr. R Cubas que vã filosofia, se não fosse roriz hoje eu não estaria morando no DF, antes 1984 aqui so morava rico, depois da criaçao de outras cidades é varios pobres passarão a ter direito a moradia. tem trazer mais do interior, justamente para dar a eles qualidade de vida.
Autor: JOSE LOIVAL
Classe Média: classe que Rala. Ô classe que rala neste país é a classe mediana: é um grupo que não pode para de estudar (se parar outro lhe toma o lugar), estuda-se em média 3 horas por dia: desde o dia que nasce até morrer; trabalha (seja servidor público ou privado) pelo menos 44 horas por semana;
Autor: JOSE LOIVAL
A corrupção e a incompetência de alguns gestores públicos nomeados sem concurso público é o maior motivo da desigualdade social neste país: Para alguns políticos profissionais a política é a arte de enganar o eleitor; dar-se bem e dividir os poder com os seus bajuladores (leia-se: financiadores de ca
Autor: Francisco Vieira
Ora, diariamente temos migrantes po bres chegando no DF! Não é possível que se queira que, depois de cinco anos aqui, eles fiquem ricos! a pesquisa deveria ser feito entre aqueles que chegaram em Brasília a pelo menos 20 anos! A miséria veio (e vem diariamente) dos outros estados!!!
Autor: Hercilio Silva
A desigualdade é grande nos salários, setor privado paga iguala outros estados, mesmo com custo de vida maior. Moradia é o desafio e o GDF é o patrocinador da desigualdade, se isso não mudar será inviável a assalariados moradia legal no DF.
Autor: Ricardo Cubas
Enquanto isso os pobres e muito pobres, continuarão nessa situação porque são justamente eles que votam nos Arrudas e Rorizes da vida, perpetuando esse ciclo pernicioso. Políticos corruptolis enchendo o bolso e a pobraiada, sempre e cada vez mais pobre. Pega um saco de cimento aqui, outro lá, e OH!
Autor: Ricardo Cubas
Isso era óbvio ! De um lado, temos Arrudas, Rorizes, Paulos Otávios da vida que tem patrimônios pessoais que crescem numa voracidade danada. De outro, temos donos de empresas, como as da Pandora, que ganham milhões e milhões em contratos milionários, que acaba concentrando a renda do mesmo jeito.